João Gorrin
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Marca de carne vegetal aposta em nova tecnologia e aumenta 15 vezes a produção

Foodtech The New, antiga The New Butchers, aposta em nova fábrica na zona oeste de São Paulo para crescer 500% até 2022; rebranding conta com personagem Beiçola como garoto-propaganda

Juliana Pio, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2021 | 19h49

A marca The New Butchers decretou a aposentadoria dos 'açougueiros'. A foodtech de carnes vegetais agora é somente The New (sem o Butchers, açougueiros em inglês). A companhia celebra neste mês o segundo ano de mercado com faturamento em alta e lança nesta quarta-feira, 1, nova proteína vegetal com tecnologia exclusiva desenvolvida na fábrica recém-inaugurada na Lapa, zona oeste de São Paulo. 

A partir de agora, os produtos da The New serão compostos por três fontes de proteína: à ervilha foi adicionada a lentilha e o arroz. A nova fórmula patenteada New Protein conta com ingredientes 100% naturais, que agregam maior valor nutricional e menor teor de gorduras e sódio, prato-cheio para os flexitarianos, principal público-alvo dos negócios plant-based.

A novidade vem acompanhada do aumento da capacidade da nova fábrica, que começou a operar em agosto, com 30 funcionários. O espaço é seis vezes maior que a primeira unidade, tem cerca de 2.000 metros quadrados e permitiu um salto de 15 vezes na produção, para 80 toneladas de carne vegetal por mês. Para os próximos dois anos, a expectativa é chegar a 240 toneladas/mês. 

“A gente vem trabalhando muito forte na fábrica para tornar os produtos ainda mais clean label (rótulo limpo) e saudáveis. Conseguimos chegar em um blend de proteínas, uma matriz proteica, que nos possibilita fazer todas as versões de carnes, inclusive, inovar", explica Bruno Fonseca, CEO e fundador da The New, em entrevista exclusiva ao Estadão.

Pioneira no Brasil a experimentar uma imitação de frango, a empresa também tem no portfólio linhas de análogos de peixe, como salmão e bacalhau, bovinos e vai lançar ainda neste ano a carne vegetal de porco. O catálogo deve aumentar de 10 para 16 produtos (de varejo e foodservice), com preços que variam de R$ 19,90 a R$ 24,90 ao consumidor final. 

Embora não revele cifras, a startup, considerada uma das primeiras no setor de carnes vegetais no País juntamente com Fazenda Futuro, NotCo e Impossible Foods, vem crescendo desde a sua estreia, em outubro de 2019, e aumentou em 86% o faturamento nos sete primeiros meses de 2021, em comparação com o ano passado. 

A marca aposta em alta de 500% para 2022. Mas o número pode ser ainda maior se considerar que 46% dos brasileiros, de todas as regiões, já deixaram de comer carne animal por vontade própria, pelo menos uma vez na semana, segundo pesquisa de 2021 do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria, antigo Ibope Inteligência), encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). 

Além do aumento das vendas durante a pandemia, a The New vem colhendo os frutos do  aporte que recebeu no início do ano da Lever VC, fundo americano que apostou nas colegas vegetais Beyond Meat e Impossible Foods. A startup também tem como um dos investidores Paulo Veras, cofundador da 99, primeiro unicórnio do País.

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“Devemos fechar a rodada de investimentos série A até novembro deste ano. Estamos na etapa final de diligência com três fundos”, afirma Fonseca. Os recursos serão usados na expansão do plano comercial e de marketing da marca para locais onde ainda tem baixa penetração, como Norte e Nordeste. Por esse motivo, o projeto de internacionalização previsto para este ano ficou para depois. 

“Foi uma mudança estratégica. Decidimos primeiro fortalecer a marca no Brasil, melhorar nossos produtos e depois ir para fora. Atualmente, temos 1.300 pontos de venda ativos no País, e vamos inaugurar nosso e-commerce também neste mês”, complementa o executivo.   

Fórmula mais proteica e saudável 

A The New é uma das cerca de 30 marcas (entre análogas e vegetais) com distribuição regional, além de grandes frigoríficos, como a JBS, que disputam fatia do mercado plant-based no Brasil, segundo mapeamento do The Good Food Institute no Brasil (GFI) realizado em agosto.

Embora recente, o setor de carnes vegetais no País cresceu quase 70% entre 2015 e 2020, alcançando cerca de US$ 83 milhões somente no ano passado, segundo dados da Euromonitor International, provedor de pesquisa de mercado. No mesmo período histórico, o consumo do alimento também teve alta de 49%, totalizando 6,3 milhões de toneladas em 2020. 

Para 2025, há uma expectativa de crescimento de 73% em volume e 58% em valor de mercado, o equivalente a 10,8 milhões de toneladas e US$ 131,3 milhões respectivamente.

Para se destacar frente à concorrência, a The New aposta alto na New Protein, nova fórmula exclusiva de proteína vegetal. Além de não utilizar soja e nenhum outro ingrediente alergênico na composição, como glúten, a união de diferentes fontes de proteínas (ervilha, lentilha, arroz) na tecnologia exclusiva da startup promete mais sabor, nutrição e saudabilidade.

“Ao mesclar fontes diferentes de proteínas vegetais, alcançamos todos os aminoácidos essenciais em nossas carnes, um salto nutricional gigantesco. O novo produto tem mais suculência, 60% menos gordura saturada e 50% menos sódio, fora o acréscimo de 15% de proteína numa mesma porção”, explica o CEO e fundador da The New, Bruno Fonseca. 

A matéria-prima é importada, mas o processo de extrusão das proteínas isoladas e a produção do blend é feita na fábrica da empresa. 

'Beiçola' estrela campanha de marketing

Para o lançamento da nova marca e produtos, a The New conta com o ator Marcos Oliveira, o Beiçola do seriado A Grande Família, da TV Globo, como garoto-propaganda da campanha de estreia. A ideia surgiu após um vídeo do canal de humor Varanda Gourmet viralizar na internet. 

Fonseca conta que começaram a chegar inúmeras mensagens via redes sociais com menção ao Beiçola. “Descobrimos que o Maurício Meirelles e o Daniel Zukerman passaram um trote em nome da marca para o Marcos Oliveira propondo negócio e ele topou. Aí lançaram a brincadeira para a The New contratar de fato o Beiçola.”

Na campanha, o ator interpreta, em uma série de vídeos, um açougueiro (o ‘Butchers’, do The New) que sai em busca de uma fórmula perfeita e se aposenta ao encontrar a New Protein. Embora o preço final não tenha sofrido alteração com a novidade, Fonseca acredita que esse ainda é um grande desafio do setor. 

“Buscamos equilibrar essa balança, mas sem ferir o nosso pilar de saudabilidade. Outro desafio é fazer as pessoas experimentarem, por isso o slogan da campanha é ‘Bem-vindo ao novo’. A ideia é realmente apresentar o produto e mostrar que é possível sim fazer tudo com plantas. Conforme o consumo aumenta, ganha-se escala e reduz o preço, tornando a carne vegetal mais acessível”, finaliza. 

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