Fernando Scheller / O Estado de S. Paulo
Fernando Scheller / O Estado de S. Paulo

Mercado de bicicletas pode ser bem interessante; leia casos de empresários que se dão bem

Empreendedores criam novos modelos, acessórios e serviços

Estadão PME,

16 de setembro de 2013 | 12h39

O aumento do uso de bicicletas em grandes centros abre espaço para empreendedores usarem e abusarem. Ou melhor, ousarem. As bikes não são usadas mais apenas como meio de transporte, mas para lazer e por quem deseja mudar o estilo de vida. As ciclofaixas de lazer, por exemplo, surgiram na capital paulista em 2009 e à época eram usadas por 10 mil pessoas, mas hoje as pistas atraem 120 mil usuários aos domingos e feriados.

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“Até pouco tempo, a bicicleta era vista como um veículo de pobre no Brasil. Hoje, existe uma mudança de apelo”, diz José Eduardo Gonçalves, diretor da Abraciclo, que reúne os fabricantes do setor. Para Erick Azzi, consultor especializado no segmento, essa mudança de conceito ocorre desde 2000 e tem a ver com a alta do preço dos combustíveis, com o fato do trânsito se tornar cada vez mais caótico e até a dificuldade para estacionar – sem pagar – em São Paulo.

Na última estimativa realizada pela Abradibi, outra entidade que representa empresários do setor, o mercado no Brasil era de R$ 2 bilhões em 2011. E para o presidente da Aliança Bike, Marcelo Maciel, o crescimento do mercado é visível – a Aliança organiza uma das únicas feiras do mercado. “O que se adicionou recentemente foi um componente de sustentabilidade, a bicicleta como uma solução para os problemas nas grandes cidades. Temos uma nova forma de olhar a bicicleta”, afirma.

Aproveitando o momento bom da bicicleta como alternativa de transporte, o empresa holandesa Studio Bleijh apresentou nesse ano a Sandwichbike, uma bike para ser montada pelo usuário com menos de 50 peças, algumas delas feitas de madeira 'ecologicamente correta'. O produto é enviado ao consumidor junto com as ferramentas que serão necessárias para a montagem. A entrega deve começar em outubro, e o preço anunciado é de R$ 2.100.

Aqui no Brasil, um empreendedor que aproveita o aquecimento do setor de bikes é o biólogo Fabio Samori. Ele inaugurou, em julho, o Aro 27 em São Paulo, uma mistura de café, loja e oficina que tem estacionamento e o serviço de park´n shower. Ou seja, o ciclista pode deixar o veículo estacionado no local e tomar um banho antes de algum compromisso. Samori investiu R$ 300 mil e espera conseguir o retorno em um ano. A expectativa dele é alcançar um faturamento médio mensal de R$ 30 mil a R$ 40 mil, a partir do sétimo mês de funcionamento.

Acessórios. Dona de uma marca de bolsas convencionais no Rio de Janeiro, a estilista Mônica Bentes enxergou uma oportunidade de negócio quando voltou a andar de bicicleta e não encontrou acessórios para personalizar sua "magrela". Foi o estalo para iniciar a produção de bolsas adaptáveis às bikes e dar um novo rumo à Anouk. Hoje, a empresa vende em sua loja virtual de 100 a 200 peças por mês, incluindo bolsas, capas de selim, botons e camisetas. "Notei que tinha um furo no mercado, estava começando a aumentar o uso de bicicletas e ia lançar uma coleção nova. Pensei: por que não investir em bolsas para bicicletas? Quem tem uma empresa procura ir para um segmento que não tem concorrência", diz Mônica.

Reinventar algo pode ser tão eficiente quanto criar uma coisa nova para o consumidor. Quem fez isso foi a empresa californiana Spurcycle, que criou uma buzina para bicicleta capaz de ser notada no barulhento trânsito das grandes cidades. A proposta de negócio, até certo ponto bastante simples, parece ter alcançado seu objetivo. Os empreendedores responsáveis pela ideia ingressaram no Kickstarter, um site de financiamento coletivo de ideias, pedindo US$ 20 mil para lançar o produto no mercado e até pouco mais de um mês já haviam conseguido US$ 73 mil.

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