Bruna e Carolina planejam faturar até R$ 20 milhões
Bruna e Carolina planejam faturar até R$ 20 milhões

Moda básica tem espaço para novas empresas

Sites especializados em peças mais simples e de qualidade experimentam bons resultados e miram ações no mundo offline

Gisele Tamamar, O Estado de S. Paulo,

30 de abril de 2015 | 07h02

Em um mercado onde os grandes magazines investem no ‘fast fashion’ com coleções com as principais tendências da moda, duas pequenas lojas virtuais optaram por seguir o caminho contrário e apostam na moda básica, com peças sem estampas e matéria-prima de qualidade. A proposta é fazer ‘roupa para durar’ e o modelo de negócio tem dado certo a ponto das marcas já começarem a desenvolver estratégias de crescimento.

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O site basico.com foi lançado em julho de 2013 pela estilista Dedé Bevilaqua. Sua carreira começou em uma alfaiataria, passou por diversas marcas até ela ter seu próprio ateliê, focado em peças mais complexas. O nascimento da filha e a oportunidade de criar um negócio com a ajuda de um fundo de investimento levaram a estilista a modificar suas criações.

Para Dedé Bevilaqua, criar o básico é um processo mais difícil porque ele não aceita disfarces e artifícios. É preciso estar tudo tecnicamente perfeito. “Peças com mais detalhes e modelagens arquitetônicas têm essa dinâmica de disfarce com estampas, aplicações e bordados”, revela a empreendedora. “No básico não há disfarces. Qualquer erro fica nítido. Foi desafiador criar uma modelagem inteligente que servisse para todo o tipo de publico”, complementa a estilista.

Entre dezembro e janeiro, o e-commerce colocou à disposição do público uma pop up store, que ficou dentro da loja Choix, em São Paulo. O resultado das vendas evidenciou a necessidade da marca abrir um ponto físico, que deve ser inaugurado ainda este ano, quando a marca quer atingir um faturamento de R$ 5 milhões – a empresa contabilizou R$ 1 milhão em 2014.

Para chegar a esse valor, a empresa vai acelerar o investimento em marketing e ampliar o número de lançamentos. “A marca tem a ver com as tendências de comportamento, de um consumo mais consciente, de investir em coisas que vão durar”, afirma a diretora de marketing Diana Joppert.

Já a marca MyBasic foi criada em 2012 pelas amigas Carolina Pucci e Bruna Motta, que enxergaram uma oportunidade para vender roupas básicas com qualidade. Desde a criação, com aporte financeiro de R$ 500 mil, o negócio ganhou investidores, cresce ano a ano e prevê faturar R$ 20 milhões até 2020. O negócio planeja novas ações, o que inclui um ‘contato com o mundo offline’.

Atualmente, a marca vende apenas um linha feminina, mas não descarta outros públicos. “Existem muitos mercados. O básico é um conceito amplo. A área de criação tem mais ideias do que conseguimos implementar”, diz Carolina. A marca vende blusas que custam R$ 59 e até jaquetas de R$ 300.

Na avaliação do stylist e coordenador da Faculdade Santa Marcelina, Marcio Banfi, o básico nunca vai sair de moda. O desafio é oferecer ferramentas para o consumidor comprar a peça do tamanho certo e evitar as trocas e, com isso, os gastos com a logística reversa. “As marcas precisam ter algum tipo de diferencial mesmo dentro do conceito básico e a qualidade é um deles”, analisou.

Apesar da situação econômica do País ser desfavorável, o setor de moda segue em crescimento e não sofre impacto tão drástico no que se refere ao desempenho de vendas. Pelo menos, essa é a avaliação do presidente da Associação Brasileira de Estilistas (Abest), Roberto Davidowicz. E a última edição da São Paulo Fashion Week, realizada recentemente, reforçou esse cenário de otimismo.

“Foi uma semana bastante positiva para a moda e mostrou que é um setor que vem se especializando há muito tempo. E nem tem como ser diferente. A cada seis meses as marcas são obrigadas a se reinventar e para chegar a esse nível de trabalho é preciso muita profissionalização. É um setor extremamente dinâmico”, avalia.

Para o presidente da Abest, é claro que o setor sofre com a retração da economia, mas os impactos são menores. “Mesmo em um momento econômico mais difícil, a moda consegue realizar a venda por se tratar de um produto que satisfaz o consumidor. Talvez produtos de valores maiores podem sofrer um impacto maior, mas o consumidor precisa se satisfazer de alguma forma e a roupa se encaixa nesse momento”, afirma o especialista.

Para quem pretende investir no setor, Davidowicz destaca que é preciso ter agilidade. “Todos os negócios têm suas características. E o nosso mercado é de um dinamismo que te envolve de um jeito pelo bem e também para o mal. Tem uma energia incrível, mas demanda um esforço próprio e do time”, analisa o empresário, que também é atualmente sócio da marca UMA.

Exterior. Durante o ano passado, as marcas associadas da Abest exportaram ao todo US$ 11,35 milhões. Apenas nos itens de moda praia, uma das forças do País, o crescimento foi de 17,5% em comparação com 2013. O presidente da Abest ressalta, entretanto, que esse movimento não pode ser motivado apenas pela alta do dólar e deve ser, sim, um passo planejado do empresário. “A valorização do dólar faz com que esse projeto tenha mais chance de ganhar mercado”, diz Roberto Davidowicz.

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