Leandro Mendes e Pedro Ian/Fábrica Meatz
Leandro Mendes e Pedro Ian/Fábrica Meatz

Nova foodtech de carne vegetal investe na proteína de jaca

Com tecnologia própria, a paulista Fábrica Meatz estreia no mercado com produto análogo à 'carne louca', tradicional prato da culinária brasileira agora feito com fibra da fruta

Juliana Pio, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2021 | 18h00

O mercado plant based brasileiro acaba de ganhar mais uma foodtech (startup de alimentação) de carne vegetal. Recém inaugurada em Peruíbe, no Vale do Ribeira, em São Paulo, a Fábrica Meatz quer fazer frente a concorrentes com distribuição nacional, como The New, Fazenda Futuro e NotCo, com produção da proteína feita a base de jaca. 

Embora não seja novidade na culinária artesanal entre vegetarianos, veganos e flexitarianos, a carne de jaca da Fábrica Meatz é feita em escala industrial e deve chegar aos supermercados das principais capitais do Brasil em breve, disputando espaço nas gôndolas com outras proteínas vegetais, como a ervilha e a soja. Por enquanto, pode ser encontrada em algumas redes de varejo da capital paulista, como Casa Bueno, Naturalis e Empório La Granola.

A foodtech é resultado da fusão entre a Behind the Foods, uma das pioneiras no setor de carne vegetal no Brasil, e a Meatz, especializada em produtos alimentícios à base de jaca. De acordo com Pedro Ian, um dos fundadores, o negócio recebeu investimento de R$ 2 milhões. “Foram dois anos até chegar ao produto final, envolvendo uma cadeia difícil de trabalhar e um processo totalmente automatizado”, conta. 

O primeiro produto lançado é uma releitura da carne louca, que já vem temperada e desfiada e promete os mesmos sabor e textura do tradicional prato brasileiro, contudo sendo 100% feito a base de fibra de fruta. O alimento vem pronto para o consumo e pode ser utilizado em receitas como escondidinho, lasanha e recheios de bolinhos e coxinha. O preço sugerido no varejo é de R$ 20,90. 

“O que se costuma ver de carne de jaca é totalmente diferente do nosso processo. A gente faz uma transformação industrial da fruta em fibra. Se fizer um teste cego, você vai ter certeza que está comendo carne bovina”, explica Le Mendes, fundador da empresa. 

Para produzir as carnes vegetais, a fábrica utiliza tecnologia própria, chamada 3D True Texture Meatz, que, associada a outros métodos de produção, permite a aparência, o sabor e a textura da carne animal. A fórmula da carne louca inclui, além da fruta, azeite de oliva extravirgem, chá preto, carvão ativado vegetal e nutrientes como ferro, vitamina B12 e D2. 

“O forte da jaca na tabela nutricional não é necessariamente a proteína. A nossa ideia foi trazer um análogo de uma comida que as pessoas estão acostumadas e têm uma memória afetiva, com uma nutrição pensada”, explica o executivo, que destaca outros benefícios da fruta: “Tem alto teor antioxidante e é rica em carboidratos, potássio, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas A e C”.  

Para além da jaca

A Fábrica Meatz é mais uma entre as cerca de 30 empresas de carne vegetal no Brasil mapeadas até o momento pelo The Good Food Institute (GFI) e que pretende abocanhar uma fatia desse setor que cresceu quase 70% entre 2015 e 2020 no País, alcançando cerca de US$ 83 milhões somente no ano passado, segundo dados da Euromonitor International. No mesmo período histórico, o consumo de carne vegetal teve alta de 49%, totalizando 6,3 milhões de toneladas em 2020. 

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Para o primeiro trimestre do ano que vem, a foodtech planeja mais dois lançamentos: uma opção de carne de frango vegetal e um hambúrguer plant based. A estratégia da empresa, que já tem outras fórmulas desenvolvidas, é trazer novos produtos no mercado a cada três meses utilizando, inclusive, diferentes bases vegetais, além da jaca. 

“Temos todo um planejamento de pesquisa e desenvolvimento para encontrar novas fontes de proteína, priorizando o que tem no Brasil, de modo que a gente consiga aplicar a tecnologia e transformar uma commodity em um produto com valor agregado”, finaliza Mendes. 

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