Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'Não cobro uma meta. Quero abrir lojas saudáveis', diz presidente da Tip Top

Presidente da Tip Top coloca um pé no freio para superar crise econômica

Daniel Fernandes, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2016 | 07h25

David Bobrow, presidente da rede de artigos infantis Tip Top, tem alguns objetivos definidos atualmente. O primeiro é cortar custos. O segundo, pensar em promoções e buscar a fidelidade do consumidor em um período, que como ele resume, "ninguém quer comprar nada". No comando de uma operação que conta com duas fábricas, sete lojas próprias e 94 franquias, além da marca estar em cerca de 5 mil unidades multimarcas, David sabe que o momento é de respirar fundo e sobreviver à crise. "Eu quero abrir lojas saudáveis. E estamos abrindo menos, eu acho que até o final do ano talvez oito (novas). Se abrir seis, também está ótimo", afirma o executivo. Confira a entrevista concedida ao Estadão pelo executivo, que também dá dicas para o pequeno empreendedor atravessar este momento.

 

Como está sendo esse ano para a Tip Top? Vocês estão conseguindo crescer ou colocaram o pé no freio para manter a operação? Como essa crise econômica afeta vocês?

Obviamente, a crise está complicada. A gente colocou um pé no freio em relação à expansão. A gente está muito, muito mais cauteloso. Obviamente, a gente está recebendo todo tipo de proposta, de tudo quanto é lugar do Brasil, para abrir loja com condições diferenciadas, mas a gente só está topando abrir coisas que a gente acredita muito, que sejam ótimas oportunidades. Nós começamos o ano com uma meta para a expansão, mas é uma meta que eu falo muito com o nosso gerente de expansão que é só para a gente ter um horizonte. Não estamos cobrando uma meta. Eu quero abrir lojas saudáveis. E estamos abrindo menos, eu acho que até o final do ano talvez umas oito lojas, a gente tinha uma meta de 12 a 15, mas se agente abrir oito saudáveis eu estou superfeliz, se a gente abrir seis também está ótimo. Não estamos batendo muito neste ponto.

O que é loja saudável?

É um ponto comercial que a gente acredita muito, muito dificilmente será um shopping novo, a não ser que tenha uma condição espetacular. Um exemplo de shopping novo, que teve no passado e que a gente acreditou muito, foi o shopping que abriu na Paulista. Então, é uma coisa que seja diferenciada. Ou, por exemplo, um shopping que já esteja maturado, com uma condição muito boa, como o Norte Shopping no Rio de Janeiro. Estamos avaliando caso a caso e teve casos em que ofereceram até dinheiro para a gente abrir lojas...

Como se fosse luvas ao contrário...

Exatamente, já chegou a ter casos. Mas a gente está segurando porque não adianta: você vai lá, abre a loja e tem um custo mensal que você tem no mínimo que passar por essa crise e vai perder dinheiro todo mês. Muitas vezes é o franqueado e a gente não está deixando o franqueado abrir a loja.

Quando você fala dessas lojas saudáveis são as próprias ou franquias?

A gente trata franquia e loja própria da mesma forma. Se a gente acredita paa uma loja própria, que não é o foco, o foco é franquia, a gente acredita para franquia. Então, vale para os dois lados. Se eu acho que não é um bom negócio para uma loja própria, sem dúvida nenhuma, não é um bom negócio para uma franquia. Outra coisa que a gente também está avaliando um pouco é quem está abrindo essa loja. A loja do Rio e a loja de Brasília, são franqueados que já estão na rede. Se é um franqueado novo, existe um outro fator que é o risco que eu não conheço a pessoa. Esse ano eu nem estou lembrando alguma loja que não seja já franqueado da rede. Está sendo tudo com quem a gente já conhece.

Quando você acha que essa crise vai melhorar?

Obviamente que é muito difícil você chegar nessa conclusão, mas, como você falou, o fator político ninguém sabe o que vai acontecer. Mesmo que mude o governo a gente nem sabe quais vão ser as novas atitudes do novo governo, se ele vai ter apoio no Congresso, se ele vai fazer as medidas necessárias...mas assim, eu acho que na melhor das hipóteses, final do ano que vem. Vamos dizer, segundo semestre do ano que vem. Começar a melhorar. A única coisa que eu acho que muda um pouco é o simples fato das pessoas acreditarem que tem uma luz no fim do túnel, e eu acho que isso mudaria com um novo governo, obviamente dependendo das atitudes que ele tomar, vide a Argentina: tem muitas ideias, pouco foi feito, mas já mudou a expectativa. Então, eu acho que começa a ter uma melhora gradual e começa a parar de cair. As pessoas sentem a confiança de poder voltar a comprar, de ter dívidas, que no momento ninguém quer nada disso. Mas depois, precisa ver se realmente vai acontecer alguma coisa porque você acredita durante algum tempo.

Vocês estão vendendo nas lojas o mesmo volume do ano passado ou as vendas caíram e o que vocês estão trabalhando especificamente no ponto de vendas para reduzir os efeitos da crise?

A nossa meta até o final do ano é tentar manter o faturamento em valores, em peças vai ser muito difícil. Vai depender muito do segundo semestre, que tem outra grande influência que é o clima, que ainda por cima está o maior calor e todo mundo está com o inverno na loja. Este mês está sendo ruim, mas se fizer frio ele acaba recuperando. A expectativa é que amanhã (quarta-feira) mude o tempo e isso tem uma influência muito grande, tão grande quanto a economia, às vezes até maior.

Nem o tempo ajuda este ano...

Nem o tempo.

E o que fazer na loja?

Tem algumas coisas que podem ser feitas. A gente está trabalhando muito a quesão de custos. Tem que brigar em custos em tudo quanto é lugar para você manter os resultados, então, aqui a gente não para de cortar custos desnecessários; você consegue renegociar a impressora, segurança, nas lojas vale para o aluguel, limpeza, desperdicío de embalagens. Cortar custos ajuda e muito manter o resultado, dá o fôlego para a gente e para os nossos franqueados. 

E isso acaba sendo uma dica para quem tem uma loja pequena?

Tem que estar enxuto, não dá para dizer: 'isso não faz diferença'. Tudo faz diferença. Para uma empresa maior, os valores (economizados) acabam sendo maiores. Tem que trabalhar e cortar custos, sempre tem onde cortar. A gente fez um trabalho monstro e por isso que a gente está numa situação 'ok'. Por outro lado, eu acho que é a hora de você cativar, cada vez mais, o cliente. Programas de fidelidade são muito importantes, estamos trazendo ele (consumidor) de novo na loja, promoções de formas diferentes, então, a gente está ajudando o franqueado para ele ter algum brinde para ele dar ao consumidor final, usando coisas que tem no estoque para fazer uma promoção para o franqueado poder vender num preço melhor. A verdade, é que ninguém quer comprar nada, então, você tem que trazer alguma coisa diferente para o cliente entrar na sua loja especificamente. E é o que a gente está focando muito. Todo mês a gente tenta fazer uma campanha nova, alguma coisa diferente, sair do normal e se adaptar ao momento atual para trazer esse cliente para dentro da nossa loja.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.