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Norte-americana investe R$ 1 milhão para fazer do brownie o novo brigadeiro

Rede de lojas faturou R$ 700 mil e agora pretende expandir por meio de franquias

renato jakitas, estadão pme,

19 de outubro de 2011 | 06h30

Ela nasceu, estudou e até aprendeu a cozinhar nos Estados Unidos. Mas na hora de casar e ganhar a vida, optou por um brasileiro, largou a cidade de Chicago e decidiu morar em Campinas. Há três anos, Nina Lahaliyed comanda a Brou'ne, rede de doceria que fundou no interior paulista e cujo principal produto é quase homônimo da marca, o brownie. Um negócio tipicamente americano e que, em 2010, lhe rendeu R$ 700 mil. Neste ano, ela espera dobrar o faturamento, além de estrear a primeira franquia, estratégia adotada para sustentar a expansão.

"Estamos com quatro lojas em Campinas, todas próprias. Mas nosso plano é, de agora em diante, seguir com franquias e, assim, alcançar 50 unidades no Estado de São Paulo até 2012", conta a empresária. "Só precisamos ter cuidado para não massificar a marca. Nosso negócio é voltado para a classe A e B e, por isso, apostamos em menos volume e mais qualidade."

Para atrair os parceiros necessários para a empreitada, a norte-americana tratou de colocar a mão no bolso. Em janeiro, iniciou uma série de investimentos, orçados em R$ 1 milhão. A cifra financiou um novo mapeamento de mercado, além das definições de processos e aquisições de infraestrutura - quesitos necessários para garantir o modelo de franquias.

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De lá para cá, Nina Lahaliyed ampliou a capacidade produtiva de sua cozinha industrial, implementou um sistema de logística, de controle de estoques e adotou novo posicionamento de marketing.

Nicho

Mais um exemplo da segmentação do mercado de alimentação fora do lar - a mesma tendência que fez surgir redes dedicadas unicamente aos brigadeiros, lojas de chás servidos em copos e pontos de venda de sorvete de iogurte -, a empresária aposta suas fichas no apelo do bolo tradicional norte-americano junto ao consumidor brasileiro. Público este que - afirma o diretor de franquias da rede, Irineu Godoy - sabe de cor o nome, a cara e o sabor desse doce.

"O brownie é o brigadeiro do americano. E para o nosso cliente, isso não é mistério. O consumidor sabe e já gosta dele pois, em sua maioria, esteve ao menos uma vez nos Estados Unidos e o provou por lá. Trata-se de um produto de grande penetração", detalha o executivo.

O diretor de desenvolvimento de negócios em foodservice da Gouvêa de Souza&MD Associados, Ricardo Daumas, concorda com a tese de Irineu Godoy. O especialista observa que, em mercados maduros como o europeu e o da América do Norte, as lojas de nicho como a Brou'ne não são exceções, mas a regra entre os lançamento atuais. O agente motor para isso, analisa, é a demanda por serviços básicos, muito próxima do ideal nesses países.

No Brasil, entretanto, a ótica é distinta. "Aqui, essas operações se tornam viáveis inicialmente pelo consumidor que viaja, conhece esse modelo distinto e gera a demanda interna no retorno ao Brasil. Em um segundo momento, a curiosidade gerada em torno da moda é o que garante o consumo."

Diversificação

O consultor da Gouvêa de Souza faz questão de ressaltar uma estratégia adotada pela Brou'ne, segundo ele fundamental para garantir maiores índices de lucratividade. "Embora a empresa se classifique como de nicho, ela não pode morrer abraçada com um único tipo de produto. É preciso diversificar, caso contrário o retorno pode vir a ser muito reduzido."

A lógica é a seguinte: numa loja de chás, por exemplo, é bom oferecer também acessórios voltados ao universo de degustação do item. Produtos com valor agregado maior ou não. Uma linha de chaleiras, marcas sofisticadas de açúcar e assim por diante.

No caso de Nina Lahaliyed, além de 15 tipos de brownies, ela trata de dispor no cardápio outras receitas inspiradas em sua cultura, como cookies, cupcakes e chease cakes. As lojas também oferecem uma variedade de cafés, águas, refrigerantes, sucos e sorvetes. Aproximadamente 50% das vendas se originam do produto principal, os bolos americanos. 

Lucro

Com um faturamento total de R$ 750 mil em 2010, a perspectiva da Brou`ne é alcançar R$ 1,74 milhão este ano. Em Campinas, cada loja da marca rende de R$ 40 mil a R$ 50 mil por mês, com taxa de rentabilidade na casa dos 15%.

Para o mercado da capital paulista, o diretor de franquias Irineu Godoy estima que as cifras devam girar entre R$ 50 mil a R$ 80 mil mensais.

Investimento

O valor para adquirir uma franquia da marca dependerá do local e da estrutura escolhidos. O mais simples é o quiosque, que custará R$ 113 mil. Uma loja de rua sai por R$ 160 mil e, dentro de um shopping, que demanda custos maiores, R$ 300 mil.

Os valores já contemplam a montagem do espaço, mobiliário e cozinha, que na verdade é apenas um forno elétrico e uma geladeira. A cobrança de royalties mensais passam por 6% do faturamento bruto e 2% do fundo de propaganda. Já a expectativa de retorno do investimento vai de 18 a 24 meses para as lojas de rua e de shopping, enquanto para os quiosques o período é um pouco maior, de 18 a 36 meses.

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