Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Mercado pet aquecido tem até álcool em gel para gato e cachorro

Pequenas indústrias de produtos para animais, que incluem vinho e cerveja não alcoólicos, crescem na pandemia com donos isolados em casa

Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 14h00

Os meses de isolamento social resultaram em um consumidor que passou a olhar mais para dentro de casa, investindo em reforma e decoração, em moda confortável e em seus animais de estimação. O mercado pet, que já vinha em crescimento nos últimos anos, registrou alta em todas as categorias no primeiro semestre. Pequenas indústrias fabricantes do setor viram seus números saltarem, como a CatMyPet, a Furacão Pet e a Ipet.

“Numa pandemia, onde forçosamente as pessoas ficaram mais solitárias, existe uma necessidade de ter mais um ente em casa, o que fez com que o mercado pet desse esse salto muito grande”, diz o vice-presidente do Instituto Pet Brasil, Nelo Marraccini Neto.

Segundo os dados do instituto, o comércio eletrônico de produtos pet variados registrou um aumento de 65,57% no faturamento, que pulou de R$ 1,49 bilhão para R$ 2,47 bilhões entre os dois primeiros trimestres do ano, durante a pandemia do novo coronavírus.

Dentre as vendas do setor, quase metade é de produtos alimentícios (47,8%), seguida de produtos médicos como remédios e vacinas (18%) e serviços veterinários (12%).

Lucas Marques, fundador da Ipet, empresa da indústria de produtos e alimentos humanizados para animais, conta que a pandemia foi uma oportunidade de escalonar mais o negócio, que cresceu cerca de 50% desde março. “Os molhos e as rações foram os itens que mais aumentaram nas vendas. Mas as bebidas, como vinho e cerveja, surpreenderam com um impacto muito grande de crescimento, em alguns meses com mais de 100%.”

Ele diz que as vendas da cerveja Dogbeer e do vinho Dog’sWine, ambos não alcoólicos, foram impulsionadas pelo Instagram. “Apostamos em lives de artistas, que começaram a fazer campanhas de #sextou com a Dogbeer, o que trouxe bastante resultado”, aponta Lucas.

Para ele, o maior desafio é continuar com um crescimento tão alto como o de agora. “Começamos a perceber que a ‘volta ao normal’ deu uma diminuída no frenesi. Continua crescendo, mas num ritmo menor.”

De acordo com dados da Euromonitor, estima-se que no Brasil o setor pet cresça até dezembro 4,6% quando comparado a 2019. Num cenário pré-pandemia, a estimativa era de 11,5%. Ainda assim, o País se destaca do resto do mundo, que antes da crise tinha crescimento previsto de 4,52% e, com a covid-19, foi para 2,2%.

O cenário positivo, segundo a Euromonitor, continuará nos próximos anos. Os dados indicam que entre 2020 e 2025 ocorra um crescimento de 42,7% no setor, com faturamento médio de R$ 35 bilhões no Brasil.

Álcool em gel para gato e cachorro

Outra empresa que viveu um boom na pandemia foi a CatMyPet, fundada há cinco anos com foco em soluções inovadoras para melhorar a vida dos pets. No começo, focaram em campanhas para combater a desinformação sobre o contágio do coronavírus entre humanos e animais, fazendo lives.

“Quando começou em março, para todas as pessoas foi um mês de muita insegurança. Mas estávamos otimistas, porque sabíamos que precisaríamos nos adaptar e que aos poucos as coisas voltariam ao normal”, diz a empresária Agnes Cristina.

Ela conta que, durante as lives com veterinários, percebeu um ponto abordado com frequência: o malefício do álcool em gel feito para humanos quando utilizado nos animais, que apareciam intoxicados, com alergias na pele. “Juntamos nossa equipe de farmacêutica e veterinária para produzir uma formulação que pudesse ser utilizada nos animais e que pudesse ser lambida.”

Agnes conta que desde que lançaram o produto, em abril, a receita passou a dobrar mês a mês. Em agosto deste ano, já faturou mais de R$ 6 milhões no ano, enquanto o faturamento do ano passado foi de R$ 3,9 milhões.

No caso da Furacão Pet, fabricante de brinquedos e acessórios para animais, o isolamento social causou uma queda significativa entre março e abril, gerando a demissão de alguns funcionários. Mas, a partir de maio, a empresa começou a crescer novamente, atingindo até o mês de agosto crescimento de 11% em relação a 2019. Com isso, a empresa voltou a contratar funcionários.

Outro ponto positivo para a Furacão foram as exportações. “Com o aumento do dólar, o produto chinês ficou muito caro. Isso fez com que aumentasse a procura pelos nossos produtos”, conta o sócio Hugo Martins, relatando a demanda de países como Uruguai e Argentina por itens do Brasil.

Ele diz que, dentre os produtos mais procurados, destacam-se os brinquedos. “Tanto os cães quanto os gatos precisam se exercitar fisicamente e mentalmente, por isso esses foram um dos primeiros produtos que os donos optaram por comprar.”

* Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni.

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