Paula Tieme
Tatiana Machado destaca a busca pela estética Paula Tieme

Na odontologia, aumenta busca por estética

Franquias aproveitam nicho para ampliar negócio e área de atuação

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

As franquias de serviços odontológicos estão em alta. Vanessa Bretas, da Associação Brasileira de Franchising (ABF), atribui o crescimento a uma maior preocupação da população com a estética.

A dentista Tatiana Machado, dona de três unidades da Sorridents na capital paulista, concorda. Se antes esses serviços eram procurados apenas em momentos mais extremos, agora, a intenção, em grande parte das vezes, é deixar os sorrisos mais bonito.

“Os tratamentos, hoje, estão mais voltados à estética do que contra a dor”, afirma.

Tatiana abriu a primeira unidade da franquia há quinze anos. A identificação que acabou desenvolvendo com os serviços de estética levou a profissional a abrir uma unidade da GiOlaser, que é parte do mesmo grupo que controla a Sorridents. A rede prevê, para dezembro, o lançamento de um aplicativo que permitirá consultas virtuais.

Pelo mecanismo, será possível que o paciente tenha uma câmera intraoral com conexão ao aplicativo. Com isso, haverá um canal de comunicação entre o cliente e o dentista. A franquia informa que o projeto está em processo de patente.

Franquias de serviços odontológicos de estética ganharam um incentivo a mais em fevereiro. Uma resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) agora reconhece a “harmonização orofacial” como uma especialidade dos dentistas. A resolução permite aos odontologistas trabalharem com procedimentos com a toxina botulínica e preenchedores faciais na região “orofacial”. O objetivo é integrar estética do rosto com a boca.

A Odontocompany, rede de franquias do dentista Paulo Zahar, está entre as beneficiadas. “Hoje, aproximadamente 26% do nosso faturamento vem de estética”, afirma Zahar. “É um número expressivo e continua crescendo.”

A rede tem um contrato com a Alergan, empresa detentora da marca Botox. Como são especialistas nos aspectos faciais, os dentistas podem realizar esse tipo de procedimento estético.

Entre outros serviços que são oferecidos em franquias deste tipo, estão as chamadas lentes de contato odontológicas, alinhamentos dentários, clareamentos e preenchedores.

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Os cuidados na hora de comprar uma franquia

Momento é de depuração do mercado e operações mal estruturadas não sobreviverão

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O sonho de ser dono do seu próprio negócio permeia a cabeça de muitos brasileiros. Em épocas de crise, é comum que setores tidos como mais estáveis, como o de franquias, apareçam como alternativas seguras para investimentos. No entanto, é preciso estar atento para algumas particularidades do segmento.

Para Marcus Rizzo, consultor e proprietário da Rizzo Franchise, o setor permanecerá crescendo. Porém, alerta: “Hoje, passamos por um processo de depuração. As operações mal estruturadas estão desaparecendo do mercado pela diminuição do consumo.”

Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria, diz que houve um aumento do fechamento de franquias nos últimos anos, em decorrência das microfranquias.

“Por serem franquias muito baratas, muitos dos franqueadores não se preparam de forma plena para atender a rede de franquias, e o perfil dos franqueados muitas vezes também é de pessoas mal preparadas. Isso é algo que eu acho que o sistema tem que estar atento”, afirma Ancona.

Por outro lado, ele vê postitivamente o crescimento do número de multifranqueados, sejam eles multimarcas ou dentro de um mesmo setor. Para o consultor, isso simboliza a entrada no sistema de empresários que querem criar suas próprias redes de negócios, além de grupos de investidores, o que agregaria profissionalismo para as marcas e para o próprio segmento.

 

Dicas e cuidados:

 

Investimento: Quanto dinheiro você tem disponível para investir? É essencial ter o capital necessário para isso. Não acredite que você conseguirá depois. Não comece um negócio endividado

Familiaridade: Perceba se trabalhar com determinada franquia é, realmente, o que você deseja fazer. Partir para um negócio só com a expectativa de retorno financeiro pode não dar certo

Modismos: Não entre nos modismos (paletas mexicanas, cupcakes, gelateria, por exemplo), mas busque franquias com resultados sustentáveis. Pense que, pelo menos nos próximos dez anos, você trabalhará com isso todo dia

Investigação: Não se deixe enganar pelo discurso do mercado, que deseja vender a qualquer custo. Investigar antes de investir é essencial. Desconfie dos intermediários (corretores). Eles são movidos pelas comissões de venda da franquia 

Treinamento: Pergunte sobre qual treinamento e suporte serão oferecidos. Você receberá instruções detalhadas e treinamento prático? Quais os manuais e outros materiais que você terá à sua disposição?

