Margaret, da Darling, espera que linha represente 50% em dois anos
Margaret, da Darling, espera que linha represente 50% em dois anos

Linha modeladora ajuda a sustentar setor de lingerie na crise

Peças com valor agregado movimentaram R$ 586,7 milhões no ano passado, alta de 11,6% em comparação a 2013

Gisele Tamamar, Estadão PME,

11 de agosto de 2015 | 07h04

Seja para ajudar a esconder uma gordurinha indesejada ou auxiliar no tratamento pós-cirúrgico, o fato é que a linha de lingeries modeladoras e cintas elásticas foi responsável por sustentar o setor de moda íntima diante de um mercado retraído no primeiro semestre. Com inovações que envolvem tecidos especiais e soluções tecnológicas, a categoria mostrou-se uma saída para as empresas na crise.

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No ano passado, as vendas das linhas de modeladores, cintas elásticas e corpetes movimentaram R$ 586,7 milhões, alta de 11,9% em relação ao ano anterior. Esses itens abocanharam 11,6% do setor de lingerie, segundo dados da empresa de pesquisa IEMI - Inteligência de Mercado.

"Os produtos modeladores carregam uma série de inovações e aparecem como uma boa solução para combater a crise. As marcas agregam diferenciais ao produto com inovação e diversificação", explica o diretor do IEMI, Marcelo Prado.

As vendas da linha slim da Darling, por exemplo, crescem ano a ano e hoje representam 10% do faturamento da empresa. A expectativa em torno dos produtos é positiva e a marca acredita que essa representatividade pode chegar a 50% em dois anos.

Além da vaidade feminina, a busca de produtos com risco menor é apontada como um atributo que protege a linha da retração econômica. "Em tempos incertos, o lojista prefere apostar em produtos básicos com maior giro", diz a diretora de criação da Darling, Margaret Lewinski, que pertence à segunda geração da família no comando da empresa.

Segundo Margaret, a linha de shapewear sempre esteve presente na empresa, mas foi se transformando com as novas tecnologias e ganhou mais conforto a partir da década de 90. "Surgiram tecidos mais finos, mais elásticos. A linha que temos hoje é incomparável em relação ao conforto. Ela aperta, modela, da contorno, mas ao mesmo tempo é macia", diz.

Para Margaret, o crescimento do mercado é resultado de um movimento de dois lados: demanda do consumidor e o trabalho da indústria. "Estamos sempre pensando em novas formas que podem ajudar a mulher. As peças precisam ser bonitas, confortáveis e eficientes", diz Margaret. Um dos itens mais vendidos é um vestido modelador com decote tomara que caia.

Já a Lucitex espera crescer no segundo semestre com o lançamento de uma nova marca voltada para soluções pós-operatórias, a Medform, e uma linha de calcinhas com forro com fios de cobre, que eliminam fungos e bactérias. Os produtos fora lançados na Fevest, feira do setor que ocorreu na semana passada, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. De acordo com a diretora comercial da Lucitex, Neucileia Layola Porto, a empresa projetou crescimento real de 3% para 2015 e, desde o ano passado, planejou uma série de ações para passar bem pelo período de recessão.

"Tivemos reajuste de matéria-prima e mais outras despesas que acabaram pesando bastante na formação do custo da indústria. Até agora, na média, estamos empatando com o ano passado, mas planejamos crescimento", diz Neucileia, que costuma investir de 2% a 3% do faturamento na área de desenvolvimento.

Setor. O diretor do IEMI, Marcelo Prado, explica que a lingerie evoluiu para atender as necessidades da mulher. "A mulher é mãe, trabalha, pratica esportes. Essas várias situações fazem com que ela demande roupas íntimas específicas com propriedades diferentes. A lingerie tem muitas funções e foi evoluindo para atender as várias situações do dia a dia", diz.

A categoria chegou a 6,9 milhões de peças produzidas na indústria, o que totalizou um valor de venda para o varejo de R$ 251,1 milhões em 2014, alta de 9% em comparação ao ano anterior. Para quem pretende investir na área, a recomendação é focar em um nicho. "A estratégia é se especializar e ter uma solução completa, buscar inovação para agregar valor. Não adianta fazer mais do mesmo", destaca.

O diretor ainda destaca que é preciso fugir da briga de preço, onde as grandes têm escala e poder econômico para vencer a briga. "Aprenda com os outros, mas não apenas reproduza. A pequena empresa é veloz e flexível, capaz de adaptar soluções para conseguir chegar ao mercado com diferenciais. Isso tem muito apelo, principalmente na época crise", completa.

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