Andre Lessa/AE
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Medo da violência impulsiona mercado de blindagem

Safety Wall já triplicou faturamento de 2011 e tem planos de expandir para América Latina e África a partir de 2013

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

31 de agosto de 2012 | 14h35

Os muros estão mais altos, os alarmes ligados e os seguranças a postos. Mas esses cuidados não bastam. O medo da violência e a evolução da criminalidade ajudam a impulsionar o mercado de blindagem no País.

O engenheiro Felipe Masetti, 48 anos, enxergou nesse cenário uma oportunidade no segmento ao aliar desempenho e apelo estético.

O empresário é um dos sócios da Safety Wall, empresa de blindagem arquitetônica que até agora já triplicou o faturamento de todo o ano de 2011 e tem planos de internacionalização no próximo ano.

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Masetti é dono também de uma empresa de tecnologia aplicada à engenharia há 23 anos, a Building Control. Foi durante a execução de um projeto que surgiu a necessidade da instalação de produtos blindados. Ao buscar opções para o serviço, ele se deparou com um mercado carente de soluções eficientes com alto padrão de acabamento.

Para aproveitar a demanda reprimida, a Safety Wall foi criada em 2008, mas só chegou efetivamente ao mercado este ano. Nesse intervalo, os sócios aproveitaram para desenvolver os produtos, aperfeiçoar as soluções e conduzir obras pilotos.

Um dos diferenciais da empresa é trabalhar com uma mudança de conceito: ao invés de enrijecer eles deformam para resistir. Como exemplo, o engenheiro faz uma comparação entre o vidro e um lençol. O vidro ganha peso e espessura para resistir a uma pedra. No caso do lençol pendurado no varal, a pedra bate, deforma o tecido e cai no chão. O objeto consegue barrar a pedra, mesmo sendo mais leve.

O conceito se traduz na linha de produtos. Uma porta blindada da Safety pesa um terço das portas tradicionais, que chegam a pesar de 180kg a 200kg. Outro ponto de destaque é a eficiência de proteção. Como os projéteis ficam alojados nos painéis, isso evita a liberação de fragmentos que podem machucar.

A tecnologia oferecida pela empresa é resultado de pesquisas e uso de componentes de grandes companhias parceiras, como a DuPont e a 3M. A blindagem também não precisa ser sinônimo de portas pesadas com aspecto “grosseiro”. O cliente pode escolher entre mais de 500 tipos de acabamento, do amadeirado ao metalizado.

O sistema de segurança da Safety ultrapassa sua linha de serviços e produtos. Os instaladores e toda equipe assinam contratos de confidencialidade. “Tomamos todas as precauções para evitar que as informações caiam em mãos erradas”, conta Masetti. Entre os projetos já executados, estão o estande de tiro indoor do Exército Brasileiro, centros americanos de emissão de vistos e residências de alto padrão para personalidades famosas.

A Vault é outro empreendimento brasileiro que atua no segmento. Na década de 90, a empresa começou a investir fortemente na importação de portas contra arrombamentos. “Conforme a situação interna no Brasil foi evoluindo para pior, a demanda por esses produtos foi aumentando”, relata o sócio Roy Cuglovici, 52 anos.

Ao longo do tempo, empresa ampliou o portfólio de produtos, tem fábrica e cresce entre 15% e 20% ao ano. No começo, um caso de arrombamento ou assalto noticiado refletia em aumento de pedidos de serviços na Vault. “Agora as pessoas têm mais consciência e procuram se prevenir”, diz Cuglovici.

Diferencial

A insegurança e o crescimento econômico são fatores responsáveis pelos números positivos do setor. No ano passado, o Brasil atingiu o número de 165 mil milionários,10 mil a mais em comparação com 2010, segundo dados da consultoria Capgemini e do RBC Wealth Management.

“É preciso pensar em como desenvolver artigos e serviços para esse público, que compra produtos blindados por necessidade, mas também avalia tecnologia e estética. O ponto principal é como conciliar estética e segurança”, opina o professor Alexssandro Mello, do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (ProCED/FIA).

O alerta do presidente da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), Christian Conde, vai para o interessado se qualificar. “Temos um mercado competitivo e a exigência de registros com legislação específica. É preciso se preparar e buscar um diferencial”, aconselha. 

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