Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Medida provisória tenta estimular a entrada de negócios na Bolsa de Valores

Para especialista, volatilidade do mercado financeiro não é uma novidade

Renato Camilo, Especial para O Estado de S.Paulo,

28 de agosto de 2014 | 07h01

Para Cristiana Pereira, diretora comercial e de desenvolvimento de empresas da Bolsa, a volatilidade das pequenas e médias não é uma peculiaridade do Bovespa Mais, e sim da economia brasileira. “Essa é uma característica de se ter as ações negociadas na Bolsa. Inclusive falamos para os empresários que olhar o preço no dia-a-dia não ajuda. É preciso visão de longo prazo.”

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:: Google + :: Para estimular a entrada de pequenas e médias no Bovespa Mais, o Ministério da Fazenda publicou, no dia 10 de julho, a Medida Provisória (MP) 651 com um pacote de estímulos ao segmento. Entre as mudanças, os investidores que comprarem as ações em ofertas primárias estarão isentos de imposto. A medida vale para quem, antes do IPO, tenha valor de mercado inferior a R$ 700 milhões e cuja receita bruta tenha sido menor que R$ 500 milhões no exercício anterior.

Apesar dos incentivos agora oferecidos, a BM&F Bovespa, que em 2014 ainda não realizou IPO em nenhum segmento de listagem, afirma também não ter projeções para novas ofertas de ações no Bovespa Mais. “O IPO em si não depende só das condições regulatórias. Depende de conjuntura, da necessidade de preparação da empresa. É difícil antecipar”, analisa Cristiana Pereira. Ela afirma que ainda não há previsão para novos incentivos ao mercado de capitais pois é necessário avaliar os reflexos da MP 651. “Precisamos absorver essa medida e entender o impacto. A avaliação será feita em cerca de um ano, a não ser que surja algo específico.”

Para Fabio Gallo, professor de Finanças da FGV e da PUC-SP, a proposta do ministério é interessante, mas a realização de novas ofertas não depende só dela. “As empresas com potencial efetivo de realização de IPO não estão entrando no mercado porque está muito difícil.”

A alta volatilidade da Bolsa, o fraco desempenho da economia e a dificuldade na coleta de tributos são os maiores obstáculos. “Muita gente não entra porque não compreende o que será cobrado. Sem algumas facilidades, o iniciante não vai entrar mesmo”, conclui.

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