Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Madeira é a aposta para relógios e até armações de óculos

Empresários apostam na tradicional matéria-prima para produzirem novos produtos

Gisele Tamamar, Estadão PME,

01 de dezembro de 2014 | 21h10

A combinação do uso da madeira como matéria-prima e o design brasileiro é a aposta de dois grupos de amigos que se uniram para empreender. A Camará, do Rio de Janeiro, está em fase inicial e produz relógios de pulso. Já os sócios da Notiluca, de São Bernardo do Campo, criaram a empresa há dois anos e planejam exportar seus óculos a partir de 2015.

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Apostar em óculos e relógios de madeira, do ponto de vista empreendedor, é menos estranho do que pode parecer. Para o coordenador do curso de design da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Milton Francisco, há potencial para esses produtos, principalmente nas empresas que apresentam design diferenciado e exploram a "brasilidade" na marca. Mas por que essa matéria-prima, tão tradicional, faz sucesso? "Primeiro, pelo próprio charme da madeira, que é aconchegante. Segundo, porque sai do material sintético e traz personalidade, dá a ideia de um produto personalizado", explica.

Para quem pretende investir no segmento, Francisco, entretanto, faz um alerta: não é porque virou moda fazer peças de madeira que o empreendedor deve começar a produzir sem planejamento. "A produção exige um conhecimento aprofundado. Não é só pegar qualquer tipo de madeira. O produto entregue precisa ter qualidade e não pode ser perecível", diz.

No caso da Camará, as pesquisas duraram cerca de dois anos e começaram com os amigos Reny Horokoski e Felipe Lontra; depois eles ganharam a companhia dos outros sócios, João Victor Azevedo e Carlos Eduardo Oliveira. As primeiras vendas começaram no meio do ano, para amigos e familiares, e hoje o grupo está presente em oito pontos de venda e planeja lançar a loja virtual da marca em 2015.

"Temos um design diferenciado. A madeira é um material nobre e buscamos trabalhar com um design elegante, mais delicado", conta Lontra. Outro diferencial foi criar um conceito com o objetivo de valorizar a cultura brasileira.

De acordo com Lontra, o desenvolvimento do projeto exigiu um investimento inicial de R$ 7 mil. De locais improvisados, a empresa começou a ser incubada no Instituto Gênesis, da PUC-Rio, e passou a contar com a ajuda de uma equipe qualificada. O primeiro modelo lançado tem oito variações (cor da madeira e tipo de pulseira, por exemplo) e custa R$ 350. Desde o início da empresa, foram vendidas 100 peças. "Pensamos em exportação, mas ainda não é o momento. Primeiro temos que pensar em ser reconhecidos na nossa própria casa", diz Lontra.

Estilo. Com dois anos de existência, a Notiluca tem uma nova estratégia para 2015: entrar no mercado de óticas e exportar. Para isso, a empresa deu início a uma série de mudanças no produto, como a implantação de peças nas armações que possibilitam ajustes. Isso porque, no caso nos óculos de grau, dependendo do caso, são necessárias mudanças na inclinação das hastes e na armação frontal. "A armação só de madeira impossibilita ajustes finos. Por isso, vamos mudar algumas características das peças", afirma Fernando Rodrigues, que fundou a empresa com os sócios Leonardo Valente e Fabio Willers.

:: Confira um vídeo com a história da Notiluca ::


A previsão é lançar os novos modelos durante a feira do setor, em abril. "Queremos mudar o panorama desse tipo de produto no Brasil e não ficar sempre batendo em cima da madeira como se ela fosse uma eterna novidade. A intenção é oferecer para o consumidor o óculos de madeira com as mesmas características técnicas que ele está acostumado a encontrar em armações de outros materiais", diz Rodrigues. A marca produz 1,5 mil peças por mês e até agora já dobrou o faturamento do ano passado, de R$ 700 mil.  

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