Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Nosso blogueiro responde: quais serão os negócios do futuro?

O especialista em inovação Marcelo Nakagawa comenta quais apostas podem ser certeiras para o momento da economia brasileira

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2017 | 06h00

Que o mercado da inovação é movido pelas mudanças econômicas e sociais já não é novidade para ninguém. Porém, fatores externos têm, cada vez mais, sido pontapés para o surgimento de negócios que até pouco tempo atrás não eram pensados. Para além da economia compartilhada que transforma setores como transporte e hotelaria, algumas iniciativas chegam para aliviar dores criadas por problemas contemporâneos. A seguir, o professor do Insper e especialista em inovação Marcelo Nakagawa comenta quais apostas de negócios podem ser certeiras neste momento.

Renda

Não há mágica para o ciclo que sustenta os pequenos negócios: identificada uma demanda específica, o empreendedor desenvolve um produto ou serviço e o oferece ao cliente a preços competitivos em busca de lidar com a concorrência. Em períodos de retração econômica como o vivido nos últimos anos, porém, há um desequilíbrio desse fluxo que resulta na queda da receita dessas empresas, e no consequente comprometimento do caixa, essencial para sua sobrevivência. 

"As situações mais importantes são aquelas em que o problema de uma pessoa ou empresa é importante, bem delineado, urgente e ainda mal resolvido", pontua Nakagawa. "Esse contexto para as empresas, em especial as brasileiras, implica em inovações que reduzam custos e/ou aumentem faturamento no curtíssimo prazo", aponta.

Segmentos

Novos problemas prescindem soluções que ainda não existem. E a capacidade de inovação, nesse contexto, determina quais empreendedores conseguirão se manter no mercado oferecendo algo que antecipe a vontade do consumidor. Nesse contexto, a tendência é que serviços tradicionais se transformem.

"Serviços de beleza, estética e alimentação podem sofrer com com a crise econômica, mas também terão concorrência de novos serviços que conectam o prestador de serviço direto com o cliente como os oferecidos pela Singu (serviços de beleza) e Apptite (alimentação)", analisa o especialista em inovação. "Soluções de saúde, alimentação, bem estar mas que também tragam vantagens de melhor qualidade percebida com menor custo implícito", comenta.

Educação

Encontrar formas alternativas e rentáveis de aliar tecnologia e inovação ao sistema de ensino convencional é um desafio que tem feito parte do cotidiano de um grande número de empresas em estágio embrionário. Para Marcelo Nakagawa, o tiro é certeiro. "Escolas físicas de cursos rápidos (profissionalizantes, idiomas, etc) terão ainda mais concorrência de soluções EaD e serviços por meio de inteligência artificial e machine learning", avalia. 

Entra e sai

"É um bom momento para novos negócios criados a partir de novas tecnologias disruptivas que substituam negócios e processos tradicionais", crava Nakagawa. O especialista destaca que esse ciclo de obsolência de negócios tradicionais desaparecerem, dando abertura a novas iniciativas.

"Outro segmento tradicional da economia que deve perder espaço são os prestadores de serviços de intermediação como corretores de imóveis, de seguros, distribuidores, representantes comerciais. Este tipo de serviço tende a ser substituído gradativamente por serviços online de relacionamento direto com o fornecedor", comenta. "Em todos os casos, o uso das novas tecnologias da chamada Quarta Revolução Industrial transformará a prestação de serviço em algo mais eficiente, confiável, rápido e, em muitos, casos, com mais qualidade e mais baratos para o consumidor final."

Um bilhão de dólares

No universo das startups, brinca-se que há uma verdadeira corrida em busca da startup que tenha o valor de venda acima de um bilhão de dólares. O Brasil ainda não produziu essa empresa, mas Nakagawa acredita que as transformações do mercado podem trazê-la à tona. "Há pelo menos quatro empresas brasileiras que estão bem próximas de atingir esta categoria: Movile, maior empresa de aplicativos móveis da América Latina e dona da Playkids, o principal aplicativo para crianças no mundo", pontua. 

"As outras duas são a Nubank e a Stone têm alcançado múltiplos de valuation mais alto neste momento pois é o mercado 'da vez' entre investidores ao redor do mundo. Mas a última candidata a unicórnio (se já não for) é a Top Free Games, uma das líderes mundiais em aplicativos de games, a empresa é muito, muito discreta, mas seus joguinhos são muito populares ao redor do mundo", aponta. 

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