Lila Batista
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Nicho do artesanato ganha marketplace com curadoria da loja Zôdio

Endereço de matérias-primas para artesãos, Zôdio lança site de vendas focado em MEIs; Prefeitura de SP cria programa para fortalecer artesãos e fomentar ecossistema

Ana Paula Boni, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2019 | 06h05

Cachepô de crochê, bijuterias, ilustração de papel, bombons de chocolate – há de tudo um pouco no mercado dos microempreendedores que usam talentos e hobbies para ganhar dinheiro em esquema artesanal. O tanto que eles são pequenos também são numerosos, e têm mais força reunidos em marketplaces (sites com vários lojistas), como Elo7 e Tanlup.

A eles vem se juntar agora a plataforma Amo Faço Vendo, da loja Zôdio, que pertence ao grupo francês Adeo (Decathlon e Leroy Merlin). Funcionando até aqui em fase de testes, deve começar para valer nas próximas semanas, com um diferencial frente aos concorrentes: vai fazer a curadoria de quem queira participar da comunidade. Assim, não adianta só se inscrever, criar uma página própria e já sair vendendo. Antes, a equipe da Zôdio vai “atestar” o potencial artesão do empreendedor, além de farejar nomes no mercado.

O site está rodando inicialmente com 30 lojistas do artesanato à alimentação, o que é muito pouco perto dos 90 mil cadastrados no Elo7. Mas o potencial é gigante, vide os dados do próprio Elo7, pioneiro fundado em 2008 e que no último ano disse ter registrado mais de 2 milhões de compradores.

Dados do Ebit Nielsen, que realiza pesquisas sobre o comércio eletrônico brasileiro, mostram que o setor de marketplaces de novos, usados e artesanato  cresceu 62,4% em 2017 (última pesquisa disponível), movimentando R$ 25,7 bilhões.

O momento vivido por esse mercado nos últimos anos é impulsionado pelo crescimento de microempreendedores individuais (MEIs), que representam 53% de todos os empreendimentos do Brasil, segundo o relatório 2018 da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o chamado Global Report. O Sebrae aponta que, em média, há 1 milhão de novos MEIs por ano.

De olho nesse nicho dos pequenos artesãos, a Prefeitura de São Paulo lançou na semana passada o programa Mãos e Mentes Paulistanas, para fortalecer o ecossistema das artes manuais. Na cidade, há 20 mil artesãos  cadastrados, sendo 10 mil deles em forma de MEI.

O projeto Mãos e Mentes Paulistanas envolve uma “carteira municipal do empreendedor artesanal e manual”, a ser emitida a partir do segundo semestre pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho e que permitirá artesãos a participarem de feiras e eventos da Prefeitura.

Além disso, os microempreendedores poderão vender seus produtos nas futuras lojas física e virtual do programa, sendo esta um marketplace a exemplo de como funciona o Elo7 ou o Amo Faço Vendo.

Formatos

No caso da plataforma da Zôdio, além da curadoria de conteúdo, as lojistas receberão outro tipo de ajuda: poderão indicar e vender, além dos próprios produtos manuais, as matérias-primas para esses artefatos que são vendidas na Zôdio (e ganhar comissão de 15% sobre essas vendas). Verdadeiro pátio recreativo para amantes dos fazeres manuais, a Zôdio buscou nas suas próprias clientes algumas das lojistas do marketplace.

Entre elas está Denise Dick, que faz ilustrações com a técnica de quilling (com a manipulação de tirinhas de papel) desde 2012. Em sua loja Petrichor, ela vende quadros com ilustrações em torno de R$ 150. Além de faturar em média R$ 6 mil por mês com as ilustrações que vende desde 2015, ela incrementa a renda com cursos.

Denise já era MEI, mas conta que fazer parte da comunidade tem ajudado. “As meninas da Zôdio abrem a nossa cabeça para a gestão financeira. Temos encontros uma vez por mês e temos um grupo no Whatsapp, conversamos diariamente.”

Para Camila Conti, coordenadora do Amo Faço Vendo, a ideia do projeto é ser mais do que um marketplace. “Somos uma comunidade empreendedora que se fortalece dentro do ecossistema. Estamos falando de economia circular.”

Quem também faz parte dessa comunidade é Caroline Ribas, que criou o Carol na Cozinha por volta de 2014 para ensinar as pessoas a cozinharem. Hoje, ela vende as aulas, além de coffee break. “A participação no projeto é como aceleração de startup, de poder vender meus serviços. Vi como uma oportunidade de crescimento.”

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