Clayton de Souza/AE
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Negócio começou na garagem de casa e hoje é a maior rede de franquia especializada em games

Ninguém acreditava na empresa que Marcos Khalil montou e que transformou-se hoje na maior franquia do setor

Gisele Tamamar, Estadão PME,

20 de outubro de 2012 | 09h38

"Isso é moda, vai acabar." Essa foi a frase mais ouvida quando o empresário Marcos Khalil, hoje com 44 anos, resolveu empreender no setor de games. E ele continua ouvindo a afirmativa até hoje, mesmo após 28 anos e sendo dono da maior franquia especializada no assunto. A UZ Games conta hoje com 43 lojas em todo o Brasil.

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O primeiro a entoar o coro de pessimistas foi o próprio pai, dono de uma loja de roupas – a família Khalil sempre atuou no ramo de confecções. “Eu vi os meus primos mais velhos ganharem uma lojinha do ‘papai e da mamãe’ e vi que estava chegando a minha hora. Isso era o mesmo que castigo, queria alguma coisa diferente”, lembrou o empreendedor durante o 3º Encontro Estadão PME.

O interesse pelos games ocorreu quando um primo voltou dos Estados Unidos com um Atari, um dos primeiros videogames do mundo, embaixo do braço. Mesmo com a imagem projetada em preto e branco na televisão, Khalil encantou-se com o equipamento e viu uma oportunidade de empreender.

Começo. O início dos negócios, aos 16 anos, foi na garagem de casa, com a abertura de uma locadora de jogos. Com o pagamento de uma mensalidade, o usuário podia levar os games, mas desde que deixasse outras opções como garantia. “Como um bom árabe, eu exigia alguma coisa como garantia, senão não podia levar”, brincou.

Khalil percebeu então que muitas pessoas não conseguiam comprar o console porque o aparelho era muito caro. O jovem empresário passou, então, a permitir que as pessoas jogassem na própria loja e pagassem por tempo. “Cheguei a ter 20 televisões, tinha fila. E ainda meu pai achava que era moda, que ia acabar”, relatou.

Quando Khalil fez 18 anos, seu pai sofreu um ataque do coração e precisou ficar internado 45 dias. Nesse período, a responsabilidade do comércio de roupas ficou com o empresário. “Abri a loja de game no lugar da loja dele. Eu pensei: ele vai me agradecer quando voltar. Mas quase que ele enfartou de novo”, afirmou o empreendedor.

No começo, o pai não gostou muito da mudança, mas depois – e já em tempo – entendeu o negócio. Isso porque, logo no primeiro fim de semana após o retorno do pai do hospital, Khalil vendeu em dois dias o equivalente ao faturamento obtido pelo comércio de roupas em dezembro. Os números falavam.

Futuro. Nos últimos seis meses, a pergunta que todo mundo faz ao Khalil é um pouco diferente, mas ainda em tom pessimista: ‘o mundo digital vai acabar com a sua rede?’ Khalil responde sempre da mesma maneira. “A loja está lá, se virar tudo digital, mudo meu negócio, mas a ideia é não fazer isso.”

Para ele, mesmo com o avanço da tecnologia, sempre haverá venda física. É o próprio empresário quem explica sua teoria. Segundo ele, é preciso um grupo de 500 pessoas para a produção de um jogo. Ou seja, em muitos casos, é mais caro fazer um game do que um filme, por exemplo. E é mais lucrativo também, segundo o especialista brasileiro.

No caso dos aplicativos para dispositivos móveis, é preciso muitos downloads para cobrir os custos da mesma equipe de desenvolvimento e fazer a conta fechar. Por isso, a solução imposta ao mercado foi deixar os jogos mais simples para o mercado digital enquanto os grandes desenvolvedores continuam a focar seus investimentos em grandes lançamentos para consoles.

Para Khalil, a essência do seu negócio é simples. Comerciante nato, nasceu atrás de um balcão por causa da descendência italiana e portuguesa por parte de mãe e árabe por parte de pai. “Aprendi a vender e comprar. E aproveitei a paixão que eu tenho. Eu jogo muito, meu diferencial é que eu sei fazer muito bem o negócio que eu gosto”, analisou o empreendedor durante o Encontro PME.

Talvez esse tenha sido o principal acerto de Khalil. Ir atrás do seu sonho apesar da desconfiança da família, voltada para o segmento de confecções. Outro ponto interessante na trajetória da UZ Games foi sempre considerar o mercado de usados. As lojas aceitam esses produtos como forma de pagamento na compra de outras mercadorias e depois os revende com desconto para os interessados.

Mas mesmo diante de tanto sucesso, os desafios de Marcos Khalil parecem estar apenas no começo. Um dos diferenciais da UZ Games é manter uma equipe especializada, preparada para atender as necessidades do cliente, e não apenas ler para o consumidor aquilo que está escrito no verso da capinha dos jogos.

Por isso, o empresário terá de manter a qualidade do atendimento, respeitando as características de cada estado brasileiro, quando o projeto de expansão da empresa ganhar mais força. Para conseguir isso, a saída parece ser uma só: investir em treinamento. E no caso da UZ Games, adicionar mais uma dose de otimismo.

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