Circular de Oferta de Franquia: Exija a Circular de Oferta de Franquia (COF) e verifique nele a lista de todos os franqueados em operação e a lista de todos os que encerraram atividade no último ano

Converse: Analise as informações presentes na COF e converse com três a seis franqueados para checar se as informações presentes nela são verídicas

Veja os números: Olhe as planilhas de previsão de resultados (DREs - Demonstrativos de Resultados de Exercícios) e veja se os números são factíveis e se existe dinheiro para fluxo de caixa

 

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Segmento automotivo em alta

Crescimento vem no embalo do aumento das vendas de automóveis

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Depois de visitar uma feira de franquias em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Ian Kimura começou decidiu iniciar um negócio com a franquia Acquazero, que presta serviços de limpeza e reparos a automóveis com práticas ecologicamente sustentáveis.

No começo, realizava serviços de limpeza na casa do cliente. Hoje, já é dono de quatro pontos da franquia. Um deles fica localizado em um prédio na Marginal Pinheiros.

“Do enorme número de carros que temos nas ruas, é preciso uma quantidade muito pequena para fazer com que dê certo”, comenta.

Kimura é franqueado de um segmento que tem crescido. Os serviços automotivos, com o aumento das vendas da indústria automobilística em 11,4% – de acordo com a Fenabrave – em relação ao mesmo trimestre do ano passado, teve o segundo melhor desempenho no setor de franquias, com 12,7% de crescimento no faturamento no primeiro trimestre quando observado o mesmo período do ano passado. Os serviços, como um todo, cresceram 9,6%.

Para isso, Kimura tem uma explicação . Segundo ele, cada vez mais pessoas se preocupam em consumir serviços que tenham preocupação com o meio ambiente. “O aspecto ecológico também ajuda bastante”, ele conta. Como o negócio cresceu, o empresário agora se concentra na parte administrativa.

Mas, os aprendizados de quando dava os primeiros passos são, agora, orientações para os seus funcionários. “Eu tentava atender do jeito que eu gostava de ser atendido”, explica. Além disso, Kimura ressalta que é necessário praticar a empatia com o cliente. “Às vezes o cara quer conversar sobre o carro dele e você tem que ter tempo para isso.”

O consultor do Sebrae de São Paulo, Leandro Perez afirma que, para dar certo, uma franquia de serviços precisa contar com a boa vontade do dono nos dois lados: atendimento e gestão. “É trabalhar com pessoas. Vale desde a escola de inglês, exemplo clássico de franquia, até uma seguradora”, comenta o especialista.

Ele conta que não é uma boa ideia pensar que os lucros virão no modo automático. É preciso boa vontade na hora de prover os serviços e também no atendimento. Nas palavras de Perez, comprar uma franquia não tira o dever de fazer o necessário para o negócio acontecer.

Um conselho de Kimura vale para qualquer negócio, mas quem pensa em fidelizar os clientes não pode esquecer. “Não gosto de iludir ou de mentir. Sempre gostei da relação de confiança.”

Outros serviços. Entre os demais setores que registraram bons números estão os de Comunicação, Informática e Eletrônicos; Serviços e Outros Negócios, com aumento de 9,7% e 9,6% em seu faturamento, respectivamente.

“Existem duas razões para que os serviços tenham crescido em grandes centros urbanos: o aspecto de segurança e a dificuldade no trânsito. E a tendência é o setor de serviços aumentar o delivery de maneira geral”, analisa Marcus Rizzo, consultor e proprietário da Rizzo Franchise.

 

A importância de uma boa gestão

Diego Dalia e o sócio Bernardo Saboia são donos de seis unidades da Arranjos Express, franquia de serviços de alfaiataria, em São Paulo. A primeira unidade, adquirida em 2017, já funcionava antes e precisou de mudanças. “Havia uma visão tradicional na relação com os funcionários”, conta Dalia. Reorganizaram as rotinas de trabalho e as relações com os clientes.

Esse é um exemplo de que as franquias de serviços são as que mais precisam de boa gestão. “Não necessariamente um serviço ruim é culpa da franquia. Muitas vezes, é problema de gestão em uma unidade específica”, afirma o conselheiro do Sebrae de São Paulo Leandro Perez.

 

Para melhorar a performance, os dois sócios encontraram uma forma de atrair indicações de lojistas. Quando há necessidade de ajustes a uma roupa no momento da compra, costureiras da equipe vão à loja fazer ajustes. “Fizemos com que os lojistas nos vissem como parceiros”, explica Dalia.

