A empresária Ana Simões também precisou cortar
A empresária Ana Simões também precisou cortar

Micro e pequenas empresas cortam quase 50 mil empregos

Dados compilados pelo Sebrae com base no Caged mostram que a situação é inversa em relação ao ano passado

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo,

24 de novembro de 2015 | 07h57

A retração que afeta a economia brasileira atingiu em cheio as micro e pequenas empresas. Levantamento realizado pelo Sebrae Nacional com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) registrou, em outubro, o fechamento de 49,7 mil vagas com carteira assinada nas MPEs. No mesmo período do ano passado, o segmento havia criado 52,7 mil novos postos de trabalho.

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O corte é uma tendência desde o mês passado, quando a pesquisa apurou a perda de 23,4 mil registros em carteira. O segmento que encabeça o movimento é a indústria de transformação, que eliminou 19,5 mil vagas no último mês, seguido pela construção civil (14 mil). O comércio, que vê neste período uma janela para faturar mais com as vendas de fim de ano, precisou cortar 2 mil empregados formais.

A empresária Ana Simões, dona da loja A&S, que importa produtos de decoração, papelaria e cozinha, sentiu ao longo do ano dificuldade para manter intacta a equipe de cinco pessoas. A saída foi, em julho, demitir um funcionário, reposto dois meses depois por uma pessoa que aceitou remuneração bem inferior.

“As poucas entrevistas com candidatos que fizemos esse ano foram com pessoas demitidas, que não conseguiram outro emprego no mesmo nível e precisaram ceder e aceitar salários menores, receber por comissão acima de desempenho, ou contratos por pessoa jurídica”, relata Ana.

A empresária não espera que haja uma recuperação do seu negócio com as vendas de fim de ano. Tanto que Ana suspendeu na sua loja as contratações temporárias, típicas desse período. “Se estivéssemos com uma demanda maior teríamos, desde outubro, pelo menos três ou quatro funcionários a mais. Pelo menos dois deles em vendas. É a última chance que temos para salvar o ano”, pontua.

No acumulado do ano, porém, o saldo ainda é positivo. As MPEs criaram até outubro 65,8 mil vagas, mas a tendência aponta para um índice bem abaixo dos 775,6 mil empregos criados pelas micro e pequenas no ano passado. Para o professor de MBA do Insper Otto Nogami, os cortes em postos de trabalho devem perdurar até, pelo menos, o ano que vem. “Estamos vivendo um fenômeno de retorno às condições de produção de aproximadamente oito anos atrás”, pontua o especialista. “É irreversível e o período de festas talvez não seja suficiente para retomar o fôlego” analisa.

Saída. Para o presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos, a queda na criação de empregos pode ser consequência do acesso dificultado ao crédito para as MPEs. “Quem segura o emprego no Brasil são os pequenos (empresários). É a economia real e o caminho para a saída da crise. Eles precisam ser livres para serem criativos”, pontua o representante do segmento.

Faturamento das empresas menores despenca em SP

A receita das micro e pequenas empresas paulistas diminuiu R$ 11,5 bilhões e foi de R$ 48,1 bilhões em doze meses – entre setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano. O índice é apontado pelo levantamento mensal feito pelo Sebrae-SP. Com isso, a queda no faturamento real – já descontada a inflação – chegou a 19,2%.

Trata-se do maior porcentual de baixa para um mês de setembro em relação a igual período do ano anterior desde o início da pesquisa mensal, realizada há 17 anos. No caso dos Microempreendedores Individuais (MEIs), o faturamento real apresentou queda de 21,5%, se considerado setembro deste ano em relação ao mesmo mês de 2014. A receita total foi de R$ 2,3 bilhões, ou R$ 639,5 milhões a menos.

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