Antonio Bittencourt/Plana Festival
Antonio Bittencourt/Plana Festival

Novas editoras fidelizam leitores com publicação setorizada

Mercado editorial independente dá chance para novos autores e investe em temáticas atuais da sociedade

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2018 | 07h02

Em um mercado tomado por grandes negócios, o surgimento de pequenas editoras é um exemplo do movimento de aproximação entre empreendedorismo e economia criativa. Nesse segmento, negócios começam a despontar no setor por darem oportunidades a novos autores e por investir em publicações segmentadas.

“Está cheio de campo em branco para ocuparmos e fortalecermos o setor”, afirma João Varella, sócio da Editora Lote 42, fundada em 2012. Como grande diferencial das pequenas empresas, ressalta a possibilidade de atingir um leitor específico por meio de obras que se comunicam com anseios e temáticas atuais, escritas em diferentes formatos, da poesia aos quadrinhos.

“O Brasil ficou viciado em tradução. É mais fácil de editar e existe menos chance de errar para atingir o público, porque o livro é igual para o mundo todo”, diz Varella sobre o cenário literário nacional. 

Experiente. Por 13 anos, Florencia Ferrari exerceu papéis estratégicos na Editora Cosac Naify, que encerrou as atividades no final de 2015. Assim que a empresa fechou, Florencia decidiu abrir a própria editora, a Ubu, que iniciou as atividades em setembro de 2016. 

Florencia tem como sócias a coordenadora de projetos, Elaine Ramos, e a diretora de operações, Gisela Gasparian, responsável por cuidar da estratégia do negócio. 

“Conseguimos fazer um acordo inicial com o Charles Cosac (dono da Cosac Naify) e trouxemos 35 livros da Cosac para a Ubu. Isso entrou no nosso business plan como um grande acelerador. Hoje, temos 44 títulos publicados”, conta. 

A empreendedora destaca a aposta em livros que chama de “fundo de catálogo”, pois vendem por muitos anos. “Também nos preocupamos com temáticas que participam do debate contemporâneo no Brasil, trazendo reflexões de diversas áreas.”

Circuito independente. No último final de semana, foi realizada em São Paulo a Feira Plana, evento que reúne editoras independentes de todo o Brasil. A primeira edição ocorreu em 2012, depois de a criadora do evento, Bia Bitencourt, visitar uma feira no mesmo formato, conhecida como Art Book Fair, consagrado em grandes cidades do mundo, principalmente no eixo europeu. 

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“Não existia esse movimento e muito menos um mercado aqui no Brasil. A primeira edição da Plana contou com 120 participantes. Nesta última, tivemos 200 editoras e autores independentes, mas recebemos cerca de 600 inscrições”, afirma Bia. O evento recebeu um público estimado em 12 mil pessoas. 

No Rio de Janeiro, o destaque é para a Primavera dos Livros, evento que teve a primeira edição em 2001 e que deu origem à Liga Brasileira de Editoras (Libre), associação que busca fomentar e fortalecer editoras e autores.

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