Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Lojas de vitrolas aproveitam volta do vinil

Aparelhos importados custam entre R$ 600 e R$ 7,5 mil

Gisele Tamamar, Estadão PME,

09 de dezembro de 2014 | 06h49

Os discos de vinil não são encontrados mais apenas em sebos. A volta dos LPs anima colecionadores, alimenta a onda retrô e ajuda a aumentar o faturamento de pequenas empresas especializadas na venda de vitrolas e toca-discos. É o caso da Catodi Casa dos Toca-Discos e da loja virtual Trapemix.

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Localizada na região da Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, a Catodi existe desde 1957. O interesse pelos aparelhos voltou a aumentar a partir de 2009, com a popularização da tecnologia USB e a conversão de músicas para o formato digital. "Isso deu um gás inacreditável, acho que nem os fabricantes imaginaram que o retorno poderia ser o estrondo que foi", diz Luiz Peres, que assumiu o negócio criado pelo pai e hoje vende entre 200 e 250 aparelhos por mês.

A loja comercializa desde uma vitrola de R$ 600 até toca-discos de R$ 7,5 mil. Mas pelo menos metade do faturamento mensal, de R$ 280 mil, vem das agulhas de reposição. A variedade é enorme e o preço varia de R$ 10 a R$ 300.

"Não estamos nem arranhando esse mercado se analisarmos o segmento norte-americano, europeu. Só trabalhamos aqui com produtos mais

básicos. Tem aparelhos na faixa de US$ 20 mil. Não trazemos porque não tem mercado, é muito caro e não tem manutenção", explica Peres. O empresário mantém dois sites, um chamado Catodi e outro Casa dos Toca-Discos, que representam 28% do faturamento do negócio. O empresário tem dois sites porque o segundo começou a funcionar apenas como teste, mas quando saiu do ar, a empresa recebeu muitas reclamações e Peres resolveu manter ambos ativos.

"Temos histórias interessantíssimas, de senhoras que lembram do passado. Tem pessoas que trazem os discos para testar antes de comprar o aparelho. Acontece de tudo", conta Peres.

Já os irmãos Eduardo e Everton Leite criaram o site Trapemix, em 2009, para vender produtos eletrônicos e de informática. Mas o volume de vendas das vitrolas chamou tanto a atenção que eles resolveram focar nos produtos retrô, com ênfase dos aparelhos musicais. Para 2015, a dupla pretende investir em uma loja física em São Paulo. "Muitos clientes têm curiosidade e pedem para ver o produto", conta Eduardo Leite.

Em novembro, o e-commerce promoveu o mês da vitrola e registrou aumento de 53% das vendas em comparação com o mesmo período do ano passado. "O site vem em uma crescente. Tem a questão do retrô voltar a moda e a vitrola acompanhou", afirma.

Mercado. O professor do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (ProCED) da FIA, Edson Barbero, acredita no potencial dos negócios. "É a tal da onda vintage. O consumidor não quer apenas uma experiência tecnológica avançada com a música, mas tem a estética e a experiência de resgatar imagens do passado. Novos lançamentos estão acontecendo dentro dos LPs", diz.

Barbero ainda destaca que os aparelhos ainda têm o apelo não apenas com quem gosta de música, mas há o aspecto da decoração. "As pessoas buscam essa experiência estética e a vitrola em si é bonita", diz. Já o ponto de atenção, segundo o especialista, é o planejamento para lidar com a cotação do dólar, já que os aparelhos vendidos são todos importados.

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