Foto: Rafael Arbex / ESTADAO
Foto: Rafael Arbex / ESTADAO

Mercado de nuvem deve crescer 20% em 2017 com soluções para pequenas empresas

Segundo estudo publicado pela IDC Brasil, a computação em nuvem deixará de ser tendência e se tornará o padrão para negócios na internet

Valdir Ribeiro Jr., ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO

28 de abril de 2017 | 05h00

Apesar do cenário recessivo, o mercado de computação em nuvem têm apresentado resultados positivos nos últimos anos e, conforme aponta levantamento da IDC Brasil, isso não deve parar tão cedo. O estudo afirma que as empresas brasileiras desse setor devem movimentar cerca de US$ 890 milhões em 2017, o que representa um crescimento de 20% em relação ao ano passado.

Um dos motivos a que se atribui esses resultados é a própria crise econômica que afeta o país. Especialistas do setor e pesquisadores concordam que a nuvem tem sido procurada por pequenas e médias empresas como uma opção de redução dos custos operacionais. “A vantagem no uso da nuvem é que, com ela, o empreendedor pode ter uma operação mais barata e mais segura do que antes”, afirma Luis Carlos dos Anjos, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Infraestrutura e Hospedagem na Internet (Abrahosting).

De acordo com Luis Carlos, que também é gerente de marketing institucional da Locaweb, a queda nos custos de operação pode chegar a até 70%, quando o empresário opta pela nuvem. “Em um comparativos simples, uma microempresa que tiver cinco servidores rodando em um sistema interno precisa, no mínimo, de um funcionário para cuidar da parte técnica. Para esse mesmo serviço em uma prestadora como a Locaweb, por exemplo, a empresa poderá contar com uma equipe composta por mais de 20 pessoas trabalhando 24 horas por dia. O custo diminui e o ganho em segurança é enorme”, afirma.

O que chamamos de “nuvem” nada mais é do que o espaço virtual fornecido por supercomputadores protegidos fisicamente — em locais fechados, com temperatura controlada — e virtualmente, com os hardwares e softwares mais avançados em segurança digital. Existem duas formas de utilizar os serviços de nuvem. O primeiro deles, mais simples, diz respeito a hospedagem de dados da empresa. Essa opção é a que se usa quando se busca a nuvem para manter um site online, por exemplo. O segundo, mais complexo, é referente ao uso da capacidade desses supercomputadores para processar informações da empresa, como os pedidos feitos por clientes em aplicativos para pedir delivery de comida ou solicitar táxis.

Quando os serviços de nuvem começaram a se popularizar, existia um receio do mercado quanto à segurança das informações. Afinal, uma única empresa teria dados de vários outros negócios em suas mãos. Mas esse receio teve fim quando ficou claro que as provedoras não acessam as informações do cliente, pois elas são criptografadas.

Arlindo Maluli, responsável pela estratégia de vendas e crescimento da comunidade técnica da Amazon Web Services na América Latina, explica da seguinte maneira: “Quando a empresa contrata o serviço de nuvem, é como se ela pagasse por um cofre no banco. Ela recebe uma chave única capaz de abrir o cofre e nem o banco possui uma cópia. Então, o banco até pode levar o cofre para outro lugar, mas ele nunca vai conseguir abrí-lo. Apenas a empresa, com sua chave, poderá ter acesso ao conteúdo do cofre”, diz.

Sempre pense na segurança

Não é porque uma empresa migrou seus dados para a nuvem que ele pode deixar de se preocupar com segurança. As provedoras de nuvem devem garantir a manutenção das informações armazenadas, mas existem quesitos que ainda são responsabilidade da empresa e que, portanto, precisam receber atenção.

No exemplo do cofre bancário citado por Arlindo, se a empresa perder a chave, ela nunca mais terá acesso ao conteúdo guardado. Afinal, não existe nenhuma cópia disponível, justamente por questões de segurança. Portanto, o empreendedor sempre deve ter a certeza de que a chave numérica que desfaz a criptografia dos dados está protegida.

Outro fator importante é o caminho de acesso às informações da nuvem. Os dados que a companhia armazena podem estar protegidos em supercomputadores, mas eles são acessados por máquinas comuns, utilizadas diariamente na empresa. E como a provedora não é responsável pela segurança interna do cliente, é preciso investir nisso para evitar invasões. “Comprar espaço na nuvem é como alugar um apartamento sem porta. Se você não colocar uma, qualquer um pode entrar. Então, é preciso que o empreendedor tenha seu nível próprio de segurança, com antivírus e firewall nas máquinas que utiliza dentro da empresa”, diz Luciano Ramos.

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