Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Negócios estão mais profissionais e pesquisam os hábitos do cliente

Segmento de panificação investe em formação, pesquisa hábitos dos clientes e evoca o futuro por meio de planos de negócios

Renato Jakitas, Estadão PME,

30 de novembro de 2011 | 06h20

Eles não passam o dia atrás da caixa registradora nem contabilizam o faturamento do ponto em sacos de farinha de trigo. A geração que começa a assumir a dianteira do segmento de panificação no Brasil investe em sua formação, evoca o futuro por meio de planos de negócios e, para fidelizar a clientela, pesquisa hábitos e gostos de seu público.

Os sócios Luis Alberto Siso e João Manssur representam bem esse novo perfil. Egressos do mercado financeiro, montaram em 2009, com outros dois amigos, a Maria Louca no bairro paulistano do Ipiranga. “Sempre gostamos de comer e, para ter nosso negócio, optamos pela padaria, que é um dos mais complexos e desafiadores negócios na área da alimentação”, conta Siso.

Com investimento de R$ 4 milhões, eles deram atenção especial ao visual e posicionamento do estabelecimento, idealizado para atender o estilo dos moradores do bairro. “Pesquisamos as preferências locais e projetamos a Maria Louca para atender essas características. Somos das poucas padarias que vendem todos os dias rabanada e crustoli, receitas italianas famosas entre as famílias da região”, diz Siso.

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Também em São Paulo, Adalberto Camelo é outro representante da nova geração de padeiros. Ele começou a trabalhar em uma padaria na década de 90 como faxineiro e, oito anos depois, era dono do próprio negócio. “A empresa estava falida e o dono, que acompanhava meu trabalho já como gerente, propôs sociedade”, lembra o empreendedor.

Com muito tino para os negócios, Camelo tratou de seguir exemplos que pareciam frutíferos, como a diversificação de produtos e serviços. “Investi em bufê de café da manhã, almoço e até happy hour”, afirma.

Funcionou. A padaria prosperou e, com ela, o novo empresário, que entrou em outros negócios, fez e desfez sociedades até se estabilizar dentro da atual configuração: sócio da Funchalense, no bairro de Capão Redondo, da Belas Artes, na entrada de Embu das Artes e, de agosto para cá, da Empório Belas Artes, no centro de Embu. Essa última, aliás, é a menina dos olhos do empreendedor. “Para dar certo, a padaria não pode ser do empresário, deve ser principalmente dos clientes. Precisamos adaptar o nosso negócio para as necessidades do vizinho.”

O lucro está dentro da cozinha

A conveniência gera movimento, mas o lucro da panificadora está no portfólio de itens produzidos ou transformados em sua lanchonete ou dentro da cozinha industrial. Quanto mais independente, mais rentável será a padaria. Negócios mais lucrativos alcançam índices de independência entre 80% e 90%.

O cliente adora uma novidade

Não importa o tamanho do empreendimento ou o local em que ele está instalado, o empresário que ignorar a tendência de oferecer serviços e produtos variados fatalmente ficará para trás. A inovação é a principal saída para o crescimento do setor.A mesa de café da manhã é um serviço que hoje em dia aumenta o faturamento do setor.

Fique atento aos vizinho

Quase ninguém é capaz de cruzar a cidade para comprar pão. Assim, o público da panificadora está restrito a alguns poucos quarteirões do entorno. Por isso, procure conhecer bem seus clientes e deixe o seu negócio com a ‘cara’ do vizinho. Inspire-se na história e também nas origens da região para posicionar o seu estabelecimento.

Tudo começa pelo ponto

A padaria é tida pelos especialista em varejo como a loja de conveniência do brasileiro. Assim, estar estrategicamente localizado é fundamental. Opte por ruas e avenidas movimentadas, endereços que mantenham em evidência o seu negócio. Padarias consolidadas recebem, em média, de 1,5 mil a 4 mil clientes todos os dias.

 

 

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