Mantega diz que ajuste fiscal fortalecerá País contra a crise

Ministro da Fazenda destacou que política monetária tem folga para defender o País de um contágio mais forte da crise

Ricardo Leopoldo, Agência Estado,

23 de agosto de 2011 | 12h48

 O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo vai utilizar  o processo de ajuste fiscal para tornar o Brasil mais forte e resistente aos eventuais efeitos da crise internacional sobre o País. "Política fiscal ficará mais na defensiva. Assim vamos estabelecer uma política monetária mais ativa", destacou. "Temos compulsório e taxas de juros elevados, que os países desenvolvidos não têm à disposição, que poderiam ser usados para enfrentar uma situação delicada", comentou na entrega do prêmio economista do ano 2011 em São Paulo.

Em discurso, Mantega ressaltou que o superávit primário "cheio" será cumprido em 2011, 2012 e 2013. Contudo, logo depois, respondeu a um grupo de jornalistas que o mesmo objetivo será também cumprido em 2014, pois essa é uma diretriz de gestão de política econômica determinada pela presidente Dilma Rousseff. De acordo com o ministro da Fazenda, o objetivo é conter os gastos de custeio, a fim de ter mais recursos disponíveis para que o governo realize investimentos em infraestrutura, o que será positivo para ampliar a capacidade produtiva do País, o que vai ajudar na redução de pressões inflacionárias futuras.

Mantega destacou que a consolidação fiscal, que foi empregada neste ano com o contingenciamento de R$ 50 bilhões do Orçamento, "não visa derrubar a economia, mas gerar um crescimento puro", com menos gastos correntes e avanço dos investimentos em infraestrutura. O ministro avaliou que a inflação no Brasil está em queda e deve registrar nos próximos meses uma expansão entre  0,30% a 0,40%

Política monetária

O ministro afirmou ainda que caberá ao Banco Central (BC) determinar quando poderá utilizar instrumentos de política monetária, como redução dos juros e de compulsórios, para que o Brasil possa enfrentar com novos instrumentos de gestão macroeconomia os efeitos  da crise internacional, caso seja necessário. "Eu estou fazendo a minha parte, que é a fiscal. Eu disse que cada mês vamos ter o resultado fiscal melhor do que o do mês anterior", destacou.

"Aí o Banco Central faz a sua parte. Se ele julgar que é oportuno, que as condições estão dadas, sem ameaçar a volta da inflação, então aí ele fará. Mas depende dele", afirmou, em conversa com jornalistas, depois de receber o premio Economista 2011 em São Paulo.

Confiança

Mantega voltou a reforçar que o Brasil "nunca esteve tão preparado para combater a crise econômica mundial, pois tem reservas internacionais de US$ 352 bilhões, mercado interno vigoroso, inflação sob controle e gestão fiscal muito favorável". "O déficit  nominal de 2011 do País será um dos dez menores do mundo", afirmou, durante entrega do Premio Economista de 2011 em São Paulo.

Mantega apontou que o swap de default de crédito (seguro contra uma moratória) da dívida soberana do País é menor do que o registrado por várias nações europeias. Outro diferencial é o "sistema financeiro sólido", o que não ocorre de forma tão expressiva nos EUA e zona do euro. "O Brasil tem um dos mercados de derivativos modelos do mundo", apontou. Contudo, o ministro ressaltou que o governo não vai permitir que o capital de curto prazo, conhecido por "hot money", ingresse no País e provoque efeitos negativos  de valorização exagerada do câmbio, pois isso pode prejudicar empresas e empregos 

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