Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Mercado de testes de aplicativos e softwares já chega a R$ 1,4 bilhões no Brasil

Pequenas empresas do segmento ganham espaço e atraem principalmente grandes clientes

Renato Jakitas, Estadão PME,

16 de abril de 2013 | 07h00

 Existe vida no mercado de tecnologia para além do comércio virtual ou das startups dedicadas a soluções para dispositivos móveis. Que o diga três empreendedoras de São Paulo, especialistas em arquitetura de informação. Este ano, o negócio criado por elas espera faturar R$ 2,5 milhões analisando o poder de navegação e apontando falhas em sites e aplicativos corporativos a serem lançados no mercado.

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Batizada como Saiba +, a empresa montada pelo trio há dois anos e meio abraça uma especialidade em plena expansão: testar programas corporativos de computador e aplicativos online. Segundo dados da consultoria Pierre Audoin Consultants, esse mercado é estimado em aproximadamente R$ 129,50 bilhões. No Brasil, R$ 1,4 bilhão é potencialmente investido em teste e qualidade de softwares. Desse montante, R$ 930 milhões estão nas mãos de empresas de pequeno e médio portes, dedicadas exclusivamente ao assunto.

“Trabalhamos com grupos de até 36 pessoas para testarmos os sites e os aplicativos”, conta Alessandra Nahra, que comanda o Saiba + ao lado de Carolina Leslie e Ana Coli. Com clientes do porte de Petrobrás, Tim, Natura e Caixa Econômica Federal, o trio obteve receita de R$ 1,3 milhão em 2012 identificando “ruas sem saídas” ou “pontos cegos” nas web pages e apps das companhias.

O trio de empresárias busca trilhar um caminho já consolidado por Osmar Higashi, que nas duas últimas décadas ergueu com um sócio uma empresa importante no setor de teste e certificação de software, a RSI. No último ano, Higashi faturou R$ 83 milhões com o negócio, que emprega 835 funcionários e tem no currículo clientes como Itaú, Santander, Cielo, Banco do Brasil e Bradesco Seguros.

“Somos fortes no sistema bancário”, conta ele, que ingressou por acaso no ramo há 17 anos, atraído na época pela demanda gerada pelo bug do milênio – na virada de 1999 para 2000 temia-se que os computadores entrassem em colapso. “Tínhamos uma empresa de consultoria em informática com foco em infraestrutura. Mas com a preocupação com o bug do milênio, começamos a ser procurados para rodarmos as simulações do que aconteceria após o ano 2000. Nos tornamos especialistas nisso”, lembra Higashi. “A verdade é que após os investimentos com o bug do milênio as empresas compreenderam a importância de fazerem testes de usabilidade antes de lançar o produto. Por isso, estamos crescendo até hoje.”

Mão de obra. No Brasil, os principais contratantes do setor são as grandes empresas do mercado financeiro, companhias de seguro, operadoras de telecomunicações e redes de varejo virtual. Um negócio que, segundo Bárbara Dariano, professora do curso de tecnologia em produção multimídia do Centro Universitário Senac, ainda está no início. O ponto de atenção, contudo, é a contratação de mão de obra, ainda escassa por aqui. “Há um movimento grande das pessoas indo para esse mercado. Mas ele demanda diversas especialidades, equipes multidisciplinares, e há um custo alto para preparar gente para essa demanda.”

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