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Medo até de sobreviver faz cervejarias artesanais não comemorarem adiamento do imposto

As pequenas empresas do setor temem que o reajuste impacte o preço dos produtos

RENATO OSELAME, ESPECIAL PARA O ESTADO,

13 de maio de 2014 | 17h04

 As pequenas cervejarias brasileiras respiraram aliviadas nesta terça-feira (13), após a decisão do governo federal de adiar o aumento da tributação sobre as bebidas frias. A medida entraria em vigor no próximo dia 1º de junho, mas foi repassada para setembro. Os empresários do setor, contudo, não estão muito animados. Apesar de desfrutarem do período da Copa do Mundo sem o reajuste, eles acreditam que o preço amargo dos impostos pode comprometer a sobrevivência da produção de cervejas artesanais.

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Para o proprietário da cervejaria Bamberg Bier, Alexandre Bazzo, o adiamento mantém o problema que tornaria ainda mais injusta a competição entre micro e grandes empresas do setor. “Quando veio esse aumento, nossa preocupação era como faríamos para sobreviver. Tivemos cervejas que iriam pagar 70% de impostos sobre o valor dos preços. Agora adiou, mas a preocupação continua”, afirma.

O cenário também é problemático para a Cervejaria Theodora, que na semana passada completou seu primeiro ano de existência. Com uma produção mensal que varia entre 1,5 mil e 2 mil litros de cerveja e que é destinada exclusivamente ao restaurante da sua fábrica, a empresa está investindo para o Mundial e prevê um aumento no consumo de 50% para o período, mas o cenário a longo prazo não é animador. “A tributação já é bastante abusiva. É muito difícil ser empresário nesse País”, avalia Maurício Moraes, um dos donos da microcervejaria.

A estratégia da cervejaria é não repassar toda a alta dos impostos aos consumidores porque o consumo de cerveja está desaquecido. A previsão é a de que apenas 15% do valor da tributação seja pago pelo amantes do produto.  “Absorvemos porque é muito difícil lutar contra”, explica Moraes, “Mas isso impacta também porque poderíamos fazer mais contratações e investimentos na empresa, mas estamos segurando.” Já a Bamberg Bier estima que com o aumento o preço das bebidas se torne até R$ 6 mais cara.

A Lamas Bier, empresa que comercializa insumos para a produção de cerveja, afirma não ter sido surpreendida pela decisão do ministério da Fazenda de protelar o aumento tributário. Para David Figueira, um dos sócios da companhia, o Mundial naturalmente já eleva a demanda por cerveja, o que gera arrecadação extra para o Tesouro. “O problema é depois da Copa. Em período de baixa, o imposto pode ocasionar redução na demanda”, explica. Caso o cenário se agrave, Figueira acredita que comecem a ocorrer demissões no setor.

De acordo com Marcelo Rocha, proprietário da cervejaria Colorado e presidente da Associação Brasileira de Microcervejarias (Abmic), o adiamento é uma chance para os empresários do mercado de cervejas artesanais se unirem. “O adiamento nos deu mais tempo para nos articularmos e tentar explicar para o governo de que esse aumento foi muito mais pesado para nós”, conta. A respeito da Copa do Mundo, a Abmic acredita não ser possível avaliar se o período será favorável ao setor. “Estamos em um compasso de espera”, resume.

Para garantir a sobrevivência do mercado de cervejas artesanais, a aposta de alguns empresários é a aprovação de um projeto de decreto legislativo em tramitação na Câmara dos Deputados. A medida alteraria a incidência de impostos entre as bebidas frias. “A tributação cairia de cerca de 60% para 18%”, estima Moraes. Uma decisão favorável ao projeto também é vista com bons olhos por Figueira. “Não sei se enxergamos o adiamento nos impostos como uma coisa boa ou ruim. O que o setor gostaria é que houvesse isonomia nos impostos federais”, afirma.

Alta dos impostos

Entre maio de 2012 e fevereiro de 2014, houve alta de 23% nos preços da cerveja. A nova tributação proposta pelo governo federal, e adiada para setembro, previa a arrecadação de R$ 1,5 bilhão até o fim do ano. Os impostos teriam como objetivo auxiliar o governo federal a arcar com despesas relativas aos gastos extras das distribuidoras de energia elétrica. A expectativa é a de que alta dos preços aos consumidores fosse, em média, de 2,25%.

Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que a alta nos preços das bebidas frias fique em torno de 10 a 12%. A entidade também projeta que o aumento dos impostos irá acarretar na demissão de 200 mil trabalhadores do setor após a Copa do Mundo.

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