Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Loja em contêiner atrai com ar moderno e fácil instalação

Implantação do negócio sai cerca de 30% mais barata do que loja de alvenaria e conquista franquias, mas tem mobilidade reduzida; climatização e localização devem ser levadas em conta

Bárbara Stefanelli, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 06h00

Especial para o Estado 

Foi-se o tempo em que os contêineres ficavam apenas em docas de portos ou em canteiro de obras. De uns anos para cá, essas estruturas de aço, alumínio ou até fibra de vidro ganharam novas utilidades e servem de base para negócios dos mais variados tipos – de cozinhas a franquias variadas.

A marca de produtos de beleza Água de Cheiro, na intenção de atualizar seus tradicionais quiosques, oferece modelos em contêiner para seus franqueados. De acordo com Olindo Caverzan Junior, diretor-geral da empresa, a ideia surgiu depois de observarem este tipo de negócio em outros países.

“Vimos o modelo de lojas em contêiner nos EUA e na Europa, e isso chamou a atenção da rede. No Brasil, é um modelo que começou a se tornar comum, principalmente em companhias do segmento de alimentação. Enxergamos um potencial”, explica.

De acordo com o empresário, a primeira unidade da loja será inaugurada em Santa Catarina, ainda neste ano. Para Caverzan, pontos estratégicos para a instalação de uma loja-contêiner são hipermercados, shoppings, estações rodoviárias, estacionamentos e postos de gasolina. Como desvantagem, cita o tamanho reduzido, em comparação a uma loja convencional de alvenaria.

“O estoque é mais enxuto devido à metragem. Porém, o consumidor continuará encontrando os principais produtos da marca”, diz ele, que aposta fechar 2020 com 50 unidades negociadas em contêiner.

Esse modelo (de 15 m²) tem investimento inicial de R$ 119 mil, enquanto a loja de alvenaria (de 30 m²) sai por R$ 199 mil e o quiosque (de 6 m²), R$ 90 mil.

Quem optou por esse formato aponta a rapidez e o caráter móvel da estrutura como os maiores benefícios. Rafael Cassius Wegner, franqueado da loja de materiais de construção Casa do Construtor, no Paraná, afirma que o modelo o fez economizar não só tempo, mas também dinheiro.

“Não precisei passar por um período de obras. No caso da minha loja, contratei uma empresa de engenharia que já me entregou o contêiner pronto. A construção (instalações elétricas e hidráulicas) saiu cerca de 30% mais em conta.”

Segundo Wegner, o metro quadrado do contêiner sai em torno de R$ 1.000, enquanto o da construção de alvenaria fica em R$ 1.300 e leva mais tempo para ser concluído. Ele ainda aponta a vantagem de poder remover a loja de local, caso “o contrato de locação do imóvel seja rescindido”.

De 2017 para cá, Lilian Marques, diretora da franquia Tratabem, especializada na assistência técnica e na venda de produtos para piscinas, diz notar um interesse maior pelo tipo de loja. “Um dos motivos é a crise econômica, que fez com que o modelo de negócio, de menor valor de investimento, seja mais procurado.”

A rede Tratabem foi criada em 2012 pela fabricante de piscinas iGUi e, hoje, suas lojas-contêineres são feitas pela iGUi com a mesma matéria-prima da piscina (poliéster reforçado com fibra de vidro). Segundo Lilian, ela também sai 30% mais em conta do que uma loja convencional de alvenaria.

Mas não é tão móvel assim

Um dos pontos exaltados por quem oferece esse tipo de estrutura é a perspectiva de levar o negócio para vários locais. No entanto, como observa Octávio Horta, sócio-proprietário do empreendimento Vila Butantan, na zona oeste da capital paulista, não é tão simples assim levar uma estrutura de quatro toneladas para “cima e para baixo”.

O local, onde ficava o extinto Butantan Food Park, é um pequeno shopping feito de contêineres, reunindo lojas em box, que vão de depilação a laser e barbearia a restaurantes.

Ali, são cerca de 50 contêineres, todos de propriedade da Vila Butantan. De acordo com Horta, a escolha da estrutura se deu, principalmente, por conta da rapidez. O empreendimento, que abriu as portas em agosto de 2016, ficou pronto em seis meses.

Em São Paulo, como aponta David Kállas, coordenador do Centro de Estudos em Negócios do Insper, essa tendência já começou faz uns cinco anos. “Um dos primeiros locais a puxar a moda foi o restaurante Pitico (em Pinheiros), que tem um misto de área livre e de contêiner. Esse apelo de modernidade foi capaz de revitalizar a quadra inteira e arredores.”

Apesar do uso da estrutura para o comércio, o transporte de commodities e outros bens por meio de contêiner data da Segunda Guerra Mundial, pontua Sasquia Hizuru Obata, professora dos cursos de engenharia e arquitetura da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap).

“Já havia utilização de contêineres em alojamentos americanos durante a Segunda Guerra. Os boxes também são muito utilizados em ambientes de canteiros de obras, por conta da velocidade e disponibilidade de espaço”, diz ela.

Na visão da professora, quem for investir no modelo deve ficar atento para que o local atenda às regras do “bom projeto”, que levam em conta confortos térmico, acústico, de habitabilidade e durabilidade.

Para driblar qualquer problema do tipo, é importante estudar o ponto em que a estrutura será instalada. “Primeiro, é preciso saber as condições do local de implantação. Depois, analisar as considerações de sombreamento e ventilação.”

Portanto, para não correr o risco de o seu negócio se tornar uma sauna ou estufa, a solução é, além de refrigeração, estudar modelos que tenham um material isolante e que ofereça conforto termoacústico. Mas a escolha do ponto, para não gastar “fortunas” em ar-condicionado, continua sendo essencial: sem muito sol - e com muitos clientes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.