Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Mentores ajudam na hora de decidir o que fazer

Empresários experientes auxiliam os pequenos, mas quem atua de forma independente sofre para encontrar 'professores'

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

29 de agosto de 2013 | 16h56

A jornada de um empreendedor é muitas vezes solitária. Mas a figura do mentor tem ajudado a tornar essa trajetória mais colaborativa. Esse tipo de relacionamento ganhou destaque no Brasil com a chegada da Endeavor, em 2000, e atualmente uma segunda geração de mentores aparece por meio das aceleradoras. Mas para quem não faz parte de nenhuma associação, o desafio está justamente em encontrar alguém disposto a ajudar.

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Em geral, o mentor é um profissional que entende muito de determinado assunto e tem experiências para compartilhar que podem servir de aprendizado para o empreendedor. De acordo com o professor de empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, é raro o empresário brasileiro ter um mentor. “Não existe a cultura, mas existe a pretensão. Normalmente, quando você pede ajuda para um amigo ou amigo do amigo, existe uma certa boa vontade em ajudar o pequeno empreendedor”, afirma Nakagawa, que atua como mentor da Endeavor e das aceleradoras Artemisia e Tree Labs.

O fundador da Tecno Logys, Valério Dornelles, teve contato com mentores quando começou a fazer parte da Endeavor, em 2008. Desde então, Dornelles, que atua no ramo da construção civil, já recebeu dicas valiosas, como a de Rubens Menin, da MRV, quando ele precisou saber mais detalhes sobre o fenômeno da classe C no País.

Ele também discutiu a desativação de uma unidade de negócios com Emílio Odebrecht e a oportunidade de uma sociedade em uma fábrica com o executivo Oscar Bernardes, que participa do conselho de grandes empresas brasileiras. “Os momentos de ‘mentoria’ foram importantes não apenas para a tomada de decisão, mas para a minha formação como empreendedor”, analisa.

A Artemisia tem uma rede de 50 mentores para ajudar no processo de aceleração de startups e formação de negócios sociais. Nelo Brizola, responsável pela busca e seleção de empresas para a aceleradora, pontua que, no início, a relação costuma ser de troca de experiências, mas que ela pode até evoluir para parcerias comerciais. “É bem flexível”, destaca.

Durante o processo de aceleração da startup Ligado no Enem, o empresário Marco Antonio Contreras conversou com uma série de mentores, das mais variadas áreas. “Nem sempre as pessoas do nosso círculo de amizades têm todo conhecimento. O bacana da Artemisia é ter acesso aos profissionais especializados, sem a necessidade de uma ligação anterior. Isso acaba criando um relacionamento estratégico.”

Um dos mentores de Contreras foi o advogado Rodrigo Menezes, do escritório Derraik e Menezes, que tem atuação nas áreas de venture capital, fusões e aquisições. “A indústria do empreendedorismo tem que ser colaborativa. As pessoas tem que se ajudar”, afirma Menezes, que também é mentor na Endeavor.

Desafio. Mas esse sistema ainda tem um problema: quem atua de forma independente terá mais dificuldades de achar um mentor disposto a ajudar, até por não saber como iniciar o relacionamento. A dica do professor do Insper é primeiro refletir sobre qual desafio o empresário vive e qual vai viver no futuro para depois buscar um mentor. “É preciso acionar a rede de contatos e nesse momento o LinkedIn é importante.”

Atenção

Instituições, aceleradoras e incubadoras têm uma rede de mentores. Para quem está sozinho, será preciso acionar os contatos pessoais para ter ajuda.

Perfil

Em geral, os mentores são executivos de médias e grandes empresas, professores da área de negócios e consultores dispostos a ajudar.

Dica

Acionar a rede de contatos no LinkedIn pode ajudar. Explique a situação e marque um encontro informal, pode ser um almoço ou café.

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