Fabrizio Serra (de xadrez) lançou a Moccato com mais quatro sócios
Fabrizio Serra (de xadrez) lançou a Moccato com mais quatro sócios

Mercado de café em cápsulas atrai os pequenos

Desde o fim da patente da Nespresso, empreendedores atuam no segmento

Gisele Tamamar, Estadão PME,

30 de junho de 2015 | 07h01

O potencial do mercado de cafés em cápsulas tem atraído investimentos não só de grandes companhias. Empresas de pequeno e médio porte passaram a enxergar no segmento uma forma de consolidar suas marcas e ganhar uma fatia do mercado. Atualmente existem mais de 60 empresas que investem nesse tipo de café, chamado de monodose. Há um ano, esse número não passava de oito, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). 

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De 2013 para 2014, as cápsulas cresceram 52,4% em volume e 55,5% em vendas alcançando os 660 mil quilos e R$ 90,8 milhões movimentados, segundo pesquisa feita pela Nielsen a pedido da Abic. "É um mercado muito atraente, com valor agregado elevado e que vem revolucionando o mercado de café com uma forma de preparação que alia atributos que justificam o sucesso: conveniência e praticidade", afirma o diretor executivo da Abic, Nathan Herszkowicz.

Para quem pensa em empreender, entretanto, é preciso cuidado: não vale apenas encapsular o café. A empresa precisa traçar estratégias para saber onde e como pretende vender o produto. O empresário Fabrizio Serra, por exemplo, escolheu o modelo de clube de assinaturas para lançar a marca Moccato com os sócios Ian Petersen, Dimas Cyriaco, Diego Daminelli e Emerson Freitas. 

Serra fundou a startup ChefsClub há três anos e estava em busca de um novo mercado para investir. Optou pelo modelo de recorrência e de cafés em cápsulas com o diferencial de oferecer um produto fresco - a Moccato entrega o produto para o consumidor em até sete dias após a torra. São enviados cafés de cinco regiões e mais uma opção 'nômade', trocada todos os meses. O valor dos planos para envio de 30 a 90 cápsulas variam de R$ 48 a R$ 125. O negócio exigiu investimento de R$ 1 milhão e a meta é atingir R$ 3 milhões de faturamento nos próximos 12 meses e ainda conquistar 20 mil assinantes até o fim de 2016. 

"Já participo do mercado de startups há um tempo e sei que para fazer um negócio online é preciso de uma captação significativa e R$ 1 milhão é um valor muito bom para a empresa começar, mas não será o único que vamos precisar", diz Serra. Para testar o produto, eles lançaram a marca durante uma campanha de crowdfunding no site Kickante. Em duas semanas, a campanha arrecadou quase R$ 20 mil de 378 apoiadores. 

Já a diretora comercial Liana Baggio Ometto é a quarta geração da família envolvida com café. Com a queda da patente da Nespresso, a Baggio, de Araras, resolveu investir na própria cápsula há quase um ano. "Não queremos ser grandes, queremos ser especiais", diz Liana, que vende um café gourmet com três perfis de torra e vai lançar uma cápsula aromatizada no mês que vem. 

A marca começou com a venda de 15 mil cápsulas por mês e hoje vende 40 mil. A meta é dobrar esse número até o fim do ano. A intenção da empresa não é brigar com a Nespresso, mas ser mais uma opção para o consumidor. "O nosso café é mais artesanal. Quando a pessoa abre a nossa lata, o perfume já encanta", diz. Hoje, as cápsulas representam 20% do faturamento da empresa com a expectativa de chegar a 50% em até dois anos. 

Terceirização. Segundo Nathan Herszkowicz, diretor da Abic, a possibilidade de terceirização do serviço de encapsulamento do café ajudou na entrada de novos produtores nesse mercado. Com cerca de R$ 9 mil é possível adquirir 17 mil cápsulas, afirma. 

Uma das empresas que oferece esse serviço é a portuguesa Kaffa, instalada em Ribeirão Preto desde julho do ano passado. Com a produção média de 1,8 milhão de cápsulas por mês, a empresa tem uma carteira de 60 clientes, entre produtores, torrefadores e operadores. "A cápsula tem muito valor agregado. Além do encapsulamento, também orientamos a empresa na escolha das opções e formatos para comercialização", analisa o diretor comercial e de marketing da Kaffa, Alexx Noga. Além do consumidor final, a empresa pode vender para restaurantes e escritórios, por exemplo. 

"As prateleiras têm se mostrado muito positivas. O consumidor está começando a mudar sua visão e não se limita a uma marca. Existe o fator curiosidade", diz Noga. "Estima-se que esse mercado (de cápsulas) represente 2% dos lares do Brasil. Nos próximos dez anos, esse número deve chegar a 15%, 20% dos lares. Mesmo que não seja a maior parte do consumo, a tendência é alcançar valores expressivos", conclui o diretor da Abic. 

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Primeiro, o lançamento do café em cápsulas revolucionou o mercado. Por aqui, a Nespresso chegou em 2006 com a oferta do café em dose única pronto ao toque de um botão. No início de 2013, as patentes que protegiam as cápsulas e as máquinas começaram a expirar e abriram caminho para quem quisesse vender o seu café em cápsulas compatíveis com as máquinas Nespresso.

De acordo com matéria do caderno Paladar, naquele mesmo ano já começaram a surgir cápsulas alternativas no Brasil, como a do Café do Ponto, com a marca L´Or, e do Lucca Cafés Especiais, de Curitiba. Leia a matéria aqui. A possibilidade de terceirizar o serviço para encapsular o café, como o oferecido pela Kaffa, ajudou no crescimento do mercado e mais pequenas empresas passaram a oferecer a opção.

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