Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Móveis de luxo conquistam espaço no País

Fabricante do Sul prevê expansão de 20% neste ano e pretende abrir mais 10 lojas e até unidades no exterior

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

27 de setembro de 2013 | 15h59

O mercado de fabricantes de móveis cresceu bastante nos últimos cinco anos, embora em 2013 ele deva manter-se estável. Por isso, os empreendimentos que apostaram no segmento premium não têm do que reclamar. E a situação da Saccaro, com sede na cidade de Caxias do Sul, indica que o setor de alta decoração está realmente aquecido no País – a empresa prevê para este ano crescer 20% em relação a 2012 e deve faturar de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões.

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“Esse crescimento será devido a nossa preparação para enfrentar um momento em que o mercado não está receptivo. Investimos em treinamento, publicidade, suporte mercadológico e qualidade”, analisa o diretor comercial da marca, João Saccaro. As exportações também devem aumentar 20%.

A fabricante gaúcha tem 21 franquias no Brasil, unidades na Bolívia, México e Estados Unidos e tem planos de expandir – a expectativa é inaugurar 10 lojas no País até o final de 2014, além de estabelecimentos na Venezuela, Panamá e Guatemala. A Saccaro fabrica 80% dos seus produtos – de sete mil a oito mil unidades por mês.

O restante é importado ou terceirizado. Seu portfólio tem mais de 800 itens. “Todos são assinados por designers renomados”, garante Saccaro. “Nosso produto não é somente um item de mobiliário e a marca não é apenas mais uma. A Saccaro é uma identidade, buscamos espelhar os valores e a personalidade das pessoas e da marca em cada criação”, analisa.

Aposta. Cecilia Dale, dona de uma rede de 10 lojas de móveis e decoração que leva o seu nome, afirma que “os móveis premium têm grande participação nos seus negócios”. Especialista no mercado, ela acredita que o bom momento do segmento também tem a ver com uma mudança de postura do consumidor. Segundo ela, as pessoas têm mais condições atualmente de investir em produtos especiais. “O número de apartamentos com varandas gourmet e cozinhas ‘masculinas’, por exemplo, vem aumentando”, explica.

Segundo a empreendedora, os consumidores atualmente têm o desejo de decorar espaços como esses de forma diferenciada. E apesar de empresas já consolidadas, Cecilia acredita que ainda há oportunidades para empreender. “O mercado é como um muro grande. Você tem que descobrir um buraquinho para entrar”, sugere.

Oportunidade. Mauricio Queiroz, que atua com design de pontos de vendas, concorda com a empresária. Para ele, o mercado não está saturado e tem potencial para crescer. Segundo, ele, comparando com 10 anos atrás, as porta estão abertas para marcas brasileiras. “Nosso design é muito mais valorizado hoje”, afirma.

Existem atualmente 17,5 mil empresas brasileiras formais atuando no setor, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). E o desempenho desses empreendimentos não decepciona. O faturamento saltou de R$ 24,2 bilhões, em 2008, para R$ 38,7 bilhões em 2012 – crescimento de quase 60% levando-se em conta apenas o desempenho das indústrias e, portanto, descartando as vendas das lojas especializadas. Para 2013, entretanto, a situação do mercado não é das mais animadoras. Segundo a Abimóvel, o crescimento não deve ultrapassar 2%.

PARA EMPREENDER

Levar em conta alguns aspectos característicos desse mercado pode auxiliar as empresas na busca por mais consumidores.

Lupa

No caso das marcas que comercializam produtos com alto padrão é recomendado considerar que na maioria

das vezes os itens vão ser avaliados e escolhidos por especialistas, decoradores e arquitetos, que auxiliam

seus clientes nos projetos.

Preço

Em lojas em que os clientes geralmente vão escolher seus produtos sem o auxílio de um especialista, é indicado que a exposição de móveis seja bem ampla e didática; isso faz com que o consumidor encontre

o que deseja. O preço é importante nesse negócio.

Análise

Existem clientes que estão um passo à frente, entendem de decoração mais do que os consumidores em geral –

estão montando a segunda ou terceira casa; eles quase sempre buscam a marca, o design, a história, o valor

agregado nos produtos.

3 em 1

Fabricantes de móveis de alto valor agregado devem levar em conta que alguns clientes, como os hotéis em geral, precisam resolver três questões de uma só vez. Não adianta só ser bonito, o móvel tem que ter funcionalidade, durabilidade e ser original.

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