Ernesto Rodrigues
Ernesto Rodrigues

Jovens faturam com entrega de frutas

Ao aliar praticidade com qualidade de vida, a Snack Frutas conquistou grandes clientes, como o Buscapé

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

08 de maio de 2012 | 15h05

A tendência de valorização da saúde e bem-estar, aliada à redução da taxa de desemprego – que tem exigido um investimento cada vez maior das empresas para atrair e reter talentos –, criou o cenário perfeito para que os publicitários Carlos Ribeiro, de 30 anos, e Leonardo Stecanella, de 25, criassem um serviço de delivery de frutas prontas para consumo em escritórios.

Em funcionamento desde o início de 2009, a Snack Frutas distribui diariamente cerca de 4 mil frutas para 30 clientes diferentes. Entre eles, estão grandes empresas como Buscapé, Emerson Network Power e Techint Engenharia e Construção.

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A ideia surgiu após uma pesquisa de mercado na qual os empreendedores detectaram o sucesso desse modelo de negócio no exterior. “O objetivo inicial era criar uma feira online, mas a logística era muito difícil por causa da variedade de itens”, explica Ribeiro. “Pesquisamos um pouco mais e descobrimos que o delivery de frutas para empresas era um modelo de negócio que estava dando certo em outros países e que fazia sentido no Brasil, porque a maioria da população não consome a quantidade recomendada”, afirma.

Estudo realizado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atesta o que diz o empresário. Segundo a pesquisa, apenas um em cada dez brasileiros come os 400 gramas diários de frutas, verduras e legumes recomendados pelo Ministério da Saúde.

O negócio nasceu com um investimento inicial de R$ 230 mil para aquisição de equipamentos e quatro carros com sistema de refrigeração que rodam a cidade atendendo aos clientes. Todas as frutas são entregues em cestas com o mínimo de 25 unidades. Cada uma custa a partir de R$ 35 e a entrega pode ser diária, semanal ou mensal, no horário da manhã ou da tarde. O mix fica a cargo do cliente. São nove variedade disponíveis a cada estação. “Não é um mercado para aventureiros, porque os clientes são extremamente exigentes com a qualidade dos produtos e a pontualidade da entrega, algo que exige uma logística especial quando se trata de uma cidade como São Paulo”, diz Leonardo.

Há ainda um terceiro fator que preocupou a dupla de empresários: a margem de lucro. Como o preço das frutas varia muito a cada semana e o custo final da cesta para o cliente é tabelado, os empreendedores corriam o risco de ter prejuízos. Por isso, tiveram que investir no relacionamento com os fornecedores para garantir uma boa negociação. Até hoje, Leonardo faz pessoalmente as compras diárias de frutas na Ceagesp.

Crescimento. Desde o início do negócio, a Snack Frutas cresce em um ritmo de mais de 100% ao ano. O faturamento mensal é de R$ 80 mil. “A empresa está aproveitando um grande momento, em que há espaço no mercado para esse tipo de serviço”, diz o consultor do Sebrae-SP, Gustavo Carrer. “Essa é a hora de o negócio crescer e se fortalecer, porque vai ser inevitável a entrada de outros competidores nesse nicho.”

De fato, a Snack Frutas já enfrenta concorrência direta. Segundo Ribeiro, um ex-cliente investiu em um negócio semelhante depois de conhecer e testar o serviço da empresa. “Para ganhar uma margem segura diante da concorrência, eles precisam inovar e se capitalizar rapidamente para acelerar a expansão”, sugere Carrer.

E essa é exatamente a estratégia planejada pelos empreendedores, que estão testando melhorias no serviço, como um novo sistema de conservação e armazenamento para que frutas maiores, como o abacaxi, possam ser entregues já picadas e em potes individuais. Eles também estão negociando a abertura de uma filial em Campinas, no interior de São Paulo, e uma parceria com uma empresa portuguesa interessada em investir no negócio.

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