Sergio Neves/AE
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Lojas de brigadeiro ganham cada vez mais espaço entre pequenas empresas

Lojas especializadas em versões diferenciadas e artesanais do docinho ganham espaço no mercado

Estadão pme,

04 de agosto de 2011 | 23h00

O brigadeiro, um dos mais populares doces da culinária brasileira, deixou de ser associado às festinhas infantis e alcançou o status de guloseima sofisticada.  Hoje, as bolinhas de leite condensado, manteiga e chocolate embaladas em forminhas plissadas ocupam espaços mais nobres. A receita foi incrementada, mas continua artesanal.  Os ingredientes são de melhor qualidade e uma infinidade de sabores surgiu.  Não demorou muito para ele virar um filão de negócios com bom potencial de lucros e atrair interessados.

Há um enorme mercado informal que comercializa o doce.  As lojas especializadas em brigadeiros começam a pipocar nas principais capitais do país e já estão presentes em shoppings e regiões nobres de cidades como São Paulo. “Como toda bolha, essa também pode estourar. Se isso acontecer muitas lojas que pegaram carona no modismo fecham e só permanecem no mercado aquelas que conseguiram estabelecer uma base mais sólida e se firmar como negócio que explora a sua área de atuação”, analisa João Abdalla, consultor de marketing do Sebrae de São Paulo.

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Juliana Motter, a precursora do movimento de sofisticação da guloseima e proprietária da loja Maria Brigadeiro, localizada na Zona Oeste de São Paulo, recebe diariamente cerca de 15 a 20 emails e telefonemas de investidores interessados em transformar a sua marca em uma rede de franquias.  A demanda é alta. No entanto, a empresária mantém uma postura mais conservadora em relação à expansão.

“O momento mais difícil de administrar um negócio é a hora de profissionalizá-lo. Tudo precisa ser muito organizado para que uma oportunidade não se transforme em motivos de transtorno no futuro. Por enquanto eu prefiro ter apenas uma loja e a certeza de que não estou sacrificando o doce, que é muito delicado e exige cuidados específicos para não perder a qualidade”, diz.

Os primeiros passos

Iniciar um negócio neste setor é relativamente fácil, segundo as proprietárias de três marcas distintas que atuam em São Paulo. Maria Brigadeiro, Brigadeiro Bistrô e Brigaderia nasceram de forma despretensiosa e informal. “Antes de abrir a primeira loja eu preparava o brigadeiro em casa mesmo e passava por todos os processos, da compra dos ingredientes à entrega das encomendas. Passar por isso dá uma noção do negócio todo e faz a diferença quando você começa a crescer”, relembra Juliana.

O mesmo aconteceu com  Taciana Kalil e Fernanda Zajd. Ambas lançaram a Brigadeira em sociedade e vendiam os docinhos aos amigos antes de abrir a primeira unidade. Fernanda, formada em economia, traçou o modelo de negócios da loja. Taciana, graduada em moda, cuidou do design das embalagens e toda a aprensentação visual do empreendimento. A parceria durou pouco mais de um mês.  “Eu e minha antiga sócia tínhamos visões diferentes em relação a gestão, então resolvemos nos separar e de comum acordo, a outra parte criaria um modelo similar de negócio”, conta Fernanda, proprietária de três lojas Brigadeiro Bistrô.

O investimento inicial para abrir uma loja varia bastante.  A Maria Brigadeiro custou a Juliana cerca de R$ 200 mil reais e o prazo de retorno foi de quase um ano. Há alternativas mais baratas, no entanto. Com R$ 56 mil a Brigaderia foi aberta em um shopping de São Paulo. “Um espaço menor, só para vender os produtos, é mais em conta. Por isso trabalho com pontos de venda. A produção é feita em uma fábrica e as lojas são abastecidas, o que fica mais em conta na hora de pensar em abrir uma nova unidade”, pondera Taciana.

Diversificação do produto

Montar uma loja de brigadeiros e esperar que os lucros venham somente com a venda do doce aumenta as chances de fracasso do negócio. “É o tipo de produto que para gerar lucro precisa ser vendido em um volume muito grande. Por isso ter foco em outras formas de comercializá-lo é importante. Assim como ter um plano para quando a demanda cair sazonalmente. Criar sorvetes à partir de brigadeiro, por exemplo, pode garantir um fluxo de vendas no verão, quando o consumo pode diminuir por causa do calor”, diz Abdalla. 

É preciso inovar, também, na apresentação do produto e na diversificação dele.  Apostar em embalagens diferenciadas e transformar o brigadeiro em presentes são alternativas que dão fôlego aos negócios. “Hoje eu concorro não só com cafeterias e lojas de doces, mas também com qualquer outra loja de shopping”, aponta Taciana, que já têm 5 pontos de vendas da Brigaderia em São Paulo e pensa em expandir, inclusive, para fora do Brasil.

Criatividade para inovar em um produto tão tradicional é uma espécie de mola propulsora dos negócios neste setor. Caixinhas, potes, louças, panelinhas e embalagens compõem o portifólio de vendas nas lojas. “As pessoas copiam muito e é necessário de tempos em tempos repensar visualmente as embalagens e criar novas opções para o cardápio. A grande maioria delas não faz por mal e sim porque a marca é forte e conhecida, mas isso acaba exigindo uma constante renovação”, explica Juliana, que está preparando o seu segundo livro sobre o tema.

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