Facebook/Divulgação
Facebook/Divulgação

Negócio especializado em vender geladinho já busca expansão e rejeita rótulo de gourmet

Le Sacolé vende na bicicleta geladinho em pontos ‘descolados’ de Pinheiros e Vila Madalena

Estevão Taiar, especial para o Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2014 | 10h07

 Da infância passada em Jundiaí (SP), uma das lembranças mais fortes que Vitor Mortara, de 27 anos, trouxe para São Paulo foram as tardes quentes de verão. “Na minha rua, havia umas dez pessoas que passavam vendendo geladinho”, conta. O que antes era refresco agora é fonte de suor, trabalho e – assim ele espera – lucro. Ao lado de uma prima e uma amiga, Vitor criou no começo de outubro o Le Sacolé. A idéia é simples: vender geladinho em pontos ‘descolados’ da capital, principalmente na região de Pinheiros e Vila Madalena. Para isso, usam por enquanto uma bicicleta customizada, sempre comandada por um dos três, que serve como meio de transporte, loja e propaganda ambulante. Os pontos de venda mudam a cada semana e são divulgados na página do Facebook. Os produtos, de 13 sabores diferentes, foram criados pelo próprio Vitor, que trabalhou em bares e restaurantes nos últimos dez anos. Os preços vão de R$ 3 (os não-alcoólicos, como morango com creme de avelã e limão siciliano com alecrim) a R$ 4 (os alcoólicos, como cosmopolitan e gin-tônica).

::: Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

“A ideia veio da Alice, minha prima. Em uma sexta-feira de calor, ela estava voltando do estágio, em um ônibus cheio, e pensou meio de brincadeira em parar tudo para vender geladinho. E eu gostei”, diz. “É um produto simples. Pensamos que era uma coisa legal de fazer e que ainda nos daria um dinheiro a mais”, afirma.

O investimento inicial foi de R$ 700. A meta era vender 40 geladinhos nos primeiros dias e recuperar aos poucos o dinheiro. Em poucas semanas, a demanda e os gastos para supri-la aumentaram. Atualmente, vendem cerca de 400 unidades a cada sete dias, o que gera receita de cerca de R$ 1,6 mil e despesas de aproximadamente R$ 1 mil – R$ 600 apenas para fazer o negócio rodar. Os outros R$ 400 vão para investimentos, como a compra de um novo freezer. O trio também deixou a apertada cozinha de Vitor para se instalar em uma nova, comercial, no bairro de Pinheiros. 

Agora, se preparam para uma expansão mais estruturada. O principal objetivo para os próximos meses é a criação de uma rede de revendedores, formada principalmente por universitários dispostos a incrementar a renda. Um novo sócio, com capital e experiência administrativa, deve se associar a eles nas próximas semanas. Nenhum dos três têm conhecimentos sobre como gerir uma empresa de porte maior ou tempo livre para aprender na prática. Todos conciliam o Le Sacolé com estudos ou outros trabalhos: “Eu passo quase dez horas por dia cuidando da empresa, fazendo de tudo, desde contato com possíveis parceiros até o planejamento de produção e distribuição”, diz Vitor.

Uma meta menor é a criação de um ponto de venda fixo que sirva também como espaço de divulgação. “Não necessariamente um lugar nosso, mas uma parceria com uma loja, algo do tipo”, afirma. Hoje, parte da renda da empresa vem de acordos similares. Para o mês de dezembro, eles já têm quatro eventos agendados, entre inaugurações de lojas e festas infantis.

Gourmet ou não? A combinação de preços mais elevados, venda em regiões da moda e sabores inusitados costuma trazer a alimentos o rótulo de ‘gourmet’. Os integrantes do Le Sacolé garantem, no entanto, que essa equação funciona de maneira diferente no caso deles. “A gente nunca se considerou gourmet. Os nossos custos são altos. O freezer consome bastante energia, o transporte é difícil. Com a manutenção de bicicleta, por exemplo, gastamos R$ 300 em menos de um mês”, afirma. Segundo ele, a margem de lucro é de R$ 1 por cada produto vendido. “Um litro do suco que a gente usa custa R$ 6. Não poderíamos ter a mesma margem de quem usa suco popular para fazer geladinho.” 

Gourmet ou não, e com todas as dúvidas que pairam sobre o futuro, o rápido crescimento do Le Sacolé deixou o trio entusiasmado. “A gente ficou bastante surpreso com os resultados. Até agora, na prática, tudo saiu muito melhor do que o planejado”, comemora Vitor. 

Mais conteúdo sobre:
Le sacoléVitor Mortara

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.