CLAYTON DE SOUZA/AE
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Micro e pequena empresa faturou mais em 2011

Faturamento real das MPEs aumentou 4,4% na região metropolitana no primeiro semestre

Marília Almeida, Jornal da Tarde,

05 de agosto de 2011 | 20h30

As micro e pequenas empresas paulistas têm razões para comemorar o desempenho do seu negócio desde o início do ano. Segundo pesquisa do Sebrae-SP com 1,3 milhão de empresas formais, o faturamento real delas, já descontada a inflação, cresceu 4,4% na região metropolitana no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Na capital, a alta foi maior, de 6,4%. “Considerando que 2010 já foi um ano excepcional para a economia, um crescimento real, acima da inflação, que não está baixa, é expressivo”, diz Bruno Caetano, diretor superintendente do Sebrae-SP.

O publicitário Pedro Henrique Oliveira, 30 anos, está entre os que souberam aproveitar o momento. Sua agência de publicidade, a Go Up, criada em 2008, cresceu 15% este ano ante o ano passado. “Além do desenvolvimento da economia brasileira, atribuímos esse crescimento ao fato de buscarmos mercados emergentes, para dessa forma podermos crescer junto”, diz Oliveira.

Hoje, a maioria dos seus clientes pertence ao mercado de construção civil, arquitetura e decoração, um dos de melhor desempenho nos últimos meses. “Eles estão investindo pesado em campanhas publicitárias para aproveitar o momento.”

Porém, o avanço do faturamento no semestre não ocorreu em todos os setores econômicos. Enquanto no setor de serviços ele foi de 10,5% e no comércio correspondeu a 3,8%, a indústria sofreu queda de 1,1% nesse indicador.

Isso porque micro e pequenos negócios nos setores de serviços e comércio se beneficiam do aumento de renda da população e do emprego, que impulsionam o consumo de bens e serviços. A renda aumentou 4% no País comparada com junho de 2010, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o número de ocupados aumentou 2,3% no período. Nesse cenário, setores como alimentação fora do lar e comércio de vestuário e calçados conseguiram vender mais.

Por outro lado, a pequena indústria sofre com a crise econômica dos Estados Unidos e da Europa, que reduz as exportações, a desvalorização do dólar – que torna os produtos nacionais mais caros no mercado externo – , e a maior concorrência de mercadorias importadas no País, impulsionada pelo dólar baixo. É o caso da indústria de brinquedos e eletrônicos. “É um sinal de alerta para a pequena indústria, que tem menor margem para buscar novos mercados e alternativas de negócio”, diz Caetano.

Ele recomenda que os empresários evitem o crédito, que está caro. “Para ajustar o fluxo de caixa, eles podem negociar com fornecedores os vencimentos de despesas para o período posterior à entrada de receitas, o que diminui a pressão por crédito, principalmente de capital de giro.” Já Marcos Hashimoto, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, indica que as indústrias busquem mercados emergentes. “Países como China e Índia estão comprando mais.”

Ele também indica aos empresários, que não podem diversificar o portfólio de produtos, que diversifiquem o de clientes. “Não é o momento de investir por investir, mas de inovar.”

A tendência é que o segundo semestre concentre os efeitos das medidas do governo para controlar a inflação, que reduziram o crédito e, consequentemente, o consumo, o que deve moderar o crescimento das micro e pequenas. “O segmento será afetado pela alta dos juros. Mas o cenário de crescimento do emprego e renda deve continuar”, diz Rafael Bacciotti, economista da consultoria Tendências. Segundo ele, a indústria deve continuar tendo um desempenho ruim. “O dólar deve se manter depreciado até o final do ano por causa da crise externa.”

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