Mesmo com juros altos, volume de crédito tomado por empresas cresce

Especialistas recomendam adiar os empréstimos porque juros podem cair

Carolina Dall'Olio, Estadão PME,

11 de agosto de 2011 | 20h05

Os juros altos não conseguiram frear a demanda das empresas por crédito. Em junho, a contratação de empréstimos e financiamentos feita por pessoas jurídicas foi de R$ 5,353 bilhões. Isso representa alta de 3,4% em relação ao mês anterior, informa o Banco Central.

Em algumas modalidades, o volume de recursos tomados foi recorde em 2011. Para financiar aquisição de bens, por exemplo, foram emprestados R$ 186 milhões por dia às empresas ­– a maior média registrada em um mês desde novembro de 2010. Nesta modalidade, os juros médios cobrados pelas instituições financeiras em junho foram de 17,7% ao ano.

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O aumento da procura por crédito para financiar bens se justifica pelo crescimento da economia. Em épocas de expansão, muitas empresas procuram os bancos para financiar investimentos, como aquisição de máquinas e equipamentos.

Mas os dados do Banco Central mostram que usar crédito para financiar o crescimento de uma empresa ainda é algo pouco usual. O tipo de empréstimo mais demandado continua o capital de giro. Em junho, por dia, foram emprestados R$ 1,283 bilhão nesta modalidade, o maior volume desde dezembro de 2010. Em segundo lugar, aparece o desconto de duplicatas, com R$ 477 milhões por dia, a maior média desde novembro de 2010.

O problema é que nestas duas modalidades as empresas pagam juros mais altos. As taxas anuais registradas em junho foram de 29,2% para capital de giro e 42,6% para desconto de duplicatas, informa o Banco Central. Para um empréstimo de R$ 5 mil, por exemplo, a empresa pagaria R$ 1,4 mil em juros no primeiro caso e R$2,1 mil no segundo.

“Enquanto as grandes empresas conseguem captar recursos no exterior a juros mais baixos, as pequenas e médias empresas não encontram muitas alternativas para tomada de crédito que não sejam os bancos”, afirma Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Para tentar fugir dos juros altos, Oliveira recomenda que as empresas tentem negociar com os fornecedores um prazo mais longo para pagamento, ainda que com um pequeno acréscimo no preço. “Muitas vezes, essa tática fará o empresário gastar menos do que se pedisse dinheiro a uma instituição financeira”, contabiliza.

Outra dica de Oliveira se dirige a quem pretende tomar crédito para investimentos. “O melhor neste caso é esperar”, avisa. “Em primeiro lugar, porque o cenário externo está muito turbulento e as previsões de crescimento da economia brasileira podem ser revistas em função disso. Em segundo lugar, também devido à crise econômica, é possível que os juros no Brasil fiquem mais baixos em pouco tempo.”

O gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira, reforça essa percepção. Ele acha possível que o governo brasileiro corte juros e reverta as medidas macroprudenciais para contenção do crédito, em uma tentativa de fazer com que o mercado interno ajude o País a sofrer menos com a turbulência internacional.

"Com essa mudança de conjuntura, esse retorno de crise internacional, o mercado interno é que pode fazer com que o Brasil passe sem muito sofrimento pela crise. Os desestímulos forçados pelo governo para contenção de demanda objetivando queda de inflação podem ser revertidos. Ou seja, se eu quero incentivar agora o mercado interno, eu tenho que reduzir taxa de juros, eu tenho que tirar as medidas macroprudenciais para que, com isso, o Brasil possa passar sem muito sofrimento, como aconteceu em 2008 e 2009, por essa crise financeira internacional", disse Pereira.

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