Perez aconselha o investidor a se colocar na posição do cliente da franquia que pretende abrir. “Contrate o serviço e veja se tudo que é prometido acontece na ponta.”

O franqueado da 5àsec Alexandre Saidel conta que, ao abrir um negócio em franquias, o empreendedor vai ter acesso ao treinamento da marca para gestão do negócio. “Somos capazes de operar uma loja, de operar o sistema. A gente adquire esse conhecimento."

Mas ele observa que, se um cliente pede um tipo de serviço e não é atendido da forma adequada, haverá frustração e o risco é de perder o cliente. “Quando situações assim acontecem, temos que trabalhar erros de comunicação dentro da empresa”, comenta. "Mas, é bom lembrar que o franqueado não está sozinho nessa. “A própria franqueadora tem que se preocupar com o nome dela que está entrando na casa de outras pessoas”, diz Perez.

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Entrevista: 'O desafio de se tornar versátil'

Para Ana Vecchi, especialista em franchising, adaptar a mentalidade tradicional das empresas para uma gestão mais dinâmica e colaborativa é o objetivo

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Uma economia dinâmica pede por empresas igualmente versáteis. É isto que a consultora e especialista em franchising, Ana Vecchi, afirma ser o maior desafio para as empresas de franquia em 2019: adaptar a mentalidade tradicional do setor para mudanças mais ágeis e criar uma cultura de gestão mais colaborativa, envolvendo os franqueados nas decisões das redes.

Nesta entrevista, ela também trata das tendências dos setores, de microfanquias e do crescimento de multifranqueados.

Quais são as tendências, de uma maneira geral, para o setor de franquias neste ano? 

Definir uma nova cultura no modelo de gestão é o principal desafio, até mais do que mudança de equipamentos e de fornecedores. Na nova economia, assimétrica e disruptiva, a tecnologia vem possibilitando um crescimento exponencial, portanto é preciso haver um novo mindset (mentalidade) entre franqueador e franqueados. Esta é a realidade das startups. Fazer isso sem invadir territórios anteriormente definidos, sem ferir contratos de franquia já assinados; não ocorre da noite para o dia, mas não é impossível.

Outra tendência é que o setor de serviços deva crescer mais por ainda ser um segmento que favorece os investimentos, por não demandar grandes estoques e por ainda existir a necessidade de bons prestadores de serviços. 

O setor de alimentação também deve ampliar sua forma de atuação com fast-food casual e franquias de minicentros de distribuição com foco em delivery, por exemplo.

 

Na última pesquisa da ABF, o setor de construção apresentou crescimento de 12,9% no 1º trimestre de 2019 . O que pode ter ocasionado isso? 

Acredito ter sido, num primeiro momento, o ânimo em função de mudança de governo com o mercado reagindo positivamente, consumindo mais que nos anos anteriores. Há uma infinidade de lançamentos de empreendimentos, com os investidores apostando que esta mudança se sustente por mais tempo, melhorando ainda mais com a reforma da previdência.

O consumidor final estava carente de ser cuidado e investiu em reformas, coisas para casa. Os serviços de manutenção e limpeza estão com mercado mais aquecido também pela percepção das corporações em gestão preventiva no que tange à manutenção elétrica, hidráulica, de ar condicionados, etc. O que estava adormecido, por falta de esperança no reaquecimento da economia, parece ter despertado. Vamos ver por quanto tempo.

Há um tendência de crescimento do número de multifranqueados? Isso é algo benéfico para o segmento de franquias?

Na verdade, não é mais uma tendência, mas já acontece há anos. É uma ótima opção para ambos os lados – franqueados e franqueadores. Tendo regras e limites claros, questões de sigilo, análise de perfil de quem vai assumir mais unidades e, criando a estrutura para administrar vários negócios de diferentes setores, tudo bem. Setores distintos não concorrem e do mesmo setor somam conhecimento. Quem não adoraria ter um franqueado com todas as marcas de uma praça de alimentação, operando com excelência todas elas e com capacidade de lidar com os clientes conforme o dia, a promoção e o perfil do shopping?

As microfranquias são associadas à falta de profissionalismo e de estrutura. Isso ainda é verdade?

As microfranquias passaram por isso que você disse. Houve uma quebradeira feia, que prejudicou muitos franqueados, mas houve também um saneamento de mercado, franqueados que compraram franqueadoras. O modelo evoluiu, assim como seus gestores, e há um comitê de microfranquias, que estuda e estrutura a forma de atuação das empresas associadas à ABF.

O que tem ocorrido é a adequação dos modelos de negócios franqueados, nos últimos anos, em função da recessão, o que possibilitou o crescimento de microfranquias com franqueadoras mais estruturadas e profissionalizadas.

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