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Mineiro migrou para o Pará e fatura R$ 180 mil

O dentista Alisson Cordeiro deixou Belo Horizonte em busca de regiões com menos concorrência

Marcelo Osakabe - O Estado de S. Paulo,

30 de outubro de 2014 | 07h01

O dentista Alisson Cordeiro saiu há oito anos de Minas Gerais para tentar a vida em Paragominas, cidade de 103 mil habitantes no sudeste do Pará. Uma mudança radical, que ele confessa ter sido motivada por pura necessidade. “Cheguei à cidade devendo dinheiro. Até para me mudar tive que pegar (dinheiro) emprestado”, afirma. 

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O mineiro tentou durante cinco anos se estabelecer na região metropolitana de Belo Horizonte, até concluir que a concorrência era sufocante. “Conheci o Pará quando meu pai se mudou para cá. Estavam começando um projeto de mineração na região”, ele diz. Na época, foi o suficiente para tomar a decisão.

Alisson comanda hoje duas clínicas odontológicas, uma em Paragominas e outra em Imperatriz (MA), distante 620 quilômetros. Nas duas unidades, faz cerca de 1.800 atendimentos por mês e têm um faturamento, também mensal, de R$ 180 mil. Apesar de a migração ter sido claramente vantajosa, Cordeiro entende o receio de alguns em tomar a mesma atitude. “Mas as coisas não estão mais difíceis como antes. Hoje tem avião, shopping no interior, hospital. Os insumos a gente compra pela internet. Vale a pena fazer essa transição”, afirma. 

Apenas em Imperatriz, dois novos shoppings foram erguidos desde que Cordeiro abriu sua clínica em 2011. O movimento dos centros comerciais mostra a importância do interior para os grandes varejistas. Dados da Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce) mostram que apenas um terço dos 50 novos lançamentos até o fim 2015 serão em capitais (ver na arte acima). Com eles, vem também as franquias. “A interiorização do franchising brasileiro é uma diretiva nossa desde 2012”, afirma Cristina Franco, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Para ela, as redes sociais aumentaram o poder de penetração das marcas, tornando a entrada delas mais fácil nesses lugares. “A presença de uma marca em determinada região se torna motivo de orgulho”, diz.

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Ela ressalta, entretanto, que algumas empresas privilegiarão o franqueado local nesses lugares. “Vir de fora é mais complicado, porque é preciso conhecer o lugar, seus usos e costumes. Fazer esse migração pode aumentar a taxa de risco do negócio”, afirma.

Quem aproveitou o momento para abrir uma franquia foi empresário Fausto Goulart. Morador de Catalão (GO), a 261 quilômetros de Goiânia. Ele decidiu aproveitar o grande influxo de trabalhadores e executivos que chegam à cidade motivada por novas unidades fabris e montou uma unidade da lavanderia 5àSec. “Há dez anos, havia apenas mineração e agricultura aqui. Com a chegada de uma montadora de automóveis e uma fabricante de tratores, aumentou muito essa população flutuante”, afirma. Fausto abriu sua loja em agosto e afirma que 60% do movimento é de consumidores locais. “Quem é daqui não tem esse costume de lavar roupa fora. Fizemos algumas campanhas de TV para fazer o pessoal conhecer a marca.” 

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