Nova proposta de empreendedorismo social faz sucesso nos Estados Unidos

TOMS, do empresário Blake Mycoskie, doa um par de sapatos para cada produto da marca que é comprado pelo cliente

VIVIAN CODOGNO, ESTADÃO PME,

25 de novembro de 2015 | 10h01

O lema ‘One for one’ significa, ao pé da letra, ‘Um por um’. Para o norte-americano Blake Mycoskie, porém, é mais do que isso, é um estilo de vida. Sensibilizado após ver crianças andando descalças na Argentina, o empresário fundou a TOMS, marca de calçados que doa um par de sapatos para cada item vendido. Assim, Mycoskie já impactou a vida de milhões de crianças que estavam mais suscetíveis à infecções ou doenças por não usarem sapatos. 

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Sem abrir mão do lucro, o empreendedor ampliou a cartela de produtos e hoje, a cada óculos vendido, a empresa oferece uma consulta ao oftalmologista. A cada bolsa vendida, uma grávida tem acompanhamento médico. E até cafés se transformam em água potável.

Negócios como a TOMS ainda não chegaram efetivamente ao Brasil, mas para a coordenadora do Centro de Empreendedorismo da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Alessandra Andrade, o empreendedorismo de impacto tende a ampliar sua abrangência por aqui nos próximos anos, influenciado, também, pela crise. “Às vezes, empreender é a única opção. Nesse contexto, é preciso buscar coisas que não estão sendo oferecidas.” 

Para Alessandra, essas iniciativas de impacto começam a se multiplicar no Brasil a partir de uma mudança na consciência social da população. “A ‘Geração Y’ é completamente colaborativa. Foi-se o tempo em que os jovens se estapeavam para saber quem ficaria milionário primeiro”, reflete. “As coisas hoje são muito mais conjuntas do que eram há cinco ou dez anos. A lógica de trabalho não é mais ficar fechado em uma baia ou na sala”, comenta Alessandra.

O trabalho no site de crowdfunding carioca Benfeitoria reflete bem esse cenário. Os onze integrantes da equipe – onde não há liderança definida, e sim uma estrutura horizontal – trabalham em um coworking. Parte da mensalidade do espaço é paga em serviços de consultoria para os proprietários. 

Os critério para quem deseja submeter uma ideia ao financiamento coletivo no Benfeitoria é justamente o viés determinado para o projeto: a equipe só aceita iniciativas que proporcionem, de alguma maneira, impacto social coletivo. 

Até o momento, o Benfeitoria já contabiliza 500 projetos viabilizados, com uma taxa de sucesso de 84% das propostas lançadas. Dos protótipos que alcançam sucesso não é exigida uma comissão fixa, mas sim a quantia que a empresa em questão deseja pagar e, com esse trabalho, o faturamento mensal oscila entre R$ 40 mil e R$ 60 mil. 

Os bons números, alias, viabilizaram uma parceria com a Natura em uma proposta de ‘matchfunding’. Seis projetos foram selecionados para lançar suas campanhas e aqueles que atingirem a meta terão o valor de arrecadação dobrado pela Natura. As doações podem ser feitas no site do crowdfunding.

“Não queremos seguir o tradicional porque o tradicional está errado”, comenta Luísa Rodrigues, responsável pelo departamento de comunicação da pequena empresa. “A graça do nosso trabalho é estarmos em contato direto com empreendedores que estão mudando a cidade”, orgulha-se. 

Para a especialista Alessandra Andrade, da FAAP, atitudes como dividir a mesa de trabalho, compartilhar contatos e encontrar formas alternativas para fomentar o lucro são atitudes que tendem a romper com a estrutura tradicional de fazer negócios no Brasil em um futuro bem próximo. “Isso vem, inclusive, com o desenvolvimento da internet. Antes, a informação era uma questão de poder. Hoje, ela está disponível para todo mundo”, analisa a especialista de São Paulo.


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