Alex Silva/Estadão
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Mercado de orgânicos avança no País e pequenos empreendedores aproveitam para lucrar

Segmento movimentará R$ 2 bilhões neste ano e o melhor: ainda existe muito espaço para novos empreendedores

Gisele Tamamar, Estadão PME,

30 de abril de 2014 | 06h39

Uma ida ao supermercado mostra o avanço dos orgânicos no Brasil. Antes restritos à área de frutas, verduras e legumes, agora eles estão espalhados por outras gôndolas. Já são vendidas bebidas, roupas, lingerie e até cosméticos feitos com matéria-prima sustentável. E melhor: na visão dos especialistas, ainda existe espaço para quem tem planos de empreender no setor, que deve movimentar robustos R$ 2 bilhões neste ano, segundo estimativas feitas pelo Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD).

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“O setor cresce de forma estruturada. Ter produtos processados no mercado é uma consequência da estabilidade da produção primária. O investimento para a industrialização é grande e é preciso ter segurança na matéria-prima e no mercado”, afirma Rogério Dias, coordenador de agroecologia da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário no País.

Os orgânicos têm boa aceitação entre os brasileiros, mas, em geral, a percepção é de um produto apenas sem agrotóxico. E para o coordenador executivo do programa Organics Brasil, Ming Liu, uma das maiores dificuldades do setor é justamente modificar a cultura do consumidor. “Se o Brasil conseguir explicar que o orgânico não é só sem veneno, mas que envolve todo um trabalho ambiental e social, seria uma forma de avançar.”

Um ponto em comum entre os empresários que se destacam no segmento é justamente esse: investir não apenas no aspecto comercial, mas porque eles se preocupam com o meio ambiente e com todos os envolvidos no processo produtivo. “Quem não está muito convencido que o sistema de produção orgânica está validado, na primeira dificuldade ele vai mudar para o convencional”, afirma.

Um desses empreendedores fiéis é o francês David Ralitera, proprietário da Santa Adelaide Orgânicos. Ele veio ao Brasil para trabalhar como executivo da área de propaganda, mas acabou transformando o hobby em projeto desafiador. Mudou-se para uma fazenda em Morungaba, no interior de São Paulo, onde se dedica à pesquisa, produção e entrega de 80 tipos de plantas cultivadas ao longo do ano.

“Sou exatamente um cara que aceitou ser estagiário depois de 25 anos de carreira. Estou aprendendo”, conta David, que pretende ser reconhecido pelo processo de produção e pelo investimento em produtos como as cenouras coloridas ou o tomate coração de boi.

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O empresário Dalmer Maffei também notou o potencial dos orgânicos. E o que começou como um interesse comercial se tornou uma filosofia de vida. Sem nenhum estudo para balizar o negócio, Maffei fez testes com o produto antes do lançamento oficial da Adivita, marca de petiscos para cachorros que chegou ao mercado no ano passado após R$ 600 mil investidos. “O padrão de qualidade da fábrica e do ingrediente tem o padrão de qualidade humano. Não admitimos restos.”

Crescimento. Já a evolução da empresa BiO2 mostra o crescimento do próprio mercado de orgânicos. O proprietário, Leandro Farkuh, resolveu investir em barras de cereais quando tinha 18 anos, mas apenas como fabricante para outras empresas. Incomodado com produtos muito artificiais, Farkuh resolveu criar sua própria marca, a BiO2, inicialmente voltada para o exterior.

Com a crise de 2009, entretanto, o mercado interno se recuperou e hoje responde por 90% do faturamento da empresa, que vende não apenas barras de cereal, mas chás, suplementos, snacks e até mesmo balas energéticas.

E para quem está de olho nos orgânicos, o professor Carlos Khatounian, responsável pela área de agroecologia e agricultura orgânica da Esalq/USP, alerta: o simples fato de dizer que tem um produto orgânico não é garantia de sucesso. “É preciso entender do negócio.” 

 

Mercado está em crescimento, mas ter um selo de orgânico não é garantia de sucesso na área. É preciso buscar um diferencial

Paixão - Empresário não pode investir nos orgânicos apenas pelo lado comercial. Caso contrário, vai desistir na primeira dificuldade. Setor exige dedicação e pesquisa.

Planejamento - Como qualquer outro negócio, é preciso estudar o mercado, estruturar a empresa e conhecer o consumidor. Às vezes, o que o empreendedor gosta não é o que o consumidor quer.

Variedade - É possível investir em alimentos, bebidas, cosméticos e na área têxtil. Mas não só na produção, mas na comercialização, processamento ou intermediação. Tem até delivery de cestas orgânicas.

Benefícios - Envolvidos no setor devem trabalhar para o consumidor entender os benefícios dos orgânicos, não só a questão do agrotóxico, mas o lado social e ambiental. Contato com o cliente é fundamental.

Qualidade - É crescente o interesse por produtos mais saudáveis, mas é preciso ter qualidade. O orgânico tem um diferencial na questão do conceito, mas apenas a origem do produto não garante sua qualidade.

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