Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Minimercados de autoatendimento em condomínios viram filão e puxam startups

Modelo de ‘honest market’, sem atendente, cresce na pandemia em condomínios residenciais e levam startups a parcerias até com construtoras fora do País

Bianca Zanatta, Especial para o Estadão

24 de abril de 2021 | 14h00

Chamar o elevador, descer até o térreo, entrar na loja de conveniência instalada no condomínio para pegar os itens que estão faltando na despensa, pagar pelo aplicativo e subir com a sacola abastecida. Esse jeito de fazer compras virou rotina para muitos moradores de condomínios na pandemia. Se antes os minimercados que operam no modelo de “honest market” (baseado na confiança no cliente, sem atendentes) eram raridade em condomínios residenciais, agora os prédios são o grande responsável pelo boom desses negócios.

Segundo Rodrigo Colás, sócio da pioneira Smart Break, o negócio pivotou com a chegada da pandemia. “Antes nossas lojas ficavam nas empresas e a gente ainda estava engatinhando com só uma loja em condomínio residencial”, relata. Quando as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, a procura dos condomínios residenciais foi imediata e a solução foi contratar um arquiteto especializado em varejo para desenhar um modelo de estande que atendesse à demanda.

Construídas com madeira reflorestada, as lojas são 100% operadas pela startup, que fez também uma parceria com a Green Mining para coletar todo o vidro consumido e devolver à Ambev, fortalecendo a economia circular.

Com um mix de 500 produtos e 150 unidades instaladas em São Paulo, que atendem a mais de 60 mil usuários, a startup prevê faturar R$ 7 milhões até o final de 2021 e ter 1,5 mil lojas até 2024, somente na capital paulista. Para expandir para todo o Brasil, eles acabam de criar também um modelo de franquia.

“A ideia surgiu no ano passado, quando recebemos cinco ligações na mesma semana de pessoas interessadas em franquear a marca”, conta Colás, segundo quem há três anos, quando começaram, era difícil explicar o modelo do negócio. Hoje, diz, a aceitação é quase de 100%.

O investimento inicial é de R$ 200 mil e cada franqueado pode abrir 30 lojas ou mais, com a previsão de retorno em 18 meses. “Todos os prédios que a gente procura querem ter um minimercado porque o custo é zero, a gente banca toda a infra-estrutura e o prédio ainda recebe uma renda mensal para reinvestir no condomínio”, explica.

Agora, ele está fechando parcerias também com construtoras e incorporadoras para que os empreendimentos já nasçam com uma unidade Smart Break. “Em três anos, acreditamos que não vai ter um prédio no Brasil sem minimercado. É uma mudança no comportamento do consumidor.”

Expansão na periferia e no exterior

Outra empresa que decolou na pandemia é a Onii, startup de lojas de conveniência sob medida com sistema de autoatendimento 100% digital. Hoje com 200 unidades e abrindo de 20 a 30 novas lojas por mês, a previsão é fechar 2021 com uma operação duas vezes maior. 

O pulo do gato, segundo o sócio Ricardo Podval, foi a parceria com grandes construtoras como Vitacon, Housi, Cyrela e MRV, que possibilitou expandir para outros países em que algumas delas atuam (Portugal, Chile e Estados Unidos). 

“A estratégia está no cobranding”, diz o empresário, contando que o crescimento foi de 100% nos primeiros meses de 2021. “Até março, já tínhamos atingido o faturamento total do ano passado, que foi de R$ 2,5 milhões”, ele comemora. A previsão é bater R$ 12 milhões até o final do ano.

Com um mix que tem também a premissa de ajudar empreendedores locais, composto de 20% de produtos orgânicos, pães caseiros e outros itens artesanais, a Onii também pretende entrar com força nas periferias das principais cidades brasileiras. 

No final de março, a startup lançou o braço corporativo eegloo, em parceria com o grupo G10 das Favelas e a ONG Turma do Jiló, para criação de novos negócios, renda e postos de trabalho em comunidades vulneráveis. O foco é o empreendedorismo social e o primeiro local a receber o eegloo vai ser a favela de Paraisópolis, em São Paulo.

De acordo com Podval, as lojas eegloo serão também pontos de treinamento para capacitar os empreendedores selecionados, que se tornarão licenciados da marca. O faturamento será dividido entre o empreendedor, os dois grupos parceiros e a Onii – que receberá apenas o valor necessário para arcar com os custos de tecnologia e operação. 

“Vamos começar por São Paulo, mas o eegloo deve estar presente em comunidades das principais grandes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Queremos chegar a 500 lojas até o fim do ano”, diz Podval.

Negócios da pandemia

Nascida no início do ano passado, a Market4u já estava presente em 20 cidades brasileiras e com 60 mil clientes ativos em setembro. No final de 2020, tinha expandido sua atuação para 41 cidades em 16 Estados e passado de 100 a 812 unidades instaladas. Com faturamento de R$ 20 milhões em seu primeiro ano de vida, a startup conta agora com 92 mil clientes ativos.

Já a VendPerto, que instala seus minimercados em espaços ociosos dos condomínios, operava desde 2018 com vending machines e tinha acabado de estruturar o modelo de minimercado quando chegou a pandemia. O faturamento cresceu mais de 1.200% em 2020. Para o diretor de marketing e novos negócios Davi Silvestre, um dos motivos foi que os condomínios melhoraram o processo de aprovação de diferentes iniciativas desde o início do isolamento social.

O mix de produtos é o core business da empresa. “Analisamos a performance de vendas de cada condomínio diariamente, tudo isso casado com os lançamentos e promoções que trazemos todos os dias aos condôminos”, afirma Silvestre.

Presente em todas as cidades da Grande São Paulo, eles já superaram o faturamento de 2020 no primeiro trimestre deste ano. A expectativa agora é, depois de se consolidar em todo o Estado paulista, chegar a todas as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes em 2022.

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