Werther Santana, Estadão PME
Werther Santana, Estadão PME

Necessidade dá lugar à oportunidade na cabeça do novo empreendedor, dizem especialistas

Para Amisha Miller, da Endeavor, e Thiago de Carvalho, do Insper, cultura do pequeno empresário mudou

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

09 de junho de 2013 | 09h02

A cultura finalmente mudou. Na opinião de dois especialistas no assunto, o empreendedor brasileiro hoje aposta suas fichas em um negócio próprio quando é capaz de enxergar uma oportunidade, não mais pela necessidade de sobreviver.

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Por isso mesmo, Amisha Miller, gerente de pesquisas e políticas públicas da Endeavor, afirma que o cenário atual é muito mais saudável para o País e para os empresários. “Essa mudança de cultura é muito positiva para o Brasil.” No entanto, de acordo com Thiago de Carvalho, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, essa transformação já ocorre no exterior há bastante tempo.

“A discussão de investidor- anjo acontecia há quase 30 anos nos Estados Unidos e por aqui isso se iniciou há cerca de três anos”, explica. “Precisamos identificar o que acontece em outros países para entender se podemos aplicar algo similar por aqui”, completa Carvalho.

Mesmo assim, seja qual for a situação do negócio, um aspecto do empreendedorismo não mudou e nunca vai mudar. Planejar é preciso. E não há uma fórmula pronta para ser seguida à disposição dos interessados. Cada um deve construir seu próprio caminho.

“Sem planejamento fica difícil conseguir dinheiro de investidores, fica difícil vender o seu sonho para clientes e também funcionários”, afirma Amisha. “Porém, não acredito que o planejamento necessite ser feito de uma só vez, ele deve mudar no decorrer do desenvolvimento do negócio”, acrescenta. Na opinião de Thiago de Carvalho, cada empreendedor deve achar o que ele chama de ‘ponto ótimo’ de planejamento.

“Conheço quem planejou por dois anos e quem foi bem mais rápido nesse processo e está à frente, já atuante no mercado que escolheu”, afirma. De acordo com o especialista, pode-se fazer, inclusive, uma analogia com o casamento. Nos dois casos, cada pessoa decide conforme suas convicções pessoais.

Durante a 5ª edição do Encontro Estadão PME, os especialistas identificaram ainda quais são os principais desafios atuais dos empreendedores. Para Thiago de Carvalho, a decisão de abandonar o emprego formal e aventurar-se em um negócio próprio é um deles. O especialista afirma, no entanto, que antes de iniciar uma operação, o interessado precisa ter certeza de sua opção pelo empreendedorismo. “Depois, é preciso entender o que vai mudar na sua vida e como você vai se adaptar e se preparar para isso”, analisa Carvalho.

De acordo com Amisha Miller, outra barreira é obter dinheiro para colocar o sonho em prática. A pesquisadora da Endeavor cita ainda a necessidade do empresário entender quais são as suas verdadeiras competências. “O que ajuda desde o começo é o empresário entender quais são as capacidades que ele tem e as que ele não tem para poder se preparar bem e obter conhecimentos de gestão”, afirma.

E para quem já conquistou seu espaço e colocou a empresa em um patamar à frente da fase inicial, uma boa dica é ficar atento aos riscos que a zona de conforto pode apresentar.

Um deles é não querer crescer. “Ao alcançar determinada situação, alguns empresários ficam satisfeitos com as suas atividades e não pretendem expandi-las, o que pode trazer riscos, pois outros concorrentes podem estar crescendo”, finaliza.

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