Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

MEIs e autônomos recuperam vendas melhor que PMEs, diz pesquisa

Análise de transações de 55 mil CNPJs do País mostra que, de março a maio, vendas de MEIs tiveram queda média de 1,91% em nove semanas, enquanto PMEs caíram 53,40%

Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2020 | 06h00

Um levantamento feito pela PayGo, empresa de meios de pagamentos do grupo C6 Bank, mostra que, em nove semanas pesquisadas desde o fim de março, quando começou a quarentena imposta pelo novo coronavírus, as vendas de MEIs e autônomos caíram uma média de 1,91%, enquanto houve queda de 53,40% nas transações de pequenas e médias empresas.

Se consideradas apenas as últimas quatro semanas, de 23 de abril a 20 de maio, os MEIs e autônomos registraram saldo positivo em todas as semanas (média de +14,11%), enquanto as PMEs ficaram com queda média de -45,04%. O estudo usou como base de comparação a média diária de vendas de janeiro a março, analisando o movimento dos 55 mil CNPJs atendidos pela empresa no País. 

No início da pesquisa, os MEIs e autônomos chegaram até meados de abril em queda, mas apresentaram melhora nas semanas seguintes. Para Philippe Katz, CEO da PayGo, isso pode ser explicado por dois fenômenos: as PMEs ficam concentradas em grandes centros urbanos ou nas principais ruas e centros de venda – que estão fechados. Enquanto isso, os MEIs e autônomos atuam com mais informalidade, em geral sem estabelecimento físico, o que possibilitaria uma agilidade maior.

Contudo, Katz faz uma ressalva: “Isso não quer dizer que os MEIs foram menos impactados. Muitas vezes, o valor nominal é menor e eles faturam menos, então uma queda de 10% no faturamento pode significar muito”, e explica que pequenas e médias empresas são mais estruturadas, possuindo um conforto financeiro maior.

Entre os MEIs, o Centro-Oeste (+18,74%) e o Norte (+3,98%) apresentaram uma média positiva nas transações nas nove semanas. Sul (-8,40%), Sudeste (-3,12%) e Nordeste (-1,91%) ficaram no negativo.

Com relação às PMEs, o segmento mais afetado foi educação (-90,39%) e turismo e entretenimento (-88,59%). A menor queda ficou no setor de alimentação, com redução de -7,20%, provavelmente puxado pelo aumento dos serviços de delivery.

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* Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni

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