Fabio Motta/AE
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Mercado já prevê PIB abaixo de 3% em 2011

Revisão das expectativas, de 3,09% para 2,97%, vem após o crescimento nulo do 3º trimestre

Fernando Nakagawa, Agência Estado,

12 de dezembro de 2011 | 12h03

 A previsão para o crescimento da economia brasileira em 2011 voltou a piorar, segundo a pesquisa realizada pelo Banco Central junto aos analistas de mercado, a Focusna - foi a primeira sondagem feita após o anúncio do Produto Interno Bruto (PIB) zero do terceiro trimestre deste ano. A expectativa de crescimento da economia neste ano recuou pela terceira semana seguida, passando de 3,09% para 2,97%. Há um mês, o mercado previa alta para o PIB de 3,16% em 2011.

As projeções para 2012 também se deterioraram. De acordo com o levantamento divulgado nesta segunda-feira, 12, a mediana das expectativas para a expansão do PIB no próximo ano recuou de 3,48% para 3,40%, ante os 3,50% registrados quatro semanas antes.

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Na pesquisa, analistas também não alteraram a previsão para o comportamento do indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB. Para 2012, foi mantida a expectativa de que o dado deve ficar em 38% do PIB, número repetido há 25 semanas. Para 2011, a projeção seguiu em 38,50%, ante 38,65% de um mês atrás.

Normalmente divulgado às 8h30 das segundas-feiras, o levantamento semanal do BC junto às instituições financeiras teve a distribuição atrasada em quase uma hora nesta segunda-feira por "problemas técnicos" do BC.

Inflação

O mercado financeiro também voltou a reduzir a projeção para a inflação em 2012. De acordo com a pesquisa semanal Focus, a mediana das previsões para o IPCA no próximo ano caiu de 5,49% para 5,42%, a segunda redução seguida. Há um mês, o mercado previa inflação mais alta em 2012, de 5,56%.

Já as estimativas para 2011 seguiram em 6,50%, exatamente como na semana passada e no teto máximo permitido pelo regime de metas de inflação, cujo centro é de 4,50%, com limite de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Quatro semanas atrás, a previsão estava em 6,48%.

Para dezembro de 2011, entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA recuou ligeiramente, de 0,51% para 0,50%. Já a expectativa para janeiro de 2012 seguiu em 0,61%, exatamente como na semana anterior. Há um mês, o mercado previa altas de 0,50% e de 0,64% para cada um dos dois meses, respectivamente.

Dólar

Ao mesmo tempo, a previsão para o patamar do dólar no fim deste ano foi elevada. De acordo com a pesquisa, a mediana das expectativas para a taxa de câmbio no fim de dezembro de 2011 subiu pela segunda vez seguida e passou de R$ 1,79 para R$ 1,80. Há um mês, o mercado previa câmbio em R$ 1,75.

Para 2012, porém, foi mantida a expectativa de que a taxa deve recuar e a moeda norte-americana deve terminar o próximo ano sendo trocada de mãos a R$ 1,75. Essa aposta foi mantida pela nona pesquisa consecutiva.

Para o câmbio médio, a previsão para 2011 manteve-se em R$ 1,66 pela quarta semana seguida e, para 2012, avançou um centavo, de R$ 1,75 para R$ 1,76. Há um mês, as apostas para o dólar médio estavam em R$ 1,66 neste ano e em R$ 1,75 em 2012.

IGP-DI

As previsões para a inflação medida pelos IGPs em 2012, por sua vez, foram reduzidas. De acordo com a pesquisa Focus, a mediana das estimativas para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) no próximo ano caiu de 5,24% para 5,19%. Já para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a expectativa para 2012 recuou de 5,29% para 5,19%. Há um mês, analistas apostavam em altas de 5,19% para o IGP-DI e de 5,26% para o IGP-M.

Para 2011, a expectativa para o IGP-DI caiu de 5,75% para 5,65%. Há quatro semanas, analistas esperavam alta de 5,73%. Para o IGP-M, a previsão para este ano também recuou, de 5,75% para 5,64%, abaixo dos 5,75% previstos um mês atrás. O IGP-M é usado como referência para o reajuste em muitos contratos de aluguel e em algumas tarifas públicas.

A pesquisa também mostrou que a estimativa para o IPC-Fipe em 2012 foi em direção contrária e subiu de 5,18% para 5,21%. Há um mês, a expectativa dos analistas era de alta de 5,11% para o índice. Para 2011, a previsão para a inflação ao consumidor em São Paulo seguiu inalterada em 5,68%, ante 5,58% observados quatro semanas atrás.

Economistas mantiveram ainda a estimativa para o aumento em 2012 do conjunto dos preços administrados - as tarifas públicas - em 4,50% pela quarta semana seguida. Para 2011, a expectativa de alta seguiu em 6,00%, também pela quarta pesquisa consecutiva.

Déficit

A pesquisa mostra ainda melhora das estimativas para o déficit em transações correntes do Brasil. No levantamento divulgado com atraso nesta manhã, a mediana das estimativas para o saldo negativo em conta corrente em 2012 caiu de US$ 68,15 bilhões para US$ 68 bilhões. Para 2011, a previsão de déficit também recuou e passou de US$ 54,53 bilhões para US$ 54,30 bilhões. Há um mês, a expectativa de rombo das contas externas estava em US$ 68,63 bilhões no próximo ano e em US$ 55 bilhões em 2011.

A pesquisa também mostrou que a expectativa de superávit comercial em 2012 subiu de US$ 17 bilhões para US$ 17,45 bilhões. Para 2011, a projeção subiu pela terceira semana seguida e passou de US$ 28,70 bilhões para US$ 28,77 bilhões. Quatro pesquisas atrás, o mercado previa saldo comercial positivo de US$ 18,90 bilhões no próximo ano e de US$ 28 bilhões em 2011.

A Focus mostrou ainda ligeira elevação das estimativas para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2011, de US$ 60 bilhões para US$ 60,1 bilhões. Há um mês, a previsão era de US$ 60 bilhões em investimentos estrangeiros produtivos. Para 2012, a aposta de entrada de IED seguiu em US$ 54 bilhões, mesmo patamar observado um mês antes. 

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