Luiz Costa/Divulgação
Luiz Costa/Divulgação

No dia da pequena empresa, leia a história da secretária virtual e do bancário que faz sabão

Conheça as histórias do fabricante de sabão que fatura R$ 2 milhões por mês e da secretária virtual

VANESSA BELTRÃO, ESPECIAL PARA O ESTADO,

05 de outubro de 2012 | 15h40

Trocar o certo pelo duvidoso não é decisão fácil para ninguém. Mas um ex-bancário concursado do interior do Ceará e uma secretária que já trabalhava há 12 anos na mesma função, decidiram mudar os rumos de suas vidas e tornaram-se empreendedores. A troca deu certo. Francisco Assis consegue faturar R$ 2 milhões por mês com duas fábricas de produtos de limpeza e Deisiane Zortéa já ganha mais do que quando estava empregada.

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Os dois fazem parte de uma nova realidade do País: profissionais que decidem abrir uma empresa não por necessidade, mas porque enxergam uma (boa) oportunidade de negócio. Hoje, de acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2011 (GEM), divulgada pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), para cada negócio aberto por motivo de desemprego ou falta de dinheiro, 2,24 começam por meio da identificação de uma oportunidade.

Francisco Assis primeiro trocou a sala de aula e o cargo de professor de ciências para ser bancário. Funcionário durante treze anos do Banco do Brasil em Ipaumirim, interior do Ceará, Assis temia ser transferido para outra agência em qualquer lugar do Brasil e, por isso, decidiu abrir um negócio próprio. Mas não só por isso. Direcionou suas energias para um produto muito consumido na região: sabão. “Eu queria ter outros horizontes e autonomia sobre mim ”, explica.

Sem nenhum conhecimento sobre produtos de limpeza, o ex-professor afirma que primeiro buscou informações sobre a fabricação do produto. “Fui descobrir como fazia.” No início da década de 90, contratou três pessoas que entendiam sobre a produção de sabão e também comprou uma pequena fábrica por R$ 30 mil. A forma de trabalho era artesanal e o empresário ainda conseguia conciliar os primeiros passos como empreendedor e a carreira no banco.

Em 1995, Assis deixou o banco. Nesta época, o empresário já vendia 150 toneladas por mês de sabão nos supermercados e pequenos atacados de Ipaumirim. Hoje, a produção é de 300 toneladas. Os produtos receberam o nome de sabão Baleia e sabão Nova Aurora.

Porém nem tudo saiu como o planejado. Em 1997, o empresário passou por uma crise, que resultou em dívidas fiscais de R$ 150 mil. A saída foi negociar. “No mercado onde eu queria comprar matéria-prima, se eu pedisse um prazo, todo mundo me dava. Eu comprava baseado naquilo que iria vender até gerar capital de giro. Não adiantava eu ter estoque”. Mesmo nesta situação difícil, Assis se orgulha de não ter fechado as portas nem demitido ninguém.

O empreendedor colocou a casa em ordem e então uma mistura de sorte e perseverança fez Assis ampliar seus negócios. Ele adquiriu uma fábrica do mesmo ramo em Juazeiro do Norte, também no Ceará, e batizou o sabão de Juá.

A linha de produtos também foi ampliada e a fábrica hoje também produz amaciante, água sanitária, detergente, desinfetante e sabão em pó. A empresa já vende para o Piauí, Paraíba, Pernambuco, Ceará e Bahia. “A meta é chegar em todo o Nordeste”, completa Assis.

Com as marcas Juá, em Juazeiro do Norte, e Baleia e Nova Aurora”, em Ipaumirim, o grupo emprega 121 pessoas. Atualmente, só a de Juazeiro produz de 750 a 800 toneladas de produtos de limpeza.

Secretária virtual. Assim como Francisco Assis, a paranaense Deisiane Zortéa também tinha o seu emprego, mas uma ideia e a vontade de ter mais qualidade de vida foram suficientes para ela montar o serviço de secretária remota e assistente virtual.

Hoje, Deisiane atende vários clientes. “São profissionais liberais, micro e pequenas empresas que não tinham condições de pagar uma secretária ou não tinham espaço físico”, explica.

Zortéa não fala sobre faturamento, mas afirma que já ganha mais do que quando trabalhava como secretária. O seu salário na época girava em torno de R$ 1.600. “ Tenho clientes fixos, contratos mensais, temporários para dois e três meses e tem aqueles que chamam eventualmente”, conta. O negócio, que já tem um ano, atende a profissionais e microempresas em Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis.

Para garantir a continuidade de seu negócio, ela estabelece um contrato de confidenciabilidade com todos os clientes, onde garante o sigilo da informação. Os interessados recebem ainda um relatório com as informações dos serviços prestados e o tempo dedicado às atividades. Devido à demanda, a empreendedora já pensa em contratar sua primeira funcionária. “Eu posso atender, no máximo, dez clientes por mês”, afirma a empreendedora que hoje trabalha sozinha.

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