Juros no Brasil podem se aproximar de padrões internacionais

País pode ter expansão maior nos próximos anos devido à sua dinâmica interna própria

Agência Estado,

26 de agosto de 2011 | 15h15

O Brasil é um dos países que, assim como a China, pode ter uma expansão maior nos próximos anos devido à sua dinâmica interna própria. A análise foi feita nesta sexta-feira, 26, pelo economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, durante o 5º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, que está sendo realizado em Campos do Jordão pela BM&FBovespa.

Quem também pode contribuir para este resultado é a classe média, disse. "Se o crescimento da classe média for sustentável gerará uma mudança relevante de crescimento para determinados países", afirmou Goldfajn. "O Brasil se beneficia no longo prazo, pois o consumidor vai continuar atraindo poupança e investimento."

No cenário básico traçado pelo especialista, o País terá crescimento de 3,6% em 2011 e 3,7% no próximo ano. Enquanto isso, a taxa básica da economia local (Selic) deve permanecer estável em 12,50% até o final do exercício de 2012. Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor A), na previsão de Goldfajn, deve encerrar 2011 em 6,5% e baixar para 5,3% em 2012. "Os investimentos vão continuar subindo pelo menos 4% por conta dos investimentos advindos da infraestrutura, Copa, Olimpíadas, setor imobiliário, entre outros segmentos", disse. "Vamos continuar a ser financiados pela poupança externa".

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Ainda num cenário básico, o economista-chefe do Itaú Unibanco projeta dólar a R$ 1,55 em 2011 e R$ 1,25 no próximo exercício. "No médio prazo, vamos continuar sendo um país caro porque vamos atrair poupança externa, mantendo o câmbio apreciado.", afirmou.

Já num cenário pessimista, o Brasil crescerá, de acordo com Goldfajn, 3,1% neste ano e 3,2% em 2012. "A crise deverá permanecer mais dois ou três meses neste cenário", avaliou ele.

Neste cenário, a Selic vai a 12% em 2011 e a 10,5% no próximo ano. Já o IPCA poderá chegar a 6,1% neste exercício e 4,9% em 2012. A previsão dele para a moeda americana num ambiente mais sombrio é de R$ 1,71 em 2011 e de R$ 1,75 no ano de 2012.

Juros

Os juros brasileiros podem se aproximar dos padrões internacionais, na opinião de Goldfajn. Segundo ele, essa é uma convergência que demora certo tempo e que ocorre num momento de desaceleração econômica. "Pode ser que haja uma oportunidade agora, mas a política fiscal terá de contribuir", afirmou.

Para Goldfajn, no curto prazo as commodities elevadas podem atrapalhar a proximidade dos juros aos padrões internacionais, pois mantêm a inflação alta. "Por outro lado, commodities elevadas são boas para o Brasil em termos de troca, pois permite que o País continue crescendo", concluiu ele.

Crescimento

A indústria de fundos e o mercado de capitais seguirão o ritmo de crescimento da economia brasileira, atuando como fontes de financiamento do País, segundo Goldfajn.

"O Brasil precisa de recursos para seu financiamento, a poupança será relevante e os fundos serão um canal para isso, certamente", avaliou. Sobre o caso dos fundos de investimentos da gestora GWI, que estão fechados para resgates e aplicações desde o dia 12 de agosto - os cotistas estão reunidos hoje, em São Paulo, para decidir sobre o futuro dessas aplicações -, ele preferiu não se manifestar.

Mesmo diante de um cenário turbulento global, no qual a bolsa brasileira tem sofrido bastante ao longo das últimas semanas, Goldfajn vê o mercado de capitais crescendo na esteira da economia brasileira. "A economia local continua funcionando e precisando fazer o papel dela de financiar o seu crescimento. As empresas vão precisar investir mais. O investimento no curso do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro está e vai continuar aumentando e todas as fontes de investimento terão de ser usadas", finalizou o economista-chefe do Itaú Unibanco.

Com reportagem de Aline Bronzati, Ricardo Leopoldo e Altamiro Silva

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