Diego Canteiro, da Loremí, notou aumento da procura pelo ‘fumacê’, antes pontual
Diego Canteiro, da Loremí, notou aumento da procura pelo ‘fumacê’, antes pontual

Medo do Aedes se torna um bom negócio

Empresas de dedetização relatam alta de até 60% na procura pelo serviço particular

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo,

24 de fevereiro de 2016 | 07h39

A proliferação do Aedes aegypit e a gravidade das doenças que o mosquito pode transmitir tem causado um movimento atípico em empresas de dedetização: pessoas e donos de empresas agora buscam com maior frequência esses serviços para afastar o risco de contaminação pelo zika vírus, dengue e chikungunya.

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O fenômeno ainda não é detectado em números pela Associação dos Controladores de Vetores e Pragas (APRAG), mas a instituição já consegue identificar um movimento de chamados que vai além da sazonalidade natural do segmento. O setor tende a receber mais pedidos no verão, período do ano em que o ciclo de insetos e pragas também é mais acelerado.

Para Sérgio Bocalini, biólogo responsável pela APRAG, os chamados atípicos têm chegado de condomínios e empresas, que abrem mão do controle periódico habitual, que varia entre um ano e seis meses, para intensificarem o combate ao Aedes aegypit. “As pessoas e as empresas começam a ter dificuldade em resolver o problema da proliferação do mosquito e partem para o trabalho profissional”, explica Sérgio Bocalini.

Em São Paulo, Estado que viveu a pior epidemia de dengue da sua história no ano passado, com 649 mil casos e 454 mortes, 612 dos 645 municípios tiveram transmissão do vírus. Já o zika vírus, suspeito de estar associado ao nascimento de bebês com microcefalia, má formação cerebral que pode resultar em deficiências ou mesmo a morte do bebê, avança pelo País.

Esse cenário preocupante, que se repete desde janeiro deste ano, reflete diretamente no movimento de empresas como a dedetizadora DDDrin, que atua na capital.

Dos 1,5 mil atendimentos realizados em janeiro, 20% foram para controle de pernilongos, aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. “O aumento de pedidos é substancial, principalmente em áreas grandes de condomínios, clubes e pátios de empresas”, conta o diretor da DDDrin, Jean Claude Ville.

O serviço, que no caso do empreendimento tem custo mínimo de R$ 800, passou a ser solicitado por residências, algo que não acontecia no ano passado na DDDRin. “Todos os dias enviamos alguma equipe para controle do Aedes. As pessoas estão realmente preocupadas”, analisa o empreendedor.

O perfil do atendimento também mudou. Antes, o controle de vetores e pragas acontecia em um mesmo local (empresa ou residência) a cada seis meses ou uma vez por ano. Desde janeiro, porém, chamados por visitas periódicas se multiplicaram. Conforme explica o diretor da empresa, o fenômeno acontece porque, em uma área residencial, o mosquito que vem de um criadouro pode circular por outras casas. “Acabamos intensificando os programas de controle mensal e semanal em residências.”

Na Loremí, o aumento nos chamados para combater o Aedes foram ainda mais expressivos. O biólogo responsável pelo departamento técnico da dedetizadora, Diego Canteiro, relata alta de 60% nos pedidos concretizados e espera que esse número aumente ainda mais até o fim do período de chuvas.

Na empresa, a aplicação do ‘fumacê’, como é conhecida a técnica de extermínio do Aedes aegypti mais comum, pode custar a partir de R$ 600 em uma residência, serviço que até o meio do ano passado era solicitado de forma pontual. Há pouco mais de seis meses, porém, o telefone da Loremí toca todos os dias. Do outro lado da linha, clientes em busca de uma solução rápida para o problema. Por isso, a empresa se prepara para faturar com a perspectiva de um salto nas solicitações de atendimento, mas garante que não aumentou o preço.

“Tendo em vista toda a repercussão na mídia, a população ainda está assimilando o risco do mosquito”, analisa Canteiro. “O inseto voador atinge a todos, desde residências e condomínios até empresas. É um nicho que tende a crescer ainda mais”, avalia o biólogo. A empresa já estuda aumentar a equipe caso o incremento da demanda realmente se perenize.

Obrigatório. O porta-voz da APRAG, Sérgio Bocalini, pontua que, em alguns casos, como o de empreendimentos, o controle de mosquitos e pragas, em geral, é determinado por lei, o que também amplia a procura pelos serviços das dedetizadoras. “Há uma obrigatoriedade legal de alguns setores fazerem o controle de pragas. São cadeias (de empresas) que naturalmente procuram esses serviços e agora intensificam o combate”, analisa Bocalini.

Esse cliente corporativo beneficia empresas como a TSERV, rede que atua em polos industriais como os instalados em Mogi das Cruzes e São José dos Campos, no interior do Estado. Nos serviços totais ligados ao extermínio do Aedes, que vão desde o ‘fumacê’ até a limpeza de possíveis focos do mosquito, houve aumento de 40% nas solicitações. O crescimento, mesmo que de forma mais sensível, vem sendo notado por Rafael Lins, o responsável técnico da rede, desde 2011. Mas, a partir de dezembro do ano passado, houve incremento na procura pelos serviços – no caso apenas do combate ao mosquito, os chamados cresceram 30%.

“As doenças pegaram todo mundo. Não tem como diferenciar. O mosquito ataca classe A, B”, analisa. “Houve uma demanda maior pela repercussão da mídia. Tem gente de fora com medo de vir para o Brasil por causa disso. Afeta o mais pobre, o mais rico. Todo mundo se assustou”, garante Lins.

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