Wilton Junior/Estadão
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Marca de suco quer faturar R$ 180 milhões

Empresa carioca aposta em produto 100% natural e fechou contrato para distribuição na rede Pão de Açúcar, em São Paulo

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

02 de julho de 2013 | 06h50

As caixinhas coloridas de suco da empresa Do Bem agora podem ser encontradas nas lojas Pão de Açúcar do Estado de São Paulo. A expectativa é de que as vendas na rede elevem em 15% o faturamento anual, iniciativa importante para o negócio atingir a meta de R$ 180 milhões estipulada para 2016.

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Os sucos já eram vendidos em 23 unidades do Pão de Açúcar e Extra no Rio de Janeiro desde o ano passado e a entrada no mercado paulista esta semana surgiu de uma negociação natural diante da performance de vendas nos supermercados cariocas.

A Do Bem entrou no mercado com a proposta de inovar na categoria de sucos naturais em caixinha no Brasil e surgiu da vontade do empresário Marcos Leta de desenvolver um produto para simplificar a vida das pessoas que buscavam consumir produtos mais saudáveis. "A história começou depois de eu tomar suco de laranja em uma casa de suco e pensar: 'por que não existia no mercado um suco 100% espremido em uma caixinha?'", conta.

A pesquisa para desenvolver a tecnologia de envasamento do suco sem conservantes e sem corantes durou dois anos. A empresa compra as frutas diretamente dos produtores e faz a divisão por safras. As amostras de cada safra são levadas para laboratório, onde são analisados fatores como cor, sabor e doce natural. "Fazemos igual vinho, um blend de safras para chegar ao nosso padrão", explica Leta.

Em seguida, o suco é processado, pasteurizado e embalado. "O que estraga qualquer bebida ou alimento é o contato com o ar. O nosso maior desafio é fazer com que aquela bebida em nenhum momento tenha contato com o ar. Assim, conseguimos colocar um suco totalmente fresco em caixinha", pontua o empresário. Para isso, a Do Bem realiza uma pasteurização rápida para matar microrganismos e envasa o produto em embalagens Tetra Pak a vácuo. Assim, o negócio consegue ampliar a validade do suco de laranja natural para quatro meses.

A média de preços de um suco Do Bem é de 20% a 30% mais caro em relação aos concorrentes convencionais. De acordo com Leta, o diferencial do seu empreendimento está nos benefícios nutricionais presentes em um suco natural em comparação com o que existe no mercado composto com 30% de fruta e o restante de água e açúcar. "Cada um tem o seu mercado, mas não vale mais a pena ter um suco com 100% de fruta fresca, com todas vitaminas de um suco verdadeiro para beneficiar sua saúde?", diz.

Atualmente, a Do Bem tem nove sabores, incluindo água de coco e chá mate com limão. Até o fim do ano, serão mais cinco lançamentos. Este ano, a empresa também vendeu os sucos pela primeira vez no exterior. Foi para a rede parisiense Le Bon Marché durante evento em que a marca francesa ofereceu uma série de produtos brasileiros aos clientes. "Estamos em negociação para manter o envio dos produtos e abrimos recentemente uma área na empresa com representação para a Europa", conta Leta.

Apesar do mercado de sucos naturais estar mais consolidado lá fora, Leta aponta dois diferenciais da empresa brasileira no exterior: as frutas tropicais e o suco fresco. "Setenta por cento da produção de suco de laranja europeu vem do Brasil. Por mais que eles comprem o suco fresco em tambores refrigerados, sempre existe uma perda de vitaminas e minerais nesse processo", afirma.

Mercado. De acordo com a analista de mercado da empresa de pesquisa Nielsen, Sabrina Balhes, entre as categorias consideradas saudáveis, a de suco pronto é a que mais cresce no País. Em 2012, as vendas aumentaram 21,7% em comparação com o ano anterior, de R$ 2,4 bilhões para R$ 3 bilhões. E o cenário está relacionado com a preocupação cada vez maior com a saúde. "A saúde aparece como a principal preocupação dos brasileiros, ao contrário dos outros países da América Latina, que se preocupam, primeiro, com a estabilidade do emprego e com a economia", diz Sabrina.

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