Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Lançamentos de Apple e Android aquecem o mercado de celulares de segunda mão

Empresários investem para lucrar com demanda do consumidor brasileiro por equipamentos usados

Mariana Desidério, ESPECIAL PARA O ESTADO,

07 de outubro de 2014 | 06h50

Em 2014, o Brasil atingiu o recorde de 13 milhões de celulares inteligentes vendidos só no segundo trimestre. Em todo o ano de 2013, foram 35,6 milhões. No País que tem mais telefones do que pessoas – são 271 milhões de linhas móveis para 201 milhões de habitantes – algumas empresas estão começando a pensar em como ganhar dinheiro com os nossos aparelhos usados, aqueles que muitas vezes ficam esquecidos na gaveta.

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“Muita gente troca o celular após um ano de uso. Esses aparelhos ainda funcionam e podem servir a quem não tem condições de comprar um novo”, afirma o empresário francês Amaury Bertaud. Ele é dono da Recomércio, startup aberta em julho de 2013 com foco na reutilização e também na reciclagem de telefones.

Bertaud atravessou o Atlântico com toda a família ( mulher e quatro filhos) para abrir a empresa. Até agora, investiu R$ 200 mil e está colocando mais R$ 800 mil no negócio. A expectativa é faturar R$ 4 milhões até o final de 2015. Antes de se aventurar pelo Brasil, Bertaud trabalhou dez anos no banco Société Générale e foi sócio do fundo de investimentos Nextstage.

Para vender seu celular pela Recomércio, o interessado deve entrar no site e responder algumas perguntas. A partir dessas informações, um algoritmo faz uma estimativa de quanto vale o aparelho, podendo chegar a R$ 1,6 mil. Ele é então enviado pelo correio, passa por uma avaliação, e o usuário recebe o valor acertado. A oficina da Recomércio foi montada na sede de uma cooperativa de reciclagem em São Paulo, a Coopermiti, e a ideia é também ajudar a gerar renda para os cooperados. Os aparelhos que não servirem mais para revenda serão reciclados.

O sistema de compra é semelhante ao de outras empresas no Brasil e no mundo. A Brused, que só trabalha com aparelhos da Apple, tem sede na cidade de São Caetano e opera desde novembro de 2013. A empresa já comprou e vendeu cerca de 700 celulares. A cada venda, fica com cerca de 30% do valor. O investimento dos sócios Bruno Fuschi e Eric Fuzitani foi de R$ 50 mi, com expectativa de alcançar R$ 1 milhão neste ano. “O mercado de usados no Brasil ainda é muito informal. As pessoas têm medo de comprar algo quebrado. Quando existe uma empresa por trás, elas ficam mais seguras”, pontua Fuschi.

Para Thiago Moreira, diretor de digital da Nielsen Brasil, esse pode ser um nicho de oportunidades. “Hoje estimamos que cerca de metade do mercado ainda não tem smartphones, portanto, há demanda”, afirma. Já Reinaldo Sakis, gerente de pesquisa de produtos de consumo da IDC, pondera que é preciso considerar a redução nos preços dos aparelhos novos. “Hoje você não precisa mais gastar R$ 2.000 para ter um bom celular”, afirma.

A venda de aparelhos usados já existe em mercados como os dos EUA e da Europa. Um dos serviços mais conhecidos é o Gazelle, que afirma já ter feito mais de 2 milhões de transações. Trabalhar com esses revendedores de fora, inclusive, é um dos objetivos da Recomércio. “A ideia é enviar para esses mercados lotes de produtos recuperados do varejo, de fabricantes ou de distribuidores”, afirma Bertaud. Além disso, a empresa tem uma loja no Mercado Livre e está em diálogo com sites, atacadistas e varejistas para propor a distribuição de aparelhos seminovos no Brasil. A previsão é recuperar 15 mil celulares até o final de 2015.

 

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