Empreendedoras Maduras/Divulgação
Empreendedoras Maduras/Divulgação

Marketplaces fortalecem negócios de mulheres, PCD, negros, trans e refugiados

Sites de nicho dão visibilidade a empreendedores e permitem troca de conhecimentos e contratação de serviços; mulheres com mais de 40 anos e pessoas com deficiência também são contempladas

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2021 | 16h32
Atualizado 13 de maio de 2021 | 12h46

Com o intuito de fortalecer negócios conduzidos por determinados grupos sociais, empresários e organizações criaram plataformas online que reúnem produtos e serviços de mulheres, refugiados, pessoas com deficiência, negros e trans. As propostas são no modelo de marketplaces de nicho ou apenas de anúncios, em que são possíveis a troca de conhecimento e também a contratação do serviço ou a compra de um produto.

Em dezembro de 2020, Bete Marin e Claudia Reis lançaram o Empreendedoras Maduras, site que reúne prestadoras de serviço e vendedoras com mais de 40 anos de idade. Ao observar a dificuldade que as mulheres nessa faixa etária encontram no mercado de trabalho, tendo o empreendedorismo como alternativa para manter a renda, elas investiram no projeto.

"Empreender neste período da vida, somado ao fato de ser mulher, é um ato de coragem e persistência que nem sempre é apoiado pela sociedade, o que faz com que nos sintamos sozinhas", diz Bete. Atualmente, são 81 vendedoras cadastradas e 22 compradoras, e ela explica que estão investindo esforços para gerar, primeiro, cadastro de vendedoras para depois iniciar a campanha a fim de atrair consumidoras. A meta é chegar a 500 cadastros de empreendedoras até o final de abril.

De acordo com o Sebrae, as mulheres começam a empreender mais tarde do que os homens, geralmente após a maternidade. Com isso, a maioria delas já tem experiência no mercado de trabalho quando decide iniciar o próprio negócio, sendo que 27,6% têm entre 31 e 40 anos, 25,67% estão na faixa de 41 a 50 anos, e 18% tem entre 51 e 60 anos.

Veja, a seguir, as plataformas que dão visibilidade a esse e outros grupos socialmente vulneráveis no mercado de trabalho:

Empreendedorismo feminino

  • Empreendedoras Maduras: na plataforma, tanto as vendedoras e prestadoras de serviço quanto as interessadas em contratar ou comprar fazem um cadastro no site para serem inseridas na rede. A ideia é que haja uma troca entre mulheres com mais de 40 anos. As compradoras fazem uma busca pelo que desejam, escolhem a opção mais adequada e esperam o envio da oferta. As negociações e os pagamentos ocorrem dentro da plataforma e, por fim, é feita a avaliação do serviço.
  • Rede Mulher Empreendedora: a organização criou, em 2019, um marketplace para auxiliar mulheres de forma mais abrangente. O site tem o objetivo de ajudar na geração de renda e divulgação dos negócios. Atualmente, quase 1,7 mil empreendimentos estão cadastrados. No espaço, as empreendedoras fazem o cadastro dos produtos e serviços, e o consumidor pode fechar a venda na própria plataforma.
  • Loja na Amazon: a empresa lançou neste mês, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, uma página que reúne produtos de empreendedoras com histórias inspiradoras. Os negócios já vendem no site, mas a ideia da iniciativa é concentrá-los em um único espaço para dar mais visibilidade ao empreendedorismo feminino. O site traz depoimentos de algumas delas, tem uma área dedicada à venda dos produtos e uma seleção de livros (com ebooks gratuitos) com temática feminina e/ou escrito por mulheres.

Empreendedorismo trans

  • EmpoderaTrans: criado em junho de 2020 pelos sócios da Transempregos, o site reúne pequenos empreendedores transexuais. São anunciados produtos e serviços na plataforma, que vão desde roupas, acessórios e comidas até atendimento psicológico e nutricional. Os interessados devem procurar os anunciantes por meio dos contatos exibidos na página, pois ainda não é posssível fazer a negociação dentro do site.

Empreendedorismo negro

  • Mercado Black Money: também em março do ano passado foi criado o marketplace destinado a conectar empreendedores e consumidores negros. Na plataforma, é possível comprar livros, cursos, cosméticos e ter acesso a serviços de jardinagem, limpeza, consuloria, entre outros. O site já soma mais de 800 lojas, das quais 70% são comandadas por mulheres nas áreas de moda, infoprodutos e educação.
  • Feira Preta: Em maio deste ano, a Feira Preta - evento de cultura e empreendedorismo negro - lançou, em parceria com o Santander, um marketplace para vender produtos e serviços desenvolvidos por empreendedores de grupos minorizados, como negros, indígenas, LGBTQIA+, quilombolas, entre outros.  Na estreia, o foco é em 130 empreendedores negros, com mais de 1.200 itens de decoração, moda, cosméticos, afro-religiosos e papelaria na plataforma. Em um segundo momento, poderão vender também no marketplace empreendedores que pertençam a outros grupos minorizados. Por enquanto, podem se inscrever no site apenas os negócios que já passaram por alguma edição da Feira Preta.

Empreendedorismo de refugiados

  • Refugiados Empreendedores: a platafora foi criada pela ONU para Refugiados (Acnur) em parceria com a Rede Brasil do Pacto Global para divulgar os negócios desse grupo social. A diferença é que, além de receber apoio de consumidores locais, empresas também podem acionar esses empreendimentos. Para participar, o refugiado precisa preencher um formulário na plataforma, e a equipe responsável entra em contato para registrá-lo. Até agora, 57 negócios de nove nacionalidades estão cadastrados, 70% deles liderados por mulheres. Os segmentos vão desde marcenaria, design, artesanato e moda até gastronomia, que é o setor mais recorrente.

Empreendedores com deficiência

  • Uinhub: a plataforma digital desenvolvida pela Talento Incluir, consultoria de diversidade e inclusão, é voltada para pessoas com deficiência. O espaço reúne produtos, serviços e conteúdo sobre acessibilidade, saúde, cultura, educação, empregabilidade, esporte, lazer, mobilidade, vestuário, entretenimento, direitos, redes de apoio, entre outros. O marketplace foi lançado em abril e, atualmente, conta com 24 lojas cadastradas. 

Quer debater assuntos de Carreiras e Empreendedorismo? Entre para o nosso grupo no Telegram pelo link ou digite @gruposuacarreira na barra de pesquisa do aplicativo. Se quiser apenas receber notícias, participe da nossa lista de distribuição por esse link ou digite @canalsuacarreira na barra de pesquisa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.