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Momento do País ajuda a piorar a situação, segundo Gesival Moreira
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Longo caminho até a profissionalização

Caminhoneiro autônomo vive um problema hoje no País: tem faturamento alto, mas lucratividade é proporcionalmente baixa

Renato Jakitas, Estadão PME,

27 de março de 2015 | 07h19

Sazonal, altamente povoado e marcado pela informalidade. O transporte rodoviário de cargas vem passando por uma transformação nos últimos anos do ponto de vista da gestão e da tecnologia embarcada. Mas essa profissionalização está demorando a chegar entre autônomos e pequenos representantes. Como resultado, o segmento movimenta faturamento alto, mas tem baixa lucratividade. Além disso, há um cenário onde a demanda parece muito maior do que a oferta.

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Existem 580 mil caminhoneiros autônomos apenas em São Paulo, segundo dados da federação da categoria, a Fecam-SP. Em média, esses profissionais trabalham 13 horas por dia, o máximo estipulado por lei, com direito a descansos regulares de trinta minutos a cada quatro ou cinco horas.

Transportando cargas para todos os lados, os caminhoneiros giram um faturamento considerado alto, mas colocam no bolso, por mês, entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil.

“É uma atividade onde não se ganha muito dinheiro, infelizmente. Às vezes é melhor para o caminhoneiro trabalhar como funcionário registrado em uma transportadora”, conta Claudinei Peregrino, presidente da Fecam-SP. “O preço do frete vem caindo consideravelmente quando a gente põe no papel o aumento do custo que é colocar um caminhão na estrada”, afirma o empresário.

Dono de três carretas de médio porte, o caminhoneiro Gesival Pimentel Moreira é a prova sobre como a competitividade está apertando os resultados do setor. “Às vezes eu contrato agregados para alguns carretos. Se eu colocar um papel na porta avisando isso, vai fazer uma fila de carreteiros aqui”, afirma. “Tem muito profissional e o momento também está fraco, o que dificulta ainda mais”, analisa.

“Tem um número realmente grande de caminhoneiros em São Paulo. A demanda é maior que a oferta”, concorda Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo (Sindicam-SP). “Além disso, a gente está defasado no preço do frete. Uma de nossas lutas é a tabela mínima, para que tenhamos uma referência de valor a cobrar. Hoje o mercado é quem dita o preço e como os caminhoneiros são dispersos, fica difícil forçar um valor justo.”

Setor. Com idade média de 18 a 20 anos, a frota de caminhões mantida no Estado pelos pequenos e autônomos é considerada ultrapassada. Isso, segundo os próprios profissionais, reduz a competitividade e aumenta os custos do frete. “Um caminhão velho consome mais combustível e dá mais manutenção. Cerca de 50% do valor do frete é gasto com combustível em um veículo antigo. Já no novo, esse número gira em torno de 35%”, observa Claudinei Peregrino.

Segundo Peregrino, com a nova política de ajuste fiscal implementada pelo governo federal, as taxas subsidiadas para renovação de frota ficaram mais difíceis e mais caras. “Agora vai ser ainda mais difícil pegar um empréstimo no BNDES.”

Alternativa. Um caminho possível para a categoria, entretanto, pode vir do paulistano Fernando Magalhães. Ele herdou um caminhão do pai, que faleceu, e há dez anos atua no setor como prestador de serviço de transportadoras maiores. “Eu sou agregado de empresas grandes, sou prestador de serviço fixo. Acho que por isso não sinto muito as variações do mercado, faturo mais ou menos a mesma coisa”, conta ele.

Fernando possui dois caminhões da marca Scania e um Volvo, todos com capacidade de 34 mil quilos de carga. “Tenho mais ou menos R$ 1 milhão investido em veículos e meu faturamento gira em torno de R$ 70 mil a R$ 80 mil por mês”, conta o empreendedor. Segundo dados do segmento, a margem de rentabilidade média do setor gira em torno dos 6%. Um caminhão de grande porte carregado faz 1,6 quilômetro por litro de diesel. 

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