Helcio Nagamine/Estadão
Helcio Nagamine/Estadão

Microcursos no Whatsapp são mote de negócio social para ajudar empresas na agenda ESG

E-learning com 12 aulas em vídeo passam por temas como crise climática, racismo e saúde mental; empresas podem monitorar engajamento de funcionários de todos os níveis hierárquicos

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2022 | 05h03

Com o avanço do ESG (sigla em inglês para princípios ambiental, social e de governança) nas empresas brasileiras, principalmente durante a pandemia, assuntos como diversidade, sustentabilidade e saúde mental entraram na agenda das companhias. Passou a ser desafio do mundo corporativo que o conhecimento de temas muitas vezes complexos vençam as barreiras da alta liderança e cheguem a toda a cadeia de funcionários. O mote se tornou o novo modelo de negócios da consultoria Suindara Radar e Rede, que criou um programa de microcursos para capacitar profissionais por Whatsapp.

O e-learning MAPA, que tem lançamento previsto para a próxima segunda-feira, 21, é um conjunto de 12 aulas em vídeo que se dividem em cinco subtemas: contexto de mundo, diversidade, conexão com a natureza, propósito e futuro desejável. A proposta mira as empresas que pretendem capacitar os seus funcionários em assuntos como racismo e branquitude, crise climática, rede de afeto e economia circular.

“O nosso principal desafio é falar de temas complexos de forma simples, assertiva e rápida, sem ser superficial. Precisamos também falar com todos os níveis hierárquicos, porque muitas vezes as pautas ficam restritas às altas lideranças. Elas precisam estar por dentro desses temas, porque são decisores, mas não só elas. Se precisamos de impacto em escala, precisamos avançar em todos os níveis hierárquicos”, explica Renata Sbardelini, fundadora da consultoria.

A escolha pelos temas aconteceu a partir de um laboratório social que a empresa fez em 2019, com o patrocínio da Natura. Durante cinco dias, 37 lideranças – de diferentes faixas etárias, raça, gênero e área de atuação – participaram de atividades para questionar quais são os valores femininos e masculinos no século 21.

Os assuntos estão em consonância com a preocupação das organizações para 2022. Segundo um estudo feito pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), 95% das empresas brasileiras têm o tema de ESG como prioridade em suas agendas corporativas. 

“O laboratório serviu para captar faíscas do futuro. Sem a gente saber, ele preparou as pessoas tanto nas relações pessoais quanto para a tomada de decisão diante de pautas que ganharam muita força na pandemia”, conta Renata. “Nós partimos da afirmação de que não é que o mundo não vai mudar, ele já mudou. Existe um futuro desejável e a gente tem que escolher em qual futuro queremos viver”. 

Conteúdos pequenos e prazo curto

A empresa apostou no microlearning, modelo de aprendizagem que se baseia em conteúdos pequenos e em curto prazo. No caso  do e-learning MAPA, são 12 semanas. Na prática, os colaboradores recebem o conteúdo, que começa com vídeos entre 3 a 5 minutos, no próprio aplicativo do Whatsapp. 

“As aulas são dadas por especialistas em cada tema, porque, hoje, não existe mais possibilidade de fazer voz sem ser em primeira pessoa”, conta Renata. 

Após completar as aulas, os alunos continuam em uma trilha de conhecimento e reforço de aprendizado: há atividades de múltipla escolha sobre os conceitos aprendidos, cards com resumos da aula e dicas práticas do que ele pode fazer sobre o assunto. A plataforma também oferece uma biblioteca virtual, com curadoria de conteúdo extra, como séries, livros, vídeos e pessoas para seguir nas redes sociais. Todas as etapas são feitas pelo Whatsapp.

“O nosso maior desafio foi a linguagem. São temas que muitas vezes parecem distantes e fomos limpando as arestas para que eles fiquem próximos. Fizemos grupos focais com altas lideranças, vendedores, manicures, profissionais do chão de fábrica, garçons, pessoas variadas, para ter a certeza de que os temas estavam sendo bem compreendidos”, conta Renata. 

Uma das preocupações da consultoria durante a criação do curso foi criar um espaço seguro de didatismo. Por serem temas muitas vezes carregados de estereótipos, preconceitos e vieses inconscientes, é comum que quem está aprendendo tenha receio de errar ou de parecer ignorante. Para isso, a plataforma também oferece opção de tutores, que respondem, também no Whatsapp, as dúvidas sobre os temas das aulas. 

Ao fim do processo, a empresa recebe um relatório analítico para acompanhar dados de engajamento e aprendizado dos funcionários. “Esse diagnóstico aponta para a organização em que ela precisa avançar, além de ser um espaço para os funcionários se manifestarem. Muitas vezes, as organizações não enxergam lideranças ocultas, pessoas dispostas a contribuir em algum tema. Então, a gente, que está de fora, consegue ter uma leitura sensível da situação e fazer apontamentos”.

Até agora, a Suindara Radar e Rede está em negociação com oito empresas interessadas no produto. No mercado desde 2011, a consultoria tem cinco funcionários, e trabalha com clientes como Mãe Terra, Bela Gil e Instituto C&A. 

Em 2017, ela passou a ser certificada pelo Sistema B, organização que reconhece negócios que equilibram propósito e lucro, considerando o impacto de suas decisões em toda a cadeia de stakeholders e meio ambiente. De acordo com dados do Sistema B Brasil, existem mais de 4.300 empresas certificadas no mundo, sendo 233 delas no Brasil.

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