Kit para transformar cadeira de rodas em triciclo é a aposta de Júlio e Lúcio
Kit para transformar cadeira de rodas em triciclo é a aposta de Júlio e Lúcio

Mercado de R$ 5,5 bilhões atrai pequenas empresas

Segmento de produtos e serviços para pessoas com deficiência ganha espaço e inovações têm destaque cada vez maior

Gisele Tamamar, Estadão PME,

16 de dezembro de 2015 | 07h26

Seja para reabilitar, incluir ou melhorar a qualidade de vida, os produtos e serviços voltados para pessoas com deficiência movimentam um mercado de cerca de R$ 5,5 bilhões por ano, segundo estimativa da Abridef, a associação das indústrias e revendedores do setor. É uma cifra que cresce de 15% a 20% todos os anos e, mesmo com a crise, deve fechar 2015 com alta na casa dos dois dígitos. É também um setor que reserva muitas oportunidades para quem planeja empreender.

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Pelo menos é essa a avaliação do presidente da Abridef, Rodrigo Bosso. Para o especialista, trata-se de um setor muito jovem no Brasil e que ainda pode ganhar muito espaço. “É um mercado que cresce diariamente. As pessoas com deficiência consomem por necessidade e não por impulso. Os produtos e serviços são essenciais e às vezes até vitais para esse público.”

Os irmãos gêmeos Júlio e Lúcio Oliveto Alves sabem bem disso. Durante a graduação em engenharia, Júlio desenvolveu uma cadeira de rodas que subia escadas. O interesse pelo tema cresceu e no mestrado ele iniciou a construção de um kit que transforma a cadeira em um triciclo motorizado – o Kit Livre foi lançado em abril.

“O nosso grande foco é tirar esse conceito hospitalar de quem olha uma cadeira de rodas. Queremos trazer um conceito mais alegre e divertido”, afirma Júlio. Um dos modelos, por exemplo, pode ser adaptado para ser usado em pistas de terra na prática esportiva.

Entender como entrar no mercado e criar um modelo universal diante da grande diversidade de limitações que os cadeirantes têm foram algumas das dificuldades encontradas no caminho pelos empreendedores. O negócio já exigiu um investimento inicial de R$ 200 mil (recursos próprios e premiações de concursos dos quais eles participaram). A empresa prevê faturar R$ 1 milhão no ano que vem, inclusive com exportações.

Outro projeto é o Ludwig, que ganhou destaque no evento mundial de programadores da Apple. Ele é composto por um aplicativo e uma pulseira que por meio de vibrações introduz a sensação do que é música para um deficiente auditivo.

“O surdo tem os outros sentidos mais aguçados. A gente faz uma substituição sensorial e usa, principalmente o tato, por meio das vibrações, para que ele perceba as notas musicais”, afirma Joaquim Pereira, um dos sócios da startup.

Todos os sócios do empreendimento têm atividades paralelas ao Ludwig e o grupo composto por seis pessoas busca, neste momento, investimento de US$ 330 mil para lançar a primeira versão até o fim do ano que vem. “Está tudo pronto, só falta o dinheiro”, diz Pereira.

Serviços. Já a Happy Life entrou no mercado como uma locadora de vans tradicional. Mas o desafio de transportar uma pessoa tetraplégica em uma cadeira de rodas elétrica mudou o foco do negócio. “Era um nicho em que não existiam empresas atuando. Hoje somos uma empresa acessível e inclusiva”, afirma a sócia-diretora do negócio, Natália Pedoni.

Para quem pretende empreender na área, a coordenadora da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae-SP, Ana Paula Peguim, analisa que o desafio é o mesmo enfrentado por qualquer pessoa que planeja abrir uma empresa: é preciso fazer uma boa pesquisa para entender as necessidades e dificuldades das pessoas com deficiência para oferecer um produto adequado. E mesmo quem não tem algo que seja específico para esse público, precisa estar preparado para atendê-lo.

“A questão da lei de cotas ganhou mais força nos últimos anos e as pessoas com deficiência estão se inserindo no mercado de trabalho. Elas têm poder de compra e são potenciais clientes”, destaca.

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