Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Lojas de nerds driblam estigma e faturam até R$ 290 mil por mês

E-commece ToyShow abriu loja física e Limited Edition investe em site e planeja nova unidade

Gisele Tamamar, Estadão PME,

10 de fevereiro de 2015 | 06h59

Estereotipadas por terem clientes nerds ou geeks, as lojas especializadas em objetos colecionáveis e brinquedos ligados ao universo dos super-heróis, histórias em quadrinhos e desenhos animados ganham cada vez mais espaço no País e, dessa maneira, atraem investimentos.

::: Saiba tudo sobre :::

Mercado de franquias

O futuro das startups

Grandes empresários

Minha história

Victor Jacques, por exemplo, já era dono de uma empresa de tecnologia quando resolveu investir em um e-commerce de colecionáveis em 2013, a ToyShow. Um ano depois, a loja já mostrava-se financeiramente sustentável e promissora. Por isso, Jacques investiu cerca de R$ 500 mil para abrir uma unidade física na região da Avenida Paulista no começo deste ano.

Com o movimento, o empreendedor espera fazer o faturamento mensal saltar dos atuais R$ 120 mil para R$ 300 mil até o fim de 2015 com a venda de colecionáveis, roupas, literatura e objetos de decoração. No local são vendidos desde bonecos da coleção Pop!, da Funko, por R$ 49 em média até um boneco do Homem-Aranha em tamanho real por R$ 28 mil.

Interessado pelo tema desde a infância, o empresário passou a colecionar itens quando já era adulto. Como não encontrava o que queria nas lojas brasileiras, passou a importar estátuas e figuras de personagens como o Wolverine. Com o nascimento da filha, o quarto onde os produtos ficavam expostos precisou ganhar outra finalidade e Jacques improvisou um espaço no seu negócio de treinamento e tecnologia. "A empresa tem um fluxo alto de pessoas e elas começaram a perguntar se eu não vendia. Aí veio a ideia de montar a empresa", conta Victor.

O empresário está otimista com o crescimento do negócio e baseia sua análise nos novos filmes relacionados a esse nicho de mercado. "Em cinco anos, teremos 20 lançamentos de grandes produções. Tudo isso está virando cultura pop. Não é só coisa de colecionador. Há dez anos, uma pessoa com a camisa do Batman em uma festa era rotulada como nerd. Hoje é uma roupa normal", afirma.

Localizada a poucos quarteirões da ToyShow, a loja Limited Edition, dos sócios Rodolfo Balestero Pranaitis e Daniel Altavista. Com faturamento médio de R$ 290 mil por mês em 2014, o negócio ganhará uma nova plataforma de e-commerce ainda este mês e a abertura de outra unidade está sendo estudada. "O nosso mercado foge um pouco da curva e sofre menos em relação aos outros porque mexe com a paixão. Temos itens limitados que serão lançados uma vez e acabam inflacionados depois. O pessoal tem medo de deixar para comprar depois e pagar o dobro ou triplo", destaca Pranaitis, que abriu o negócio em 2009.

Como exemplo, ele conta que uma peça do Cavaleiros do Zodíaco, vendida em 2011 por R$ 149, pode ser encontrada hoje por ate R$ 1,7 mil. Sobre o público da loja, Pranaitis diz que também recebe muitos arquitetos e decoradores em busca de peças. "O cinema fortalece nosso mercado. A grande expansão dos colecionáveis é muito por conta dos filmes, como Homem de Ferro, até seriados como Big Bang Theory. Temos uma grande expectativa para este ano com o Star Wars - O Despertar da Força. Enquanto tiverem filmes, o mercado continuará aquecido", acredita.

Fidelização. Ao sair do círculo nerd e expandir para outros públicos, a tendência é que esse tipo de negócio torne-se um mercado interessante em termos de volume de vendas, segundo análise do coordenador do Centro de Estratégia do Insper, Luiz Fernando Turatti.

Com mais empresas no mercado, o professor afirma que a diferenciação do varejista no médio e longo prazo não será o portfólio de produtos, mas a proximidade com o cliente. Por isso, ele sugere um trabalho para a criação de uma comunidade em torno da loja com a promoção de eventos que traga e fidelize esse público. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.