Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Máquina caseira só dá certo com dedicação

É preciso cautela e boa dose de paciência para garimpar bons negócios no setor onde a oferta é maior do que a demanda

Renato Jakitas, Estadão PME,

27 de junho de 2013 | 12h28

Um negócio milionário para quem cria. E com riscos consideráveis para aquele que compra. Assim é o mundo das máquinas caseiras, aquelas anunciadas na TV como oportunidades para complementar a renda ou iniciar uma empresa.

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Com pelo menos dez fabricantes em atividade no País, que desenvolvem ou importam equipamentos para onze segmentos distintos, o setor reserva algumas armadilhas e também (poucos) nichos lucrativos para o aspirante a empreendedor. O segredo para fugir do perigo e acabar com parte das incertezas não é diferente de quase todos os negócios tradicionais: paciência para prospecções e análise cuidadosa da atividade antes de investir.

De forma geral, especialistas e empresários não refutam as chances de sucesso que um empreendedor individual pode encontrar ao iniciar uma produção de fraldas descartáveis, tijolos ecológicos ou sandálias no quintal de casa. Contudo, eles são unânimes em reforçar que, dado o universo de opções e o já consolidado cenário de concorrência em determinados setores, é fundamental não se deixar levar pelo discurso apenas otimista dos fabricantes.

Professor de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Linduarte Vieira da Silva Filho adota a cautela ao opinar sobre os potenciais das máquinas caseiras. “Esse é um mercado até que interessante, mas desde que não se torne um devaneio para o empreendedor. O sonho de dar certo não pode iludir as pessoas, que devem ter sangue frio para entender e enxergar o mercado e a viabilidade do setor”, aconselha o especialista.

Silva Filho diz que a promessa de lucro rápido que quase sempre acompanha a comunicação dos equipamentos deve ser prontamente desconsiderada. “(O empresário) deve ter em mente que nos primeiros meses, arrisco dizer nos primeiros anos, não poderá contar com lucros e retiradas de dinheiro nesse negócio”, aponta.

Os riscos em virtude do despreparo dos investidores é um problema apontado pelos idealizadores das máquinas caseiras. Fundador da Compacta Print, marca que hoje lidera o filão de equipamentos caseiros, Edson Cortez costuma dizer que seu produto resolve apenas uma ponta do problema do cliente, a viabilidade da fabricação.

A outra parcela, que ele destaca preponderante, recai sobre os ombros do empreendedor. “Eu tenho total confiança no meu produto. Mas a pessoa tem de ter vontade para trabalhar, senão, não dá”, afirma Cortez, que começou o negócio com uma engenhoca para gravar estampas em tecidos e guardanapos e, hoje, fatura R$ 30 milhões por ano com mais de 60 tipos de máquinas. “O mercado cresce muito. Antes a pessoa queria complementar a renda. Hoje ela quer ser empreendedora”, conta ele, que planeja fechar o ano com receita de R$ 50 milhões.

O caso de Luiz Alberto Milani é um exemplo sobre como a força de vontade pode levar ao sucesso. Há dois anos ele comprou seu primeiro carrinho de coco verde para testar o mercado de eventos e feiras e hoje comanda uma empresa com 40 máquinas (entre pipoqueiras profissionais a máquinas de crepes). O negócio rende ao empresário, por mês, R$ 120 mil.

“A gente só trabalha em feiras e eventos, nada na rua. É um negócio que a gente foi sentindo aos poucos e que nos dá uma margem muito grande. A pipoca, por exemplo, é uma margem sensacional”, diz. Apesar de não ter feito um levantamento mais apurado sobre o ramo, Luiz Alberto acabou por investir justamente no nicho mais lucrativo do setor, na avaliação de Linduarte Silva Filho, do Instituto Mauá (veja outros setores interessantes abaixo). “Tem evento que participo com mais de 100 mil pessoas. Espalho os carrinhos e faturo”, comemora.